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Segundo tempo para a imprensa brasileira

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Apêndice: Jornalistas mortos no Brasil desde janeiro de 2011

A pesquisa do CPJ determinou que pelo menos 12 jornalistas foram mortos em represália direta por seu trabalho desde que Dilma Rousseff foi empossada como presidente em 1º de janeiro de 2011. Outros cinco foram mortos em circunstâncias obscuras, e o CPJ continua a investigar esses casos.

A polícia, soldados e jornalistas tomam posição durante operação em uma favela na capital em novembro de 2010. (Reuters/Sergio Moraes)

A seguir estão os detalhes dos casos confirmados, nos quais o CPJ tem razoável certeza que um jornalista foi morto em retaliação por seu trabalho; morto em fogo cruzado durante situações de combate; ou morto durante a realização de uma tarefa perigosa, como a cobertura de protestos de rua.

 

Luciano Leitão Pedrosa
TV Vitória e Rádio Metropolitana FM
9 de abril de 2011, em Vitória de Santo Antão, Brasil

O jornalista de rádio e televisão Pedrosa foi baleado em um restaurante em Vitória de Santo Antão, Pernambuco, no nordeste do país, de acordo com relatos da imprensa.

Segundo tempo para
a imprensa brasileira

ÍNDICE
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O agressor disparou vários tiros depois de entrar no restaurante por volta das 21 horas, informou o jornal Diário de Pernambuco. Pedrosa, atingido por uma bala na cabeça, foi declarado morto no local. O atirador não identificado fugiu em uma motocicleta conduzida por outro indivíduo que estava esperando do lado de fora, segundo os relatos da imprensa.

Pedrosa, que tinha 46 anos de idade, era apresentador de um programa na TV Vitória, "Ação e Cidadania", há sete anos, e também trabalhava para a emissora de rádio Metropolitana FM. Segundo a imprensa, Pedrosa era conhecido por sua atuação crítica no que tange a criminosos e autoridades municipais.

A polícia inicialmente disse aos repórteres que o atirador havia anunciado que era um assalto. Mas, em fevereiro de 2012, comunicou a prisão de três suspeitos e concluiu que o assassinato estava relacionado à atividade jornalística de Pedrosa, segundo informações da imprensa. Os investigadores disseram que os irmãos Josemir e Josemar Soares da Silva haviam planejado o assassinato em represália por reportagens de Pedrosa sobre seu alegado tráfico de drogas. A polícia identificou Dailton Gomes Brasil como o suposto atirador. Uma quarta pessoa que teria participado da conspiração foi assassinada posteriormente em 2011.

A polícia disse que os irmãos tinham ameaçado Pedrosa, inclusive uma vez, ao vivo, no programa de televisão do jornalista.

MÍDIA: Rádio, Televisão
TRABALHO: Colunista / Comentarista
COBERTURA JORNALÍSTICA: Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Grupo criminoso
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Edinaldo Filgueira
Jornal o Serrano
15 de junho de 2011, em Serra do Mel, Brasil

Edinaldo Filgueira estava saindo do escritório à noite, quando foi baleado seis vezes e morto por três homens não identificados em uma motocicleta, de acordo com a imprensa brasileira. Ele morreu no local.

Filgueira, 36 anos, foi fundador e diretor do diário local Jornal o Serrano. Ele também foi diretor regional do Partido dos Trabalhadores (PT) e era autor de um blog no qual criticava adversários políticos. De acordo com reportagens da imprensa local, Filgueira havia publicado recentemente uma pesquisa crítica sobre o desempenho do governo local em seu blog, depois do que ele recebeu ameaças de morte.

Em 2 de julho, uma força conjunta de policiais federais e locais prendeu vários suspeitos que pertenceriam a uma quadrilha de assassinos contratados. Eles também apreenderam armas e grande quantidade de munição. O superintendente da polícia federal Marcelo Mosele confirmou para o CPJ na ocasião que haviam descartado outras possibilidades e estavam se concentrando exclusivamente no trabalho jornalístico de Filgueira como o motivo para o crime.

