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Autoridades venezuelanas devem devolver equipamentos para Jorge Ramos e equipe da Univision

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Jorge Ramos, âncora da rede de televisão Univision em língua espanhola, conversa com a imprensa enquanto se prepara para deixar o país no aeroporto internacional Simon Bolívar, em Caracas, Venezuela, em 26 de fevereiro de 2019. (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Miami, 26 de fevereiro de 2019 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou ontem a detenção de uma equipe de notícias da Univision no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, e sua expulsão hoje, e instou as autoridades venezuelanas a devolver imediatamente os equipamentos confiscados

A equipe de seis pessoas, liderada pelo repórter e âncora Jorge Ramos, esteve no Palácio Presidencial de Miraflores para uma entrevista pré-marcada com Nicolás Maduro. Agentes de segurança confiscaram todos os seus equipamentos, incluindo câmeras e telefones celulares, segundo a Univision.

Os jornalistas foram detidos por volta das 19h00 (horário de Caracas) e liberada em torno de 21h30, de acordo com a Univision. O presidente da emissora, Daniel Coronell, confirmou a libertação via Twitter, mas disse que as autoridades venezuelanas confiscaram seus equipamentos, bem como a gravação da entrevista truncada.

Em uma breve entrevista à Univision Noticias, publicada na conta do canal no Twitter, Ramos disse que Maduro encerrou a entrevista depois de ficar irritado com perguntas sobre "a falta de democracia" e outros tópicos. A equipe foi mantida em salas separadas e interrogada depois que agentes de segurança levaram todos os seus pertences, disse Ramos.

"Nicolás Maduro e seu aparato de segurança não têm o direito de manter os jornalistas, ou seus equipamentos, reféns - não importa o quanto eles possam não gostar dos questionamentos" disse, em Nova York, Natalie Southwick, coordenadora do programa do CPJ para a América Central e do Sul. "As autoridades venezuelanas devem devolver imediatamente todos os equipamentos e materiais confiscados à equipe de notícias da Univision, e parar de obstruir e assediar a imprensa."

Após sua libertação, os jornalistas puderam retornar ao hotel em Caracas, onde agentes da SEBIN, a agência de inteligência, os mantiveram sob vigilância, cercando o hotel e impedindo a entrada ou a saída de qualquer pessoa, segundo tuítes do presidente da Univision e de uma organização de imprensa local.

Por volta das 23h30 em Caracas, autoridades de imigração informaram à equipe que seriam expulsos do país, segundo um tuíte enviado por Pedro Ultreras, outro jornalista da Univision na Venezuela que não fazia parte do grupo detido em Miraflores.

Por volta das 6h00 de hoje, Ultreras tuitou que a equipe estava sendo levada para o aeroporto em veículos à prova de balas por motivos de segurança, acompanhados por pessoal diplomático das embaixadas dos EUA e do México. Por volta das 9 da manhã de hoje, Ultreras tuitou que, enquanto estavam no aeroporto aguardando para embarcar no voo, o grupo foi acompanhado e filmado por serviços de inteligência. Ele disse que seus equipamentos e pertences não foram devolvidos.

Separadamente, um vídeo gravado pela equipe da Univision e compartilhado via Twitter disse que, enquanto Ultreras estava na Venezuela, membros de uma milícia armada pró-governo o mantiveram sob a mira de uma arma enquanto viajava para Caracas vindo do estado de Táchira, onde ele estava cobrindo a fronteira Colômbia-Venezuela. O vídeo não especificou a data ou por quanto tempo os atiradores o mantiveram.

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