DECLARAÇÕES , México

Repórter é ameaçado e tem parte da orelha cortada no estado mexicano de Quintana Roo

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Manifestantes no México condenam a violência e o assassinato de jornalistas. No último ataque, um homem armado com uma faca cortou parte da orelha de um repórter no estado de Quintana Roo. (AFP / Hector Guerrero)

Cidade do México, 1º de junho de 2017 - As autoridades do estado mexicano de Quintana Roo devem empreender uma rápida investigação sobre o ataque ao jornalista Carlos Barrios, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Um homem não identificado ameaçou Barrios, que trabalha no site de notícias Aspectos, e cortou parte de sua orelha com uma faca, disse ao CPJ seu editor, Eduardo Rascón.

O ataque a Barrios aconteceu quando ele deixou a redação em Playa del Carmen, entre as 1h00 e 2h00 da manhã, no dia 29 de maio, disse Rascón ao CPJ. De acordo com Rascón e notícias divulgadas, o agressor advertiu Barrios que Aspectos deve parar de publicar artigos em apoio ao governador de Quintana Roo, Carlos Joaquín, ou "Eduardo Rascón será o próximo".

O México é o país mais letal para a imprensa em 2017.

"Enquanto os assassinatos de repórteres no México dominaram as manchetes, para cada homicídio há numerosos ataques físicos e ameaças de morte que contribuem para que o México seja um dos lugares mais perigosos para os jornalistas trabalharem", disse em Nova York o coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Pedimos às autoridades mexicanas que atuem rapidamente para garantir que os responsáveis por esse ataque contra Carlos Barrios sejam levados à justiça".

Barrios cobre política local, turismo e entretenimento para o Aspectos, e trabalhou na área de vendas por cerca de um ano, disse Rascón ao CPJ. Ele afirmou que Barrios não informa sobre crime e violência. O CPJ não conseguiu falar com Barrios, que está temporariamente de licença, segundo o editor. O jornalista de 27 anos recebeu atenção médica e está se recuperando do ataque, informou Rascón.

O editor disse ao CPJ que o Aspectos, que começou em 2014, publica principalmente artigos em apoio a Joaquín, que assumiu o cargo de governador da Quintana Roo em setembro do ano passado. "Este ataque é muito estranho e vem como uma completa surpresa para nós. Não recebemos ameaças e não abordamos temas particularmente controversos", disse Rascón.

Ele disse ao CPJ que o site Aspectos foi crítico no ano passado ao concorrente de Joaquín para governador, Mauricio Góngora, que entre 2013 e 2016 foi prefeito do município de Solidaridad, ao qual pertence Playa del Carmen. Rascón disse que recebeu várias ameaças anônimas alertando-o para impedir a cobertura crítica do prefeito durante a campanha governamental do ano passado e no mandato de Góngora como prefeito municipal. O CPJ tentou fala com Góngora para que fizesse comentários, mas o número de telefone e os endereços de e-mail listados como dele não estão mais habilitados.

Rascón disse ao CPJ que informará o ataque contra Barrios para a polícia esta semana; ele informou que queria avaliar a situação com seus advogados e a vítima. Vários telefonemas do CPJ para as autoridades do município de Solidaridad, ao qual pertence Playa del Carmen, e às autoridades estaduais de Quintana Roo, não foram respondidas.

Este ano, no México, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em relação direta com seu trabalho, de acordo com a pesquisa do CPJ. O CPJ está investigando o motivo por trás do assassinato de um quinto jornalista e do desaparecimento de um sexto. Em 15 de maio, o aclamado jornalista investigativo Javier Valdez Cárdenas foi morto a tiros em Culiacán, no estado mexicano de Sinaloa, no norte do país.

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