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Agentes de contrainteligência venezuelana detêm freelancer dos EUA, auxiliar venezuelano

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Apoiadores do líder da oposição venezuelana Juan Guaidó participam de uma manifestação contra o governo de Nicolas Maduro em Caracas, Venezuela, em 4 de março de 2019. Os agentes de contraespionagem venezuelanos detiveram um freelancer norte-americano e seu auxiliar venezuelano em 6 de março (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Miami, 6 de março de 2019 - As autoridades venezuelanas devem libertar imediatamente um jornalista freelancer norte-americano e um auxiliar técnico venezuelano que foram detidos depois que agentes da contraespionagem invadiram suas casas esta manhã em Caracas, informou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Agentes dos serviços de contrainteligência venezuelanos, a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), invadiram as casas de Cody Weddle, um jornalista freelance e cidadão norte-americano, e de Carlos Camacho, um técnico venezuelano que trabalhava com Weddle, por volta das 8 da manhã segundo reportagem da afiliada da ABC no sul da Flórida WPLG Local 10 - para o qual Weddle estava trabalhando - e declarações postadas no Twitter por grupos de imprensa venezuelanos. Os agentes, que apresentaram uma ordem judicial emitida por um tribunal militar, confiscaram equipamentos da casa de Weddle, incluindo um computador e equipamentos de trabalho, de acordo com um tuíte da organização de imprensa venezuelana Espacio Público.

WPLG disse em sua reportagem desta manhã que o último contato de Weddle com os funcionários da emissora foi ontem à tarde, e que as tentativas de outros contatos não tiveram sucesso. Esta tarde, o sindicato dos trabalhadores da imprensa venezuelana informou no Twitter que Weddle e Camacho foram detidos na sede da DGCIM em Boleíta, Caracas, e que, de acordo com a DGCIM, ambos estavam sendo interrogados naquele momento.

"A detenção de Cody Weddle e Carlos Camacho a pedido de um tribunal militar é uma escalada assustadora das tentativas das autoridades venezuelanas de intimidar os jornalistas e silenciá-los", disse Natalie Southwick, Coordenadora do Programa do CPJ para a América Central e do Sul, em Washington, DC. "Em vez de responder aos pedidos internacionais para respeitar a liberdade de imprensa, as autoridades, em vez disso, redobraram a censura e o assédio. Weddle e Camacho devem ser libertados imediatamente, e todos os seus equipamentos devolvidos."

Dezenas de jornalistas, tanto locais quanto estrangeiros, foram arbitrariamente detidos nas últimas semanas em meio à crise política na Venezuela, incluindo a breve detenção no palácio presidencial de Miraflores da equipe da Univision liderada por Jorge Ramos na semana passada, depois que Nicolás Maduro encerrou abruptamente uma entrevista, como documentou o CPJ. Weddle tuitou sobre essas detenções.

De acordo com seu perfil no Twitter, Weddle é um jornalista freelancer que residiu durante anos na Venezuela e trabalhou para meios de comunicação como ABC, CBS, The Miami Herald e The Telegraph.

A mais recente contribuição de Weddle ao Local 10, publicada em 4 de março, enfocou o retorno de Juan Guaidó à Venezuela após vários dias no exterior. Guaidó, que é o presidente do legislativo venezuelano, foi reconhecido por dezenas de países como o presidente interino do país, desafiando a reivindicação de Maduro à presidência e desencadeando uma crise política. Weddle também postou o link da matéria em sua conta do Twitter.

O CPJ tentou contatar a DGCIM através do número de telefone publicado no seu site, mas não houve resposta.

O CPJ emitiu um comunicado de segurança para jornalistas que cobrem a crise na Venezuela.

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