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O CPJ condena assassinato de jornalista


Prezada Dra. Calderón:

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o assassinato do jornalista peruano Antonio de la Torre Echeandía, que foi morto ao sair de uma festa em 14 de fevereiro de 2004, na cidade de Yungay, no departamento nortista de Ancash. Devido às últimas novidades sobre o caso, nos preocupa que as autoridades de Yungay possam ter estado implicadas no assassinato.

De la Torre, de 43 anos e apresentador do informativo "El equipe de la noticia", na Rádio Órbita, foi apunhalado por dois homens não identificados quando regressava para casa. Segundo versões dos meios de comunicação que citam sua esposa e filho, antes de morrer no trajeto do hospital de la Torre identificou um dos seus assassinos como "El Negro", apelido de Hipólito Casiano Vega Jara, que trabalhava como chofer para o município de Yungay. A polícia prendeu Vega. Antonio Torres, que conhecia de la Torre e supostamente o conduziu ao lugar dos fatos, também foi detido.

De la Torre era um duro crítico de seu antigo amigo e prefeito de Yungay Amaro León, a quem acusava de irregularidades, nepotismo e corrupção. Em 2002, de la Torre havia sido chefe da campanha eleitoral de León, informou o diário de Lima La República. Quando León ganhou as eleições, nomeou de la Torre titular do Escritório de Imagem Institucional do município. No entanto, os dois se distanciaram três meses depois de iniciada a gestão de León, quando de la Torre renunciou após detectar supostos atos de corrupção, segundo La República.

Julio César Giraldo Ángeles, proprietário da Rádio Órbita, disse que de la Torre havia recebido ameaças e havia sido alvo de ataques em várias ocasiões. Em outubro de 2003, indivíduos não identificados lançaram um artefato explosivo de fabricação caseira contra a residência do jornalista durante a madrugada, acrescentou Giraldo. De la Torre também havia recebido várias mensagens anônimas antes de morrer, segundo Giraldo.

A família de de la Torre responsabilizou o prefeito León pelo assassinato, mas León rechaçou qualquer implicação no crime.

Em 17 de março, a pedido da Procuradoria Provincial Mista de Yungay, um juiz de Ancash ordenou a detenção de León e sua filha por conspirar para assassinar de la Torre numa tentativa de calar o jornalista. Segundo a procuradora Luz Marina Romero Chinchay, outros dois empregados do município foram acusados do crime na qualidade de cúmplices. Os quatro estão encarcerados na prisão de Huaraz, a capital departamental. Outro indivíduo acusado de participar no crime continua foragido da justiça.

O CPJ saúda a rápida investigação que a Procuradoria realizou em relação ao assassinato de de la Torre. A exortamos para que continue com este empenho, promovendo uma ação penal exemplar para não deixar dúvidas de que os assassinatos de jornalistas no Peru não ficarão impunes.

Agradecemos sua atenção para este importante assunto.

Sinceramente,


Ann Cooper
Diretora-executiva

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