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Atacantes jogam moto de repórter freelancer brasileiro para fora da estrada e disparam contra ele

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Um integrante do Batalhão da Guarda Presidencial atravessa uma janela que permite uma visão do salão principal do palácio presidencial do Planalto, decorado com uma imagem da bandeira nacional brasileira, em Brasília, Brasil, quinta-feira, 13 de abril de 2017. (AP / Eraldo Peres)

São Paulo, 9 de janeiro de 2018 - As autoridades brasileiras devem investigar de forma rápida e confiável o atentado contra Gabriel Barbosa da Silva, repórter, cartunista e fotógrafo freelance que trabalha meio período para o site noticioso de São Paulo, VerboOnline, e levar seus agressores à justiça, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Silva, conhecido pelo apelido de Binho, estava dirigindo para casa por volta das 2 da manhã de 28 de dezembro de 2017, quando um carro prata tentou jogar sua moto para fora da pista na rodovia BR-116, perto de Embu das Artes, cidade da Grande São Paulo, fazendo com que Silva caísse, de acordo com um artigo de o VerboOnline e Silva.

O carro então se virou, e pelo menos um dos seus passageiros disparou três tiros em Silva sem atingí-lo, de acordo com o jornalista. Seu tornozelo foi quebrado quando se jogou na encosta da rodovia [para proteger-se dos tiros]. Silva saiu mancando para longe do local, e foi levado por um veículo que passava para um hospital próximo, disse o jornalista ao CPJ.

Recentemente, Silva cobriu um polêmico imposto sobre coleta de lixo que o prefeito de Embu das Artes anunciou em julho de 2017, de acordo com as informações da imprensa.

"Os jornalistas que cobrem problemas locais ou trabalham em cidades menores enfrentam consistentemente algumas das maiores taxas de violência no Brasil", disse em Nova York o vice-diretor executivo do CPJ, Robert Mahoney. "As autoridades devem investigar rapidamente o ataque contra Gabriel Barbosa da Silva e garantir que os responsáveis sejam levados à justiça".

Quando o CPJ tentou obter comentários da polícia civil local, ninguém atendeu ao telefone.

Embora o ataque tenha ocorrido em 28 de dezembro, por razões de segurança o jornal não o noticiou até 3 de janeiro de 2018, depois que Silva foi liberado do hospital.

Silva registrou um boletim de ocorrência, mas as autoridades não divulgaram o boletim nem qualquer detalhe sobre a investigação, de acordo com Silva.

Um repórter do VerboOnline, que se recusou a dar seu nome porque não estava autorizado a falar sobre o assunto, disse acreditar que a cobertura de Silva sobre o novo imposto poderia ter sido o motivo do ataque.

"Binho se destacou através de suas reportagens relacionadas ao imposto de lixo", disse o repórter. "Nós escrevemos sobre o imposto de lixo de forma abertamente política e isso nos trouxe críticas do governo local".

Horas após o ataque, Silva recebeu uma mensagem no Facebook de uma conta sob o nome de Samuel Salve Geral que confirmou que o ataque era "uma mensagem" e disse que o jornalista seria "baleado no rosto" na próxima vez. A mensagem, cuja cópia foi vista pelo CPJ, alertou Silva para deixar de 'ter uma boca tão grande', palavras que ele acredita indicar que alguém estava descontente com suas matérias.

Silva disse que antes do ataque de 28 de dezembro, não havia sido ameaçado.

Um conhecido de Silva recebeu uma mensagem de texto em 30 de dezembro de 2017, de alguém alegando ser do proprietário do veículo usado para realizar o ataque, de acordo com um artigo da VerboOnline.

Silva contou ao CPJ que trabalha como colaborador de meio período para a VerboOnline desde o início de 2017, como fotógrafo e cartunista, e ocasionalmente realiza entrevistas para o site.

O jornalista disse que trabalhou anteriormente como freelance para as organizações de notícias de esquerda Mídia Ninja e Jornalistas Livres.

Silva também trabalha em tempo integral como motorista de um ônibus local.

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