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Os jornalistas que cobrem a tensão na Venezuela enfrentam a violência e a obstrução de seu trabalho

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Forças de segurança Venezuelanas em uniformes antidistúrbios em frente à Assembleia Nacional em Caracas em 27 de outubro de 2016. (Reuters/Marco Bello)

Bogotá, Colômbia, 27 de outubro de 2016--Jornalistas que tentaram cobrir o aumento das tensões políticas na Venezuela foram alvo de obstruções e ataques, inclusive por parte das forças de segurança venezuelanas e de funcionários da imigração, segundo organizações de liberdade de imprensa e reportagens da imprensa.

Muitos dos ataques ocorreram ontem durante protestos realizados em todo o território nacional, nos quais os manifestantes exigiram que o governo socialista permitisse um referendo que pudesse revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

"O aprofundamento da crise política na Venezuela é um assunto de interesse nacional e internacional, que como tal os jornalistas devem ser capazes de cobrir a notícia com proteção governamental, não com acosso nem interferência por parte do governo nem de nenhum outro grupo", disse em Nova York o coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Instamos as autoridades locais a deixarem de entorpecer o trabalho dos meios de comunicação e garantirem que todos os jornalistas possam informar com liberdade e sem temor de represálias".

Na cidade ocidental de Mérida, Emmanuel Rivas, correspondente do site noticioso El Pitazo, recebeu impactos no rosto, nas costas e no joelho de balas disparadas pela polícia antimotim, disse a organização de liberdade de expressão venezuelana Espacio Público em um comunicado à imprensa. A organização declarou que Rivas recebeu tratamento em uma clínica e teve alta.

Nairobys Rodríguez, correspondente de El Pitazo no estado de Sucre, recebeu uma pedrada na cabeça enquanto a polícia e partidários do governo atacavam manifestantes, segundo uma notícia do El Pitazo.

Indivíduos mascarados lançaram uma pedra na cabeça de Rubenis González, jornalista do site de notícias Versión Final, no estado ocidental de Zulia, segundo a organização de liberdade de imprensa radicada em Caracas, Venezuela, Instituto Prensa y Sociedad (IPYS). Os indivíduos também provocaram danos ao veículo de imprensa do Versión Final, afirmou a organização.

Durante os protestos na ilha de Margarita, em frente ás costas venezuelanas, as forças de segurança agrediram e detiveram brevemente a repórter de rádio Rosa Reyes quando entrevistava manifestantes, segundo o Espacio Público. A polícia também deteve brevemente Anderson Herrera, fotógrafo do jornal El Oriental de Monagas, no estado de Maturín, e o obrigaram a apagar as fotografias dos protestos, informou o Espacio Público.

Vários correspondentes estrangeiros não puderam cobrir as manifestações. Em 24 de outubro as forças de segurança detiveram Matt Gutman, correspondente do canal noticioso televisivo norte-americano ABC News, enquanto informava sobre a deterioração das condições em um hospital na cidade central de Valencia, de acordo com as informações da imprensa. As autoridades o liberaram ontem. "Matt foi detido enquanto estava na Venezuela realizando uma cobertura para a ABC News. Ele foi liberado sem incidentes", confirmou a ABC News em uma declaração emitida esta manhã.

Na terça feira, as autoridades pararam quatro jornalistas peruanos no aeroporto internacional de Caracas e negaram a eles o ingresso na Venezuela, segundo informações jornalísticas. Funcionários da imigração disseram aos jornalistas peruanos Ricardo Burgos, Leónidas Chávez e Armando Muñoz, que estavam trabalhando para o canal mexicano Televisa, e para o fotógrafo Ricardo Venegas, que não possuíam as permissões apropriadas par ingressar no país e negaram sua entrada, disse em uma declaração o embaixador do Peru na Venezuela, Mario López Chávarri.

Desde 2012, os correspondentes estrangeiros foram informados para solicitarem credenciais de imprensa ao ministério de Comunicação antes de viajarem a Venezuela. No entanto muitos jornalistas se queixam que suas solicitações para a obtenção de credenciais não recebem nenhuma resposta.

Em 31 de agosto, as autoridades negaram o ingresso na Venezuela a seis correspondentes internacionais, entre eles o correspondente do CPJ para a região andina, com o argumento de que não possuíam credenciais de imprensa, informou na época o CPJ.

Os dados do CPJ mostram que durante a gestão de Maduro as autoridades empregaram uma série de táticas para restringir o trabalho dos meios de comunicação independentes. O jornalista digital e de rádio Braulio Jatar Alonso foi detido no início de setembro e ainda continua preso, acusado de lavagem de dinheiro depois de ter coberto uma manifestação. A prisão e os últimos incidentes ocorreram meio a uma ofensiva governamental contra a oposição política, no momentos em que o Governo de Maduro enfrenta um crescente mal estar pelo desabastecimento generalizado de alimentos e taxa de inflação de três dígitos.

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