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Antena de estação de rádio destruída em ataque criminoso

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The destroyed antenna of Brazilian local broadcaster Aliança FM is seen in Choró, Ceará state. Police are investigating the attack on the antenna. (Image via Marcolino Borges)

Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2019 - As autoridades brasileiras devem investigar minuciosamente o ataque criminoso contra a rádio Aliança FM e responsabilizar os autores, informou hoje o Comitê para Proteger Jornalistas (CPJ).

Nas primeiras horas de 3 de dezembro, agressores não identificados queimaram a antena de transmissão da estação de rádio comunitária Aliança FM, na cidade de Choró, no Ceará, de acordo com reportagens locais. Ninguém foi ferido no ataque, que destruiu a transmissora, de acordo com essas notícias.

“O ataque criminoso à estação de rádio comunitária Aliança FM é profundamente perturbador. A polícia do Ceará deve investigar meticulosamente o ataque, levar os responsáveis ​​à justiça e tomar todas as medidas necessárias para garantir que os jornalistas de rádio possam informar com segurança ”, disse Natalie Southwick, coordenadora do programa das Américas Central e do Sul do CPJ, em Nova York. "O assédio e a intimidação dos jornalistas de rádios comunitárias afetam diretamente o acesso das pessoas às informações, especialmente em áreas remotas".

Marcolino Borges, fundador e editor-chefe da Aliança FM, disse ao CPJ por telefone que estava em casa quando alguém que mora perto do local onde ficava a antena ligou, entre 1:00 e 2:00 da madrugada de 3 de dezembro, dizendo que o equipamento estava pegando fogo. Borges contou que chegou à antena logo depois e a encontrou destruída, com seus equipamentos em chamas. Ele disse que chamou a polícia, que chegou e abriu uma investigação sobre o ataque.

O estúdio da rádio está localizado em uma área diferente do equipamento de transmissão e não foi atacado, relatou Borges ao CPJ.

Ele esclareceu ser cofundador da Aliança FM - originalmente conhecida como Pioneira FM - em 2005, e que recebeu muitas ameaças por suas transmissões ao longo dos anos em relação à cobertura de notícias e políticas locais.

Borges acrescentou que encontrar-se em uma disputa de longa data com Otacio Dantas Filho, ex-prefeito de Choró, que estava descontente com a cobertura da emissora sobre a política local e ameaçou "encerrar" a rádio Aliança FM.

Também informou que, desde setembro de 2018, Dantas Filho tenta bloquear as transmissões de rádio da Aliança FM, difundindo sinais de rádio na mesma frequência. Borges explicou que apresentou uma queixa à Agência Nacional de Telecomunicações, que fechou a estação de Dantas Filho no ano passado, mas adicionou que Dantas Filho havia retomado recentemente as transmissões na frequência da Aliança FM.

Em entrevista por telefone ao CPJ, Dantas Filho disse que não tinha nada a ver com o ataque à antena e que nunca havia interferido nas transmissões da Aliança FM. Dantas Filho falou que Borges roubou equipamentos de rádio dele no passado, acusação que Borges negou ao CPJ.

Dantas Filho afirmou ao CPJ acreditar que as estações de rádio não devem cobrir a política local e que daria uma declaração à polícia se solicitado.

Tim Carlos, representante da Associação Nacional de Rádios Comunitárias, e Vanderlei Barbosa, representante do Sindicato dos Jornalistas de Rádio na região de Quixadá, que inclui Choró, confirmaram através de e-mails ao CPJ que havia uma disputa em andamento sobre os direitos de transmissão de rádio na cidade.

O Secretário de Segurança Pública e Defesa Social enviou uma declaração ao CPJ por e-mail dizendo que as investigações iniciais das autoridades indicaram que alguém cortou os cabos que sustentam a antena e depois ateou fogo usando um líquido inflamável, e que nenhum dispositivo explosivo foi encontrado no local.

O comunicado também dizia que a Polícia Civil está entrevistando testemunhas e reunindo evidências, mas que nenhum detalhe adicional pode ser compartilhado para evitar que a investigação seja comprometida.

Desde o início de 2018, os jornalistas de rádio brasileiros estão sujeitos a ameaças de morte, ataques à bomba, sendo alvo de tiros enquanto dirigem seus veículos e de ameaças de políticos, segundo documentou o CPJ. Pelo menos dois repórteres de rádio, Jairo Souza e Jefferson Pureza Lopes, foram mortos durante o período, segundo a pesquisa do CPJ.

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