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Venezuela: Jornalistas cobrindo protestos são agredidos e atacados; sites são bloqueados

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Um fotojornalista da Reuters corre enquanto efetivos da Guarda Nacional Bolivariana avançam durante um protesto em frente ao Tribunal Supremo de Justiça em Caracas, em 31 de março. Vários jornalistas foram feridos cobrindo os distúrbios. (AP/Ariana Cubillos)

Nova York, 12 de abril de 2017 - As autoridades venezuelanas devem garantir que os jornalistas possam cobrir os protestos com segurança, afirmou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Vários jornalistas foram detidos, agredidos ou tiveram seu equipamento confiscado enquanto cobriam os protestos que tiveram origem com a decisão do Tribunal Supremo de Justiça de despojar a Assembleia Nacional, dominada pela oposição política, de suas funções legislativas, segundo as informações da imprensa e organizações locais de liberdade de imprensa. O acesso a três sites noticiosos independentes que transmitiram sequências das manifestações continuam bloqueados na Venezuela, segundo informações.

"Os cidadãos venezuelanos não podem receber informações sobre as crises política e econômica que atravessam o país quando os jornalistas são agredidos, detidos arbitrariamente, bloqueados e perseguidos pelas forças de segurança", disse o coordenador sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Instamos as autoridades venezuelanas a garantir que a imprensa possa informar livremente sobre as manifestações e todos os temas de interesse público sem temor de violência".

Elyangélica González, correspondente da Univisión Noticias e da Caracol Radio da Colômbia está entre os jornalistas agredidos enquanto cobriam os protestos. Em 31 de março, González foi cercada por pelo menos uma dezena de funcionários da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) enquanto informava em frente ao Tribunal Supremo de Justiça para a Caracol Radio, segundo informações da imprensa. Um vídeo do incidente publicado no site da Univisión mostra os funcionários agredindo-a, agarrando-a pelos cabelos e arrastando-a pelo chão.

Em Caracas, Román Camacho, repórter do site de notícias La Patilla, sofreu uma fratura na tíbia quando a GNB lançou uma bomba de gás lacrimogêneo que o atingiu na perna em 10 de abril, segundo um informe do site e uma entrevista concedida por ele após sair do hospital. Em seis de abril, Miguel Gutiérrez, repórter da agência EFE, foi atingido no peito por uma bomba de gás lacrimogêneo, momentos depois de fotografar um confronto entre a polícia e um deputado da oposição, segundo reportagem do La Patilla.

Também em Caracas, em seis de abril, a Polícia Nacional Bolivariana deteve Elvis Flores, um cinegrafista do site de notícias Venezuelanos pela Informação (FPI TV), enquanto ele filmava um confronto entre a polícia e manifestantes, segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela. Em outro caso, a GNB deteve Andry Rincón, jornalista da VivoPlay, por cerca de meia hora e confiscou todos os seus equipamentos, exceto um cartão de memória, segundo a informação de um vídeo publicado no Twitter por seu meio de comunicação. O CPJ não conseguiu determinar se o seu equipamento foi devolvido.

Ramón Véliz, correspondente do El Venezolano e Unión Radio, informou pelo Twitter em nove de abril que membros da GNB invadiram sua casa no estado nortista de Lara sem uma ordem judicial e apontaram armas para membros de sua família. Segundo a versão de Véliz sobre a incursão relatada no Twitter, os funcionários disseram que estavam procurando bens roubados e confiscaram seu telefone quando ele começou a filmá-los. Véliz disse ao CPJ que observou a polícia militar fotografando-o enquanto cobria uma manifestação um dia antes da incursão.

O Espacio Público, grupo venezuelano de promoção e defesa da liberdade de expressão, documentou pelo menos 29 casos de jornalistas agredidos, acossados, atacados ou impedidos de cobrir os protestos em Caracas e em outras regiões entre 30 de março e oito de abril, segundo afirmou ao CPJ o diretor da organização, Carlos Correa.

Vários telefonemas do CPJ para o departamento de relações públicas da GNB e Polícia Nacional Bolivariana não foram respondidos.

O acesso a pelo menos três sites de notícias também foi bloqueado. VivoPlay, VPI TV, e Capitolio TV, que é de propriedade da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, ficaram inacessíveis desde sete de abril, segundo os informes.

Luis Carlos Díaz, repórter que cobre tecnologia e colaborador da Global Voices, confirmou ao CPJ que o acesso aos sites está bloqueado dentro da Venezuela. Afirmou que não conseguiu acessar os sites quando tentou através de provedores de serviço de internet dentro da Venezuela, mas quando usou o Tor - software que faz com que a conexão se torne anônima - ou uma rede privada virtual (VPN, por sua sigla em inglês), que esconde a localização de um usuário de internet, os sites ficaram acessíveis. Díaz ressaltou ao CPJ que falou com vários contatos das companhias privadas de telecomunicação que confirmaram que o órgão regulador das comunicações, Conatel, emitiu uma ordem para bloquear os sites.

A Conatel não respondeu de forma imediata ao pedido do CPJ para comentar o assunto.

Em 2014, a Conatel bloqueou os sites de notícias NTN24 e Infobae. Ambos continuam bloqueados. Em fevereiro a Conatel anunciou que estava suspendendo todas as transmissões da CNN em Espanhol, argumentando que a emissora havia distorcido a verdade e atentado contra a estabilidade do país.

Em resposta aos distúrbios, o CPJ emitiu um aviso de segurança para os jornalistas que estão cobrindo as manifestações. O aviso de segurança está disponível em inglês e espanhol.

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