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Cabeça humana decepada e ameaça deixadas em frente ao escritório de jornal de Tamaulipas

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Uma caixa térmica contendo uma cabeça e uma nota ameaçadora são deixadas do lado de fora das dependências do jornal mexicano Expreso em 20 de dezembro. (Periodistas Desplazados México)

Cidade do México, 21 de dezembro de 2018 - As autoridades mexicanas devem tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos jornalistas em Ciudad Victoria, capital do estado de Tamaulipas, depois que uma cabeça humana decepada foi deixada em frete ao escritório de um jornal local, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Uma caixa térmica contendo a cabeça e as mãos de um homem não identificado foi deixada do lado de fora dos escritórios do Expreso ontem, junto com uma mensagem ameaçadora dirigida a jornalistas locais, de acordo com as informações da imprensa.

Um porta-voz do Expreso, que pediu para permanecer anônimo por razões de segurança, disse ao CPJ que o cooler e a mensagem foram deixados em um estacionamento em frente ao edifício por volta das 15h30. Ele acrescentou que desconhecia a identificação da vítima e que todos os seus funcionários haviam sido localizados.

De acordo com as fotos compartilhadas nas redes sociais, a mensagem ameaçadora não se dirigia a um repórter ou meio de comunicação em particular. "Para os jornais aliados ao governo de Cabeza de Vaca por contratos multimilionários, eles não vão te salvar e esta é uma prova. Continue de bico fechado para que possa ver. A carne não está com você. Entenda", dizia a mensagem, que não possuía pontuação e não foi assinada. Francisco Javier García Cabeza de Vaca é o atual governador de Tamaulipas.

"O ato depravado de deixar restos humanos como uma ameaça em frente à sede do Expreso demonstra o grau de violência e o clima de medo que os jornalistas em Tamaulipas enfrentam no curso de seu trabalho", apontou Jan-Albert Hootsen, representante do Comitê para a Proteção dos Jornalistas no México. "Instamos as autoridades federais e estaduais a investigarem e levarem todos os responsáveis pela ameaça à justiça, e a garantir a segurança das e dos jornalistas em Ciudad Victoria."

Irving Barrios Mojíca, procurador-geral do estado de Tamaulipas, disse ao CPJ em mensagem de texto no dia 20 de dezembro, que seu gabinete havia aberto uma investigação, mas que não podia fornecer mais detalhes. Um artigo publicado no site do Expreso no mesmo dia explicou que peritos forenses estavam trabalhando para estabelecer a identidade da vítima.

Um porta-voz do Mecanismo Federal de Proteção a Pessoas Defensoras dos Direitos Humanos e Jornalistas, subordinado à Secretaria Federal do Interior, contou ao CPJ que o órgão estava providenciando a incorporação do Expreso e de seus funcionários em suas medidas de proteção.

O porta-voz do Expreso disse ao CPJ que o jornal e sua equipe não haviam recebido ameaças recentemente e que o último ataque violento ocorreu em 2012, quando desconhecidos atacaram as instalações com explosivos. O jornal noticia regularmente a política local e a estadual, incluindo artigos recentes sobre o governador Cabeza de Vaca.

Tamaulipas é atormentada pela violência fatal causada por guerras territoriais entre grupos criminosos; as autoridades federais disseram que 559 pessoas foram mortas no estado nos primeiros sete meses de 2018, aproximadamente 40% a mais do que no mesmo período do ano passado. Ciudad Victoria é a cidade mais violenta, respondendo por mais da metade de todos os homicídios no estado, de acordo com as autoridades do Estado citadas em reportagens.

Jornalistas em Ciudad Victoria disseram ao CPJ nos últimos meses que recebem ameaças rotineiramente, muitas vezes de membros do crime organizado, e que a imprensa se autocensura para tenta diminuir o risco de ataques. Em 29 de maio, o corpo do repórter Héctor González Antonio, então funcionário da Imágen, mas antes repórter do Expreso, foi encontrado na cidade. Uma declaração das autoridades locais em 3 de setembro informou que um suspeito havia sido preso.

O México é o país mais letal do Hemisfério Ocidental para jornalistas. O CPJ determinou que pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em represália direta por seu trabalho neste ano, e está investigando os homicídios de outros seis para determinar o motivo.

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