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Jornalista e proprietário de meio de comunicação social mexicano é morto em Quintana Roo

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Membros da imprensa seguram imagens de colegas durante protesto contra o assassinato ou desaparecimento de jornalistas e fotojornalistas no México, em frente ao Palácio Nacional na Cidade do México, em 1º de junho de 2018. O jornalista mexicano e proprietário de meio de comunicação Rubén Pat foi morto em Playa del Carmen, no estado de Quintana Roo, no sul do México, em 24 de julho. (AFP/Yuri Cortez)

Cidade do México, 25 de julho de 2018 - Autoridades do estado de Quintana Roo, no sul do México, devem empreender uma investigação rápida, confiável e cabal sobre o homicídio do jornalista e proprietário de mídia Rubén Pat Cauich. Ele foi morto a tiros por um agressor desconhecido em 24 de julho em um bar na cidade litorânea de Playa del Carmen, no estado mexicano de Quintana Roo, no sul do país, segundo as informações da imprensa e um comunicado das autoridades estaduais. O assassinato ocorreu apesar de Pat ter sido inscrito em um esquema de proteção federal após ameaças e ataques anteriormente relatados contra ele, e menos de um mês depois de um de seus repórteres ter sido assassinado.

Pat, 41, era dono da página de notícias on-line Semanario Playa News, que fundou há nove meses com dois outros repórteres e opera no Facebook. O Playa News cobre principalmente crimes, acidentes e política local nos municípios de Solidaridad, ao qual pertence Playa del Carmen, e Benito Juárez, que inclui a cidade de Cancún, e municípios como Felipe Carrillo Puerto. Tanto Playa del Carmen como Cancún são destinos turísticos populares.

O CPJ não foi capaz de determinar se antes de seu assassinato Pat havia escrito ou postado algum conteúdo recente em Playa News, que incluiu vídeos e artigos curtos sobre um tiroteio e uma decapitação, já que a maioria dos posts não possui assinatura. Tentativas do CPJ de contatar o Playa News para comentários no dia 25 de julho através de sua página no Facebook permaneceram sem resposta.

"O assassinato de Rubén Pat é um lembrete trágico e urgente de que o México deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger os jornalistas e investigar apropriadamente os assassinatos de membros da imprensa", disse Jan-Albert Hootsen, representante do CPJ no México. "O assassinato de Pat é especialmente grave, considerando que ele recebeu medidas de proteção do governo federal e que um colega de trabalho foi morto apenas algumas semanas antes."

De acordo com informações da imprensa e uma declaração do procurador geral do estado de Quintana Roo, em 24 de julho, enviada ao CPJ por mensagem de texto, Pat foi atacado em Playa del Carmen pouco antes das 6h00, quando saiu de um bar chamado Arre com uma mulher cuja identidade não foi divulgada. Um desconhecido, usando um boné, aproximou-se do jornalista e disparou seis vezes, fugindo rapidamente do local. Pat morreu na hora.

O gabinete do procurador-geral do estado não revelou o tipo de arma com a qual o repórter foi baleado e não divulgou se está ciente da identidade do atacante. O escritório disse que não descartou nenhuma linha de investigação, incluindo o trabalho de Pat como jornalista como possível motivo do assassinato. Em uma troca de mensagens de texto em 25 de julho com o CPJ, o procurador-geral do estado de Quintana Roo, Miguel Ángel Pech Cen, não deu mais detalhes sobre as informações fornecidas no comunicado, mas enfatizou que seu gabinete havia designado uma equipe para investigar o assassinato.

Ricardo Sánchez Pérez del Pozo, que chefia a Procuradoria Federal de Atenção aos Crimes Cometidos contra a Liberdade de Expressão (FEADLE), disse ao CPJ em 25 de julho que seu gabinete havia aberto uma investigação sobre o assassinato e enviado investigadores a Quintana Roo. Ele confirmou ao CPJ que seu escritório atualmente presta apoio às autoridades locais, mas que não se encarregou da investigação. Ele também afiançou que seu gabinete não descartou qualquer motivo para o assassinato, incluindo o trabalho de Pat como repórter.

Em junho de 2017, Pat contou ao CPJ que havia sido brevemente detido, espancado e ameaçado pela polícia municipal por ter denunciado crimes e atividades da polícia local em Playa del Carmen. Em 4 de julho de 2018, em uma conversa pelo WhatsApp, Pat disse ao CPJ que havia recebido ameaças na seção de comentários de um artigo recente do Semanario Playa News, sem especificar qual artigo.

"Acho que preciso sair de Playa del Carmen por um tempo", ponderou ele durante a conversa de 4 de julho com o CPJ. "Ninguém garante minha segurança".

Pat expressou seu medo dias depois de um de seus repórteres, José Guadalupe Chan Dzib, ser morto a tiros em 29 de junho por um desconhecido em um bar na pequena cidade de Sabán, a cerca de 240 quilômetros ao sul de Cancún. Pat disse à CPJ logo após o assassinato que Chan Dzib - que reportou sobre crimes, segurança, política e outras notícias locais - recebeu ameaças. O CPJ ainda não confirmou o motivo do assassinato de Chan Dzib.

Desde maio, Pat recebia medidas de proteção através do Mecanismo Federal para a Proteção de Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas, ligado à Secretaria federal do Interior, que incluíam um botão de pânico e monitoramento por funcionários do organismo. Um porta-voz do mecanismo não respondeu às perguntas enviadas pelo CPJ em 24 de julho, via mensagem de texto, sobre o esquema de proteção fornecido a Pat.

O México é um dos países mais letais do mundo para jornalistas, de acordo com a pesquisa do CPJ. Pat foi o sétimo jornalista morto no México este ano. O CPJ determinou que pelo menos dois dos jornalistas mortos em 2018 foram alvo de represálias diretas por seu trabalho.

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