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Apresentador de Rádio morto a tiros na Colômbia

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Bogotá, 16 de setembro de 2013 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) insta as autoridades colombianas a realizarem uma investigação completa do assassinato do apresentador de um programa de rádio na quarta-feira. Édison Alberto Molina, advogado e político que apresentava um programa no qual denunciava corrupção governamental, foi morto a tiros na cidade de Puerto Berrío, segundo as informações da imprensa.

"As autoridades devem realizar uma investigação profunda sobre a morte de Édison Alberto Molina, estabelecer o motivo e processar os responsáveis", afirmou o coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Esclarecer e resolver o caso seria um importante passo para combater o lamentável histórico de impunidade da Colômbia em casos de assassinato de jornalistas".

Indivíduos armados não identificados dispararam quatro vezes contra o rosto de Molina quando ele se dirigia para a casa com sua esposa em uma moto, segundo as informações da imprensa. Sua esposa ficou levemente ferida, mas Molina morreu em um hospital local, indicaram as reportagens.

Molina, de 40 anos, apresentava todas as quartas-feiras um programa noturno chamado "Consultorio Jurídico" na emissora comunitária Puerto Berrío Stereo. Orlando Gonzalez, diretor da emissora que também apresentava o programa, disse ao CPJ que Molina frequentemente utilizava a transmissão para acusar o governo local de corrupção. Acrescentou que Molina havia recebido várias ameaças nos últimos meses, incluindo um saco plástico cheio de terra negra e ossos não identificados que chegaram uma semana antes do homicídio.

Molina também foi ex-secretário de transportes e esportes do governo da cidade e um conhecido advogado. Havia apresentado um total de 36 demandas contra o governo local alegando corrupção,  superfaturamento e má gestão de obras públicas, acrescentou González.

Benjamin Pelayo, repórter em Puerto Berrío da emissora Teleantioquia TV de Medelín, disse ao CPJ que Robinson Baena, o prefeito local, utilizou seu próprio programa em um canal de televisão comunitário para defender sua administração das acusações de Molina e negou as denúncias de corrupção. Baena não respondeu aos telefonemas do CPJ para que comentasse o assunto.

Juan Carlos Fuentes, chefe de polícia no distrito que inclui Puerto Berrío, afirmou ao CPJ que havia oferecido uma recompensa de 20 milhões de pesos (cerca de US$ 10.500) por informações que levem à captura dos assassinos de Molina.

A Colômbia está vendo este ano um ressurgimento da violência e da intimidação contra jornalistas. Em 5 de maio, oito repórteres do interior que informavam sobre restituição de terras por parte do governo foram ameaçados por um grupo que lhes deu 24 horas para abandonarem a cidade de Valledupar, no norte. Ricardo Calderón, que chefia uma equipe de investigação da revista Semana, escapou por pouco de uma tentativa de assassinato em 1º de maio, segundo as informações da imprensa. A presença de grupos criminosos conhecidos como bandas criminales ou bacrim converteu a Antioquia em uma das regiões mais perigosas para os jornalistas na Colômbia, segundo a pesquisa do CPJ.

  • Para mais informações e análises sobre o país, visite a página do CPJ sobre a Colômbia.
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