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Jornalista mexicano morto em Tamaulipas

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Fotojornalista registra as imagens do repórter Cândido Rios, morto em Veracruz, durante manifestação contra seu assassinato realizada no prédio do Ministério do Interior na Cidade do México, México, em 24 de agosto de 2017. No ano passado, pelo menos seis repórteres foram assassinados no país em retaliação pelo seu trabalho, de acordo com a pesquisa do CPJ. (Reuters / Henry Romero)

Cidade do México, 16 de janeiro de 2018 - As autoridades do estado do Tamaulipas, no norte do México, devem empreender uma investigação séria e rápida sobre o assassinato do jornalista Carlos Domínguez Rodríguez, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). No dia 13 de janeiro, agressores desconhecidos mataram Domínguez Rodríguez enquanto ele dirigia para a cidade de Nuevo Laredo, perto da fronteira do Texas, de acordo com as informações da imprensa.

Quando Domínguez Rodríguez, de 77 anos, parou em um semáforo por volta das 15h00, pelo menos dois homens não identificados se aproximaram de seu veículo, abriram a porta do motorista e o apunhalaram 21 vezes usando ao menos uma faca, de acordo com o procurador-geral do estado, Irving Barrios, que falou em 15 de janeiro com a emissora de rádio Radio Fórmula, da Cidade do México.

Barrios disse que pelo menos quatro membros da família de Domínguez Rodríguez estavam no carro no momento do ataque e ficaram ilesos, levando o procurador-geral a acreditar que o ataque foi direcionado a Domínguez Rodríguez. Não foi revelada a identidade dos membros da família por razões de segurança.

"As autoridades mexicanas devem investigar rapidamente o assassinato de Carlos Domínguez Rodríguez e levar todos os responsáveis ​​à justiça", disse Alexandra Ellerbeck, coordenadora do programa do CPJ para a América do Norte. "Até que o governo mexicano decida mudar o nível de impunidade no país, os criminosos continuarão a escapar da justiça por assassinarem jornalistas".

Em 14 de janeiro, Barrios disse ao CPJ durante conversa telefônica que as autoridades estaduais estão investigando o assassinato, mas que ainda não tinha pistas sobre a identidade dos assassinos ou o possível motivo. Ele disse que seu gabinete está seguindo várias linhas de investigação, incluindo o trabalho da vítima como jornalista.

As autoridades estaduais desconheciam ameaças contra a vida do jornalista, de acordo com Barrios e outra pessoa familiarizada com o assunto, que o CPJ prefere não nomear por razões de segurança.

Domínguez Rodríguez trabalhou como colunista para publicações como os sites de notícias Noreste Digital e Horizonte de Matamoros, e emitiu críticas pontuais aos políticos locais. O jornalista também cobriu a política local e nacional como freelance e anteriormente foi repórter do jornal El Diario de Nuevo Laredo.

O procurador do estado disse que as autoridades locais forneceram à família Domínguez Rodríguez "proteção permanente" logo após o assassinato do jornalista, mas recusou-se a dar mais detalhes, citando preocupações de segurança.

Ricardo Sánchez Pérez del Pozo, procurador especial federal para a Atenção aos Crimes Contra a Liberdade de Expressão (FEADLE, sigla em espanhol), disse ao CPJ em 14 de janeiro que funcionários do Ministério Público especial estavam em Tamaulipas para ajudar na investigação.

O México é o país mais perigoso do Hemisfério Ocidental para jornalistas. No ano passado, pelo menos seis repórteres foram assassinados em retaliação por seu trabalho, de acordo com a pesquisa do CPJ, que está investigando outros três homicídios cometidos em 2017 para verificar o motivo.

Tamaulipas, em geral, e Nuevo Laredo, em particular, estão entre os estados e cidades mais violentos do México. De acordo com informações da imprensa, mais de mil pessoas morreram no estado em 2017. Nuevo Laredo é uma cidade particularmente violenta devido à proximidade com a fronteira EUA-México, servindo como um lucrativo corredor de tráfico de drogas para o crime organizado, segundo reportagens veiculadas. Os grupos criminosos muitas vezes ameaçam e atacam repórteres em Tamaulipas e impõem severas restrições sobre o que os jornalistas podem reportar, de acordo com a edição de Ataques à Imprensa 2017 do CPJ.

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