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Polícia agride e detém jornalistas que cobrem protestos em São Paulo

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Policiais em São Paulo, Brasil, em 7 de janeiro de 2020. Em meio a protestos recentes, a polícia deteve e atacou jornalistas. (Reuters/Amanda Perobelli)

Rio de Janeiro, 10 de janeiro de 2020 - As autoridades brasileiras devem investigar sem demora as supostas perseguições e ataques policiais contra jornalistas que cobrem protestos em São Paulo e garantir que os repórteres possam realizar seu trabalho com segurança nas manifestações, afirmou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Em 7 de janeiro, policiais militares detiveram Rodrigo Zaim, fotojornalista freelancer e membro fundador do grupo de mídia independente RUA, por cerca de cinco horas quando ele estava cobrindo protestos contra o aumento nas tarifas de ônibus em São Paulo, disse Zaim ao CPJ por telefone.

Também naquele dia, policiais atingiram Daniel Arroyo, repórter que trabalha no meio noticioso online Ponte, e cerca de outros 10 jornalistas com cassetetes durante a repressão a manifestantes em uma estação de metrô, contou Arroyo ao CPJ durante entrevista por telefone. Ele ficou com contusões, mas não foi hospitalizado por seus ferimentos, disse Arroyo.

Em 9 de janeiro, enquanto os protestos continuavam, policiais atingiram Daniel Teixeira, fotógrafo do jornal O Estado de S. Paulo, nas costelas com um cassetete, e atingiram um fotógrafo não identificado nas costas com uma granada de choque, de acordo com uma reportagem da Ponte. O CPJ não conseguiu encontrar as informações de contato de Teixeira nem determinar o status do fotógrafo não identificado.

“Todos os anos, jornalistas que trabalham em reportagens sobre protestos no Brasil enfrentam assédio, obstrução e violência nas mãos da polícia, e parece que 2020 não será diferente”, disse Natalie Southwick, coordenadora do programa das Américas Central e do Sul do CPJ, em Nova York. "As autoridades brasileiras devem garantir que os policiais compreendam o papel vital dos trabalhadores da imprensa que cobrem as manifestações e parem de tratá-los como participantes ou alvos ativos".

A polícia deteve Zaim enquanto prendia um grupo de cerca de 30 manifestantes, explicou o jornalista ao CPJ. Ele disse que não estava com sua credencial de imprensa, e a polícia não o deixou sair com outros repórteres que tinham seus cartões de identificação. Em vez disso, os policiais o colocaram em um ônibus e o levaram para uma delegacia junto com os manifestantes, disse Zaim.

No distrito, ele foi fotografado e depois explicou seu caso ao delegado, sendo libertado sem acusações, contou Zaim.

Arroyo disse ao CPJ que estava documentando os confrontos entre manifestantes e policiais militares em uma estação de metrô quando os policiais começaram a bater nas pessoas com seus cassetetes. Arroyo disse que ele e cerca de 10 outros jornalistas estavam usando credenciais que os identificavam claramente como membros da imprensa, mas os policiais os atingiram mesmo assim.

Ele disse que não acredita que os policiais tenham ativamente os jornalistas como alvo, mas não tentaram evitar atingi-los. Também disse ao CPJ que acha que nenhum dos jornalistas sofreu ferimentos graves.

Em 9 de janeiro, policiais pararam e revistaram Arthur Stabile, fotojornalista de Ponte, e Lucas Martins, fotógrafo do grupo de mídia independente Jornalistas Livres, segundo reportagem da Ponte.

Os repórteres estavam documentando a ação de policiais envolvidos em "parar e revistar" os manifestantes, de acordo com a matéria. Eles foram libertados após serem interrogados pela polícia, informa a reportagem.

O Secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo emitiu um comunicado dizendo que a polícia usou técnicas apropriadas de controle de multidões para garantir a segurança de manifestantes e outros cidadãos, segundo a Folha de S.Paulo. O Secretário de Segurança Pública e a Polícia Militar de São Paulo não responderam às ligações do CPJ solicitando comentários.

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