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Carta-bomba enviada para casa de jornalista colombiano

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Bogotá, Colômbia, 11 de março de 2013 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas pede às autoridades colombianas que investiguem o ataque contra um jornalista que denunciou corrupção policial e as atividades de grupos guerrilheiros de esquerda na região. Juan David Betancur recebeu uma carta-bomba pelo correio na quinta-feira que não chegou a explodir e não provocou ferimentos, segundo as reportagens da imprensa.

Betancur, 34, disse ao CPJ que recebeu um envelope pardo em sua casa, na cidade de Dabeida, no estado de Antioquia, que continha detonadores e uma pequena quantidade de material explosivo. Junto estava uma carta alertando Betancur para não se aprofundar em questões de corrupção no governo ou atividades de