Em 5 de dezembro de 2013, sete homens foram condenados por planejar e participar do crime, incluindo o atirador, e receberam penas de 19 a 23 anos de prisão, de acordo com reportagens da imprensa. Um dos homens, considerado fugitivo, foi condenado à revelia. Josivan Bibiano, prefeito de Serro do Mel na ocasião da morte de Filgueira, foi acusado de ser o mandante do crime, mas, depois de ter sido preso duas vezes, foi libertado, de acordo com reportagens da imprensa. Não há nenhuma novidade no caso desde então. Um blog criado em memória de Filgueira informou que Bibiano é primo de três dos homens condenados.

O promotor do caso disse que Filgueira foi morto porque estava denunciando a corrupção no governo municipal.

No dia seguinte à condenação, Marcos José de Oliveira Ferreira, um primo de Filgueira que tinha viajado de São Paulo para Serro do Mel para participar da audiência de sentenciamento, foi assassinado por homens armados não identificados. Nenhum motivo foi estabelecido, mas as autoridades não descartam um possível vínculo com o caso do blogueiro, segundo informações da imprensa.

MÍDIA: Impressa
TRABALHO: Editor, Redator / Proprietário
COBERTURA JORNALÍSTICA: Política
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Desconhecida
IMPUNIDADE: Parcial
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Gelson Domingos da Silva
TV Bandeirantes
6 de novembro de 2011, no Rio de Janeiro, Brasil

AP

Domingos, 46 anos, foi morto a tiros durante um confronto entre a polícia estadual e supostos traficantes de drogas no Rio de Janeiro, de acordo com informações da imprensa. Domingos era um cinegrafista veterano e trabalhava para a rede nacional de televisão Bandeirantes. 

Domingos estava acompanhado a polícia em uma operação no início da manhã na favela conhecida como Antares, informou a imprensa. Imagens da câmera de Domingos mostraram que ele foi baleado em meio a uma intensa troca de tiros entre a polícia e os suspeitos. As autoridades disseram que o cinegrafista foi atingido por um tiro no peito disparado de um fuzil de assalto de alta potência. Domingos vestia um colete à prova de balas, mas este não foi resistente o suficiente para suportar o tiro, segundo reportagens da imprensa.

Quatro suspeitos foram mortos e nove foram presos na operação, que também rendeu armas, drogas e dinheiro, informou a imprensa. Nenhuma fatalidade foi relatada do lado dos policiais. As autoridades disseram que estavam tentando identificar o indivíduo que atirou em Domingos.

MÍDIA: Televisão
TRABALHO: Cinegrafista
COBERTURA JORNALÍSTICA: Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Reportagem arriscada
SUSPEITOS DO CRIME: Desconhecido
IMPUNIDADE: Sim

Mario Randolfo Marques Lopes
Vassouras na Net
9 de fevereiro de 2012, em Barra do Piraí, Brasil

Os corpos de Randolfo e sua companheira, Maria Aparecida Guimarães, foram encontrados na cidade de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. Ambos haviam sido sequestrados na casa de Randolfo na noite anterior e mortos a tiros no início da manhã, informou a imprensa.

Randolfo, 50 anos, editor-chefe do site de notícias Vassouras na Net, vinha, com frequência, acusando as autoridades locais de corrupção e havia informado sobre uma suposta rede de assassinos chefiada por um ex-delegado de polícia, segundo informações da imprensa e do site do jornalista. Seu artigo mais recente acusou juízes e tribunais locais de serem corruptos e muito poderosos, segundo mostrou a pesquisa do CPJ.

O jornalista também foi atacado em 2011, segundo informações da imprensa. Em julho de 2011, um atirador não identificado entrou na redação do Vassouras na Net, na cidade de Vassouras, e deu-lhe cinco tiros  na cabeça, deixando-o em coma por três dias, Randolfo informou em seu site. Ele sobreviveu e, para sua segurança, decidiu se mudar para Barra do Piraí, mas não parou de trabalhar em seu site.

Em uma entrevista postada em seu site, Randolfo disse acreditar que o ataque de 2011 foi em retaliação por suas reportagens sobre irregularidades na investigação de um assassinato local. Ninguém foi denunciado ou preso pelo ataque, informou a imprensa.

