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Jornalista morto a tiros no Brasil, o segundo em duas semanas

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Nova York, 8 de março de 2013 - As autoridades brasileiras devem investigar imediatamente o assassinato de um jornalista ocorrido hoje e levar os responsáveis à justiça, declarou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Dois homens não identificados em uma motocicleta atiraram em Rodrigo Neto quando ele se encaminhava para seu carro após sair de uma churrascaria em Ipatinga, Minas Gerais, na região sudeste do país, segundo as reportagens da imprensa. O jornalista morreu em um hospital local.

Neto apresentava o programa "Plantão Policial" na rádio Vanguarda AM em Ipatinga e havia começado a trabalhar na semana anterior como repórter do jornal Vale do Aço. Ele também foi assessor de imprensa do prefeito, segundo Fernando Benedito Jr, jornalista em Ipatinga e amigo de Neto. Benedito contou ao CPJ que Neto havia coberto corrupção policial incisivamente durante sua carreira. Ele disse que Neto recebia ameaças frequentes, especialmente por sua cobertura de casos em que policiais eram suspeitos de envolvimento em assassinatos.

Benedito disse ao CPJ que acredita que o assassinato de Neto possa estar relacionado com o seu trabalho, mas não tem certeza sobre quais reportagens em particular poderiam ter motivado o crime. Informações da imprensa dão conta que as autoridades estão considerando o trabalho jornalístico como possível motivo.

"As autoridades devem assegurar uma investigação completa sobre o assassinato de Rodrigo Neto, particulamente por ele ter informado sobre corrupção policial", disse Robert Mahoney, vice-diretor do CPJ. "Este é o segundo assassinato de um jornalista em duas semanas e ocorre no contexto do período de dois anos mais letal já registrado para a imprensa do país."

Este é o segundo assassinato de jornalistas por pistoleiros não identificados em duas semanas no Brasil. Mafaldo Bezerra Goes, um radialista que informava sobre crimes na cidade de Jaguaribe foi morto a tiros em 22 de fevereiro.  

Um aumento acentuado da violência letal fez do Brasil um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas, segundo o recém-lançado relatório anual do CPJ Ataques à Imprensa. O Brasil também é citado na lista Países em Risco do CPJ, que identifica os 10 países onde a liberdade de imprensa declinou em 2012.

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