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Repórter freelancer que cobre o assassinato de ativista ambiental é ameaçada em Honduras

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Amigos e ativistas se reúnem em frente à sala do tribunal para pedir justiça pelo assassinato da ativista ambiental Berta Cáceres, em Tegucigalpa, Honduras, em 17 de setembro de 2018. Uma jornalista britânica cobrindo o julgamento foi ameaçada no dia 17 de setembro (AP Photo / Fernando Antonio)

Nova York, 19 de setembro de 2018 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou hoje as autoridades hondurenhas a investigar as ameaças contra a jornalista freelancer Nina Lakhani - que está em Honduras para cobrir o julgamento de oito homens acusados do assassinato da líder ambiental indígena em 2016, Berta Cáceres - e garantir que os jornalistas possam reportar em segurança do país.

Lakhani, cidadã britânica, é uma jornalista freelancer baseada no México que trabalha para o jornal britânico Guardian há cinco anos. Em 17 de setembro, um documento rotulado como comunicado à imprensa circulou em plataformas de mídia social, incluindo Twitter e WhatsApp, acusando Lakhani de "manipular" a população local na região de Bajo Aguán, no norte de Honduras, forçando moradores a dar declarações falsas e incitando-os à violência, e a declarando persona non grata na região. O comunicado de imprensa, que o CPJ revisou, também pediu às autoridades que investiguem Lakhani e outros estrangeiros que visitam a região e se engajam em "atividades suspeitas por trás da fachada do exercício do jornalismo independente para os meios de comunicação internacionais".

"Jornalistas freelancers como Nina Lakhani devem ter liberdade para investigar e informar sobre questões de interesse público em Honduras sem temer por sua segurança", disse Natalie Southwick, Coordenadora do Programa das Américas Central e do Sul do CPJ. "Os olhos do mundo estão em Honduras com o início do julgamento do caso Berta Cáceres. Se o governo hondurenho está empenhado em proteger os valores democráticos, como a liberdade de imprensa, as autoridades devem investigar as ameaças contra Lakhani e garantir que ela e outros jornalistas não sejam impedidos de informar sobre regiões inteiras."

Lakhani disse ao CPJ que a organização citada no comunicado de imprensa, a Associação de Agricultores Independentes do Vale do Aguán, é um grupo de fachada ou falso. O CPJ não conseguiu encontrar nenhuma evidência de que exista um grupo com esse nome.

O documento que a vincula a atividades violentas usou a mesma linguagem que apareceu em documentos semelhantes que atacam outras pessoas que trabalham no caso de Cáceres, disse Lakhani ao CPJ. Circulou no dia seguinte à publicação de um artigo de Lakhani no Guardian sobre estruturas criminosas na região e ligações entre oficiais da inteligência militar e os supostos assassinos.

Lakhani e seus colegas do Guardian disseram ao CPJ que as autoridades hondurenhas e governos estrangeiros, incluindo a embaixada britânica, foram informados sobre as ameaças.

Lakhani já havia enfrentado uma campanha de assédio semelhante em 2016, depois que publicou um artigo informando que o nome de Cáceres apareceu em uma lista de alvos militares pouco antes de ser morta, contou ela ao CPJ.

A denúncia do crime organizado e da corrupção em Honduras produziu um número alarmante de casos não resolvidos de violência contra jornalistas, segundo a pesquisa do CPJ.

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