O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi deportado da Argentina no dia 12 de outubro de 2026 após ter sido informado de que seu visto havia perdido a validade. (Print de tela: UOL News/YouTube)

CPJ condena deportação do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. da Argentina

São Paulo, 14 de outubro de 2026 — O Comitê para a Proteção de Jornalistas condenou a deportação do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. pelas autoridades argentinas no aeroporto internacional Jorge Newbery, em Buenos Aires, no dia 12 de outubro, sob a alegação de que seu visto de residência estava vencido.

“É um ultraje o governo argentino recorrer à deportação para silenciar vozes críticas, como no caso do jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr.”, afirmou Cristina Zahar, coordenadora do programa do CPJ para a América Latina. “O CPJ insta as autoridades locais a reverter sua decisão e reafirmar seu compromisso com os padrões democráticos, incluindo o direito da sociedade a um ambiente midiático livre e independente.”

Tomaz Jr., jornalista freelancer que também atua como assessor parlamentar do deputado Alencar Santana (PT-SP), disse ao CPJ em uma entrevista por telefone que, antes da deportação, havia sido alvo de uma campanha de difamação após publicar um vídeo em apoio aos estudantes brasileiros que vivem na Argentina e que enfrentaram perseguição, ameaças de morte e violência por expressar seu apoio à seleção espanhola na final da Copa do Mundo, em 19 de julho.

Tendo morado na Argentina em 2020 e 2021 para cursar um mestrado na Universidade Nacional de Cuyo, em Mendoza, Tomaz Jr. recebeu um visto de residência argentino em fevereiro de 2022, quando decidiu voltar para o Brasil.

Tomaz Jr. disse ao CPJ que viajou para a Argentina várias vezes desde então, mas, quando tentou entrar no país, desta vez usando sua identidade argentina, as autoridades de imigração informaram que seu visto havia sido revogado em 5 de agosto por ele não ter morado lá por tempo suficiente.

“Também me disseram que estou proibido de entrar no país pelos próximos cinco anos”, disse ele, acrescentando que a decisão foi tomada com base em um decreto de julho do presidente argentino Javier Milei, que autoriza a deportação de estrangeiros que critiquem o país.

Tomaz Jr. alega que se tornou alvo do exército de trolls de Milei, incluindo Juan Pablo Carreira, diretor nacional de comunicações digitais do presidente, que usa o perfil Juan Doe no X. O jornalista também disse que vai recorrer à embaixada da Argentina no Brasil para tentar reverter a proibição de cinco anos.

O CPJ enviou mensagens de texto a Carreira e ao assessor de imprensa do Ministério da Segurança Nacional da Argentina, mas eles não responderam imediatamente.

Em janeiro, o CPJ publicou uma reportagem sobre como o governo de Milei prejudicou o relacionamento do governo com a imprensa ao recorrer ao assédio online e jurídico para tentar silenciar jornalistas.