Reportagens informaram que as autoridades estavam investigando uma possível motivação política no assassinato de 2012. O delegado de polícia José Mário Salomão de Omena disse aos repórteres: "Ele criou um volume tão grande de inimigos que é até difícil saber por onde começar."

MÍDIA: Internet
TRABALHO: Repórter de Internet
COBERTURA JORNALÍSTICA: Corrupção, Crimes, Política
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Autoridades governamentais
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Sim
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Décio Sá
O Estado do Maranhão and Blog do Décio
23 de abril de 2012, em São Luís, Brasil

Sá, 42 anos, jornalista político e blogueiro brasileiro, foi baleado seis vezes enquanto estava sentado em um bar, segundo informações da imprensa. O agressor fugiu do local com um motociclista que estava esperando do lado de fora, afirmaram as reportagens.

Sá escrevia sobre política para o jornal O Estado do Maranhão há cerca de 17 anos, de acordo com reportagens da imprensa. Ele também era conhecido por sua cobertura de políticos e corrupção em seu blog, Blog do Décio, que era um dos mais lidos no estado, informou a imprensa. Cezar Scanssette, um jornalista de O Estado do Maranhão, disse ao CPJ que Sá tinha muitos inimigos por causa de suas reportagens críticas.

Investigadores disseram aos jornalistas que a morte foi resultado de um assassinato por encomenda cometido por profissionais que provavelmente haviam monitorado a rotina diária de Sá, informou a imprensa. A polícia considera as reportagens do blog de Sá como o motivo provável para o assassinato, afirmaram as reportagens. José Sarney, presidente do Senado brasileiro, cuja família é proprietária do jornal O Estado do Maranhão, denominou o crime de "um atentado à democracia", segundo as reportagens.

Nos meses seguintes ao ataque, as autoridades prenderam pelo menos nove suspeitos que seriam cúmplices e mandantes do crime e estavam ligados a um grupo de agiotas que Sá tinha associado, em seu blog, a um assassinato local, segundo a imprensa. Os suspeitos incluíram o empresário local Gláucio Alencar, acusado de ser o líder do grupo e de ordenar o assassinato de Sá, e um vice-delegado de polícia, que negaram as acusações, de acordo com reportagens da imprensa.

O suspeito Jhonatan de Sousa Silva disse à polícia que foi o atirador e que tinha sido contratado pelos outros acusados. Sousa disse que os réus se irritaram com a reportagem de Sá sobre sua alegada atividade de agiotagem, extorsão e práticas de peculato, segundo informações da imprensa. Em fevereiro de 2014, Sousa foi condenado a 25 anos e três meses de prisão, de acordo com reportagens da imprensa. Marcos Bruno Oliveira, que alegou ser inocente, foi condenado a 18 anos e três meses sob a acusação de ter transportado Sousa durante o crime. Alencar e o policial, assim como os outros suspeitos, atualmente aguardam julgamento, de acordo com reportagens da imprensa .

Sá deixou a esposa, que estava grávida, e uma filha de 8 anos de idade.


MÍDIA: Imprensa escrita, Internet
TRABALHO: Repórter da Internet e Imprensa Escrita
COBERTURA JORNALÍSTICA: Corrupção, Política
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Grupo criminoso
IMPUNIDADE: Parcial
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Valério Luiz de Oliveira
Rádio Jornal
5 de julho de 2012, em Goiânia, Brasil

Um atirador não identificado, em uma motocicleta, disparou pelo menos quatro vezes contra Luiz, de 49 anos, na saída das instalações da Rádio Jornal, onde ele apresentava um programa de esportes, informou a imprensa.

Luiz era conhecido por seus comentários críticos, particularmente em relação à gestão do time de futebol local, o Atlético Goianiense, de acordo com reportagens da imprensa. Antes de sua morte, ele havia sido proibido de entrar na sede da equipe, informou a imprensa.

Manoel de Oliveira, um conhecido comentarista esportivo e pai do jornalista, disse acreditar que a morte de seu filho está relacionada a suas reportagens e que ele tinha "perdido seu filho por causa de futebol", segundo reportagem da TV Globo. Lorena Nascimento de Oliveira, esposa de Luiz, afirmou que ele tinha dito a ela que estava preocupado com os problemas que teve com pessoas envolvidas com o esporte, assevera a reportagem da Globo. Ela não deu mais detalhes.

A diretoria do Atlético Goianiense divulgou um comunicado condenando o assassinato e pedindo uma investigação completa. "Luiz era conhecido por seus comentários, que por vezes irritou alguns setores do clube, mas, por outro lado, suas opiniões fortes contribuíram também para a tomada de decisões do clube e ajudou o Atlético a crescer", disse o comunicado.

Adriana Ribeiro de Barros, chefe da unidade de homicídios do estado, mencionou as opiniões controversas do jornalista e disse que estaria investigando o caso.

MÍDIA: Rádio
TRABALHO: Colunista / Comentarista
COBERTURA JORNALÍSTICA: Esportes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Desconhecido
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Eduardo Carvalho
Última Hora News
21 de novembro de 2012, em Campo Grande, Brasil

Um agressor, que estava numa motocicleta, disparou contra Carvalho, editor e proprietário do site de notícias Última Hora News, em sua casa em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, segundo informações da imprensa. Carvalho frequentemente fazia cobertura sobre corrupção local, segundo reportagens.

O jornalista e sua esposa estavam chegando em casa à noite, quando o atirador, que estava na garupa de uma motocicleta, atirou pelo menos três vezes. A esposa de Carvalho pegou uma arma que o jornalista carregava, mas a arma estava travada e ela não conseguiu reagir ao ataque, de acordo com reportagens da imprensa. O atirador e a outra pessoa que dirigia a motocicleta fugiram do local.

Carvalho, um ex-policial militar, frequentemente escrevia reportagens críticas sobre a polícia e os políticos, de acordo com o Última Hora News. O site informou que o jornalista estava autorizado a portar arma, porque tinha sido ameaçado e tinha sobrevivido a uma tentativa de assassinato antes. Os policiais disseram aos jornalistas que Carvalho havia sido objeto de muitas ações judiciais relacionadas com suas reportagens.

Sua matéria mais recente, publicada no dia do seu assassinato, acusava um policial militar não identificado de intimidar os cidadãos locais. O delegado Divino Furtado Mendonça, chefe da polícia municipal, disse a jornalistas que os investigadores estavam focando o trabalho jornalístico de Carvalho como o motivo provável, de acordo com reportagens da imprensa.

MÍDIA: Internet
TRABALHO: Editor / Proprietário
COBERTURA JORNALÍSTICA: Corrupção, Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Autoridades governamentais
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Mafaldo Bezerra Goes
FM Rio Jaguaribe
22 de fevereiro de 2013, em Jaguaribe, Brasil

Dois homens armados em uma motocicleta atiraram em Goes enquanto ele caminhava de sua casa até a estação de rádio onde trabalhava, segundo informações da imprensa. Goes, que apresentava um programa de rádio na FM Rio Jaguaribe, na cidade de Jaguaribe, no Ceará, foi baleado pelo menos cinco vezes na cabeça e no abdômen, segundo as reportagens.

Goes muitas vezes denunciou grupos criminosos locais e traficantes de drogas em seu programa, de acordo com reportagens da imprensa. Os familiares disseram à imprensa local que Goes tinha recebido ameaças de morte, de acordo com reportagens da imprensa. A polícia disse que o repórter não tinha apresentado uma queixa formal.

Autoridades disseram acreditar que o assassinato pode estar relacionado com as reportagens de Goes sobre crimes. "Ele morreu por causa da profissão. Ele despertou a raiva de muita gente ", disse a delegada Vera Lúcia Passos Granja em reportagens locais.

A polícia disse no domingo que tinha identificado os atiradores e que suspeitava que o assassinato tinha sido ordenado por um traficante de drogas preso em Fortaleza, mas que atuava em Jaguaribe, de acordo com o jornal Diário do Nordeste. As autoridades disseram que estavam procurando os suspeitos, segundo as reportagens locais. Uma semana após o crime, os policiais disseram que estavam tentando decretar a prisão preventiva dos dois suspeitos, mas não forneceram mais detalhes.

MÍDIA: Radio
TRABALHO: Repórter de rádio
COBERTURA JORNALÍSTICA: Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Grupo criminoso
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Rodrigo Neto
Rádio Vanguarda and Vale do Aço
8 de março de 2013, em Ipatinga, Brasil

Dois homens não identificados em uma motocicleta dispararam contra Neto quando estava entrando em seu carro depois de participar de um churrasco em Ipatinga, Minas Gerais, no sudeste do país, segundo informações da imprensa. O jornalista morreu em um hospital local.

Neto era apresentador do programa "Plantão Policial" na Rádio Vanguarda de Ipatinga e tinha começado a trabalhar na semana anterior como repórter no jornal Vale do Aço. Ele também foi assessor de imprensa do prefeito local, de acordo com Fernando Benedito Jr., um jornalista em Ipatinga e amigo de Neto.

Benedito disse ao CPJ que Neto, que uma vez quis ser policial, havia feito reportagens contundentes sobre a corrupção policial ao longo de sua carreira. Ele disse que Neto recebia ameaças de morte com frequência, especialmente em virtude de sua cobertura de casos em que policiais eram suspeitos de estarem envolvidos em assassinatos locais. Durval Ângelo, deputado estadual e presidente da comissão de direitos humanos da assembleia estadual, disse que Neto estava trabalhando em um livro sobre um desses casos no momento da sua morte, cujo título seria "Crime Perfeito", conforme relato divulgado pelo Vale do Aço.

Segundo reportagens de jornais locais, as autoridades disseram que estão considerando seu trabalho jornalístico como o possível motivo do crime. Nos dias após o assassinato, policiais disseram que Neto tinha relatado às autoridades, por duas vezes, ter sido ameaçado, mais recentemente, em fevereiro de 2012, segundo informações da imprensa.

Jornalistas em Ipatinga disseram ao CPJ que a imprensa local tinha formado o "Comitê Rodrigo Neto" para investigar o assassinato e fazer pressão sobre as autoridades para resolver o caso.

MÍDIA: Imprensa Escrita, Rádio
TRABALHO: Repórter de Rádio e Imprensa Escrita
COBERTURA JORNALÍSTICA: Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Autoridades governamentais
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

Walgney Assis Carvalho
Freelance
14 de abril de 2013, em Coronel Fabriciano, Brasil

Um agressor não identificado atirou pelo menos duas vezes nas costas de Carvalho, de 43 anos, quando estava sentado em um popular local de pesca e restaurante, antes de fugir em uma motocicleta, de acordo com reportagens da imprensa. Carvalho era fotógrafo freelance e no momento trabalhava para o diário Vale do Aço, em Minas Gerais, no sudeste do país.

Durval Ângelo, deputado estadual e presidente da comissão de direitos humanos da Assembleia do Estado, postou no Twitter que as autoridades deviam investigar uma possível ligação entre o assassinato de Carvalho e o do jornalista do Vale do Aço Rodrigo Neto, em 8 de março, de acordo com reportagens da imprensa. O deputado disse que Carvalho aparentemente tinha dito a algumas pessoas que sabia quem tinha assassinado Neto, mas não ofereceu mais detalhes.

Neto realizou diversas reportagens sobre a corrupção policial ao longo de sua carreira e frequentemente recebia ameaças, especialmente em virtude de sua cobertura de casos em que policiais eram suspeitos de estarem envolvidos em assassinatos locais. O diário Vale do Aço informou que Carvalho também fez um trabalho fotográfico para a polícia local.

Fernando Benedito Jr., jornalista local e amigo de Neto, informou ao CPJ em um e-mail: "Como Rodrigo, ele [Carvalho] sabia demais.

Nas semanas seguintes ao assassinato, o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Cylton Brandão, anunciou uma reestruturação da liderança da Polícia Civil e reconheceu a possibilidade de envolvimento da polícia, embora ainda não pudesse confirmar a ligação entre os assassinatos dos dois jornalistas.

No final de abril, as autoridades anunciaram que vários policiais, relacionados a um dos casos que Neto estava investigando, haviam sido colocados em prisão preventiva. Jornalistas locais interpretaram a notícia como um sinal de esperança de que as autoridades estavam começando a prender os policiais responsáveis, mas não ficou claro se e como exatamente os suspeitos tinham ligações com os assassinatos de Neto e Carvalho.

MÍDIA: Imprensa Escrita
TRABALHO: Fotógrafo
COBERTURA JORNALÍSTICA: Crimes
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Sim
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Autoridades governamentais
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Não

Santiago Ilídio Andrade
Bandeirantes
10 de fevereiro de 2014, no Rio de Janeiro, Brasil

Andrade, cinegrafista da rede de televisão Bandeirantes, estava filmando um confronto no Rio de Janeiro entre policiais e manifestantes que protestavam contra o aumento da tarifa de transporte público quando um artefato o atingiu na cabeça, segundo informações da imprensa. Ele fez uma cirurgia em um hospital local e ficou em coma por quatro dias antes de ser declarada sua morte cerebral.

Havia dúvidas, nas reportagens iniciais, a respeito de quem teria sido o responsável pelo ataque, mas as autoridades divulgaram um vídeo que aparentemente mostra manifestantes lançando o artefato. As autoridades também alegaram que os manifestantes tinham a intenção de atingir os policiais, e não o jornalista, segundo a imprensa.

Em 8 de fevereiro de 2014, Fábio Raposo disse às autoridades que tinha dado o artefato explosivo para outro manifestante, mas não o tinha acendido, de acordo com reportagens da imprensa. Dois dias depois, as autoridades disseram ter identificado o manifestante que se acreditava ser o responsável por disparar o artefato. Em 12 de fevereiro, o suspeito, Caio Silva de Souza, foi preso sob custódia. Souza disse que não tinha percebido na ocasião que o foguete luminoso era um artefato explosivo, de acordo com reportagens da imprensa. Raposo e Souza foram colocados em prisão preventiva e acusados de homicídio.

MÍDIA: Televisão
TRABALHO: Cinegrafista
COBERTURA JORNALÍSTICA: Política
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Reportagem arriscada
SUSPEITOS DO CRIME: Residentes Locais

Pedro Palma
Panorama Regional
13 de fevereiro de 2014, em Miguel Pereira, Brasil

Palma foi morto a tiros por dois homens não identificados que estavam em uma motocicleta do lado de fora de sua casa em Miguel Pereira, um subúrbio ao sul do Rio de Janeiro, e morreu no local, segundo informações da imprensa. Palma era dono do jornal local semanal Panorama Regional, que circulava em vários municípios próximos.

Notícias divulgadas na imprensa sobre o episódio afirmam que o jornal frequentemente denunciava casos de corrupção no governo local. Um amigo do editor disse ao jornal O Globo que Palma havia recebido ameaças, mas não as tinha levado a sério. A esposa do jornalista também disse ter conhecimento das ameaças, mas que não sabia quem as tinha feito, segundo informações da imprensa.

Em uma edição do Panorama Regional publicada após a morte de Palma, sua colega e amiga Belisa Ribeiro escreveu que ele lhe tinha dito que recebeu ameaças, sem dizer, no entanto, se tinha relação com alguma reportagem. No artigo e em sua página no Facebook, Ribeiro disse que não parecia que Palma estava investigando um grande escândalo político, mas que ele regularmente denunciava problemas típicos de uma cidade pequena, como a infraestrutura deficiente e as políticas locais negligentes. Se isso foi o suficiente para o matarem, ela escreveu: "[então] Estou com medo."

O comandante da Polícia Militar, Coronel César Augusto de Souza, disse a jornalistas locais que as autoridades estavam analisando uma possível ligação do crime com reportagens do jornal, mas que todos os motivos plausíveis estavam sendo investigados.

MÍDIA: Imprensa Escrita
TRABALHO: Editor / Proprietário
COBERTURA JORNALÍSTICA: Corrupção, Política
SEXO: Masculino
LOCAL OU INTERNACIONAL: Local
FREELANCE: Não
FORMA DA MORTE: Assassinato
SUSPEITOS DO CRIME: Autoridades governamentais
IMPUNIDADE: Sim
SEQUESTRADO: Não
TORTURADO: Não
AMEAÇADO: Sim

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