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Segundo jornalista assassinado no Brasil em menos de uma semana

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Nova York, 26 de maio de 2015 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o assassinato do radialista brasileiro Djalma Santos da Conceição e insta as autoridades a investigar e levar os responsáveis à justiça. O corpo de Santos da Conceição foi encontrado com sinais de tortura no sábado, no estado nordestino da Bahia, um dia depois de o jornalista ser sequestrados por indivíduos armados, segundo as reportagens da imprensa.

O homicídio do jornalista ocorre menos de uma semana depois do assassinato de Evany José Metzker, um crítico blogueiro que foi encontrado decapitado em 18 de maio no estado de Minas Gerais, perto da fronteira com a Bahia. 

“O brutal assassinato de dois jornalistas brasileiros em menos de uma semana representa uma preocupante escalada da violência contra a imprensa no Brasil, que já é um dos países mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo”, disse a pesquisadora assistente do programa das Américas do CPJ, Sara Rafsky.

Santos da Conceição, 53, apresentava o programa matinal diário “Acorda Cidade” na RCA FM, uma emissora de rádio comunitária em Conceição da Feira, uma cidade de aproximadamente 22.000 habitantes e a 128 quilômetros noroeste de Salvador, capital do estado da Bahia, de acordo com a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO, Bahia).

Um policial que conversou com o CPJ e reportagens da imprensa local disse que o programa de rádio do jornalista era popular na região e que Santos da Conceição não media palavras quando informava e exigia ações sobre a criminalidade e corrupção local.

“Era sensacionalista e quando você faz isso, você fere egos e atinge as pessoas” Everaldo Monteiro, coordenador do Sindicato Estadual dos trabalhadores de Rádio, TV e Publicidade da Bahia, disse ao CPJ por telefone, de Salvador.

“Djalma Santos era conhecido por ser muito polêmico”, disse Jairo Bispo dos Santos, coordenador-executivo da ABRAÇO em um comunicado.

Várias reportagens disseram que Santos da Conceição já tinha recebido ameaças de morte no passado e uma matéria citou a polícia local dizendo que ele tinha recebido uma ligação ameaçadora no dia do seu desaparecimento. A reportagem não trazia mais detalhes.

Um aumento acentuado da violência tem sido documentado no Brasil pelo CPJ nos últimos anos. Antes do assassinato na semana passada, pelo menos 14 jornalistas haviam sido mortos em retaliação por seu trabalho desde 2011, mostra a pesquisa do CPJ. O histórico de impunidade contribui para a violência e intimidação. O país ocupa a décima primeira posição no Índice de Impunidade 2014 do CPJ, que destaca países onde jornalistas são mortos e seus assassinos ficam impunes.  

Em maio de 2014, o CPJ se encontrou com a presidente Dilma Rousseff na capital, Brasília, para apresentar os resultados de seu relatório especial “Segundo tempo para a imprensa brasileira: A justiça prevalecerá sobre a censura e a violência?” Rousset prometeu que sua administração implantaria um mecanismo para prevenir ataques fatais, proteger jornalistas, e apoiar os esforços legislativos para federalizar os crimes contra a liberdade de expressão.

"Um ano atrás, a presidente Dilma Rousseff disse ao CPJ que seu governo estava comprometido com a luta contra a impunidade em assassinatos de jornalistas", disse Rafsky. "No entanto, desde então, temos visto mais jornalistas assassinados no Brasil e não há justiça. É tempo de a presidente cumprir essa promessa”.

Segundo a imprensa, Santos da Conceição, que também era músico, tocava samba em um quiosque, um bar ao ar livre comum em pequenas comunidades brasileiras, na cidade vizinha de Governador Mangabeira na sexta-feira à noite quando homens armados e encapuzados apareceram no estabelecimento. Os homens dispararam tiros no ar, arrastado Santos da Conceição para o porta-malas de seu carro branco, e fugiram, de acordo com uma reportagem.

A polícia encontrou seu corpo na manhã seguinte em Timbó, uma comunidade rural nos arredores de Conceição da Feira. Eles encontraram 25 cartuchos de balas de armas calibre 0.40, 0.38 e 0.45 ao lado do seu corpo, um policial disse ao CPJ durante entrevista por telefone.

"Ele foi torturado, seu olho direito tinha sido arrancado e sua língua tinha sido cortada fora", acrescentou o oficial, que disse que conhecia detalhes do caso, mas se recusou a dar seu nome porque ele não estava diretamente envolvido na investigação. "De acordo com os especialistas, a crueldade de sua morte significa que foi um crime realizado a mando de alguém", disse o oficial.

Muitas reportagens acrescentaram que Santos da Conceição foi atingido por tiros na perna, peito, abdômen e na face, e que seu corpo mostrava sinais de tortura,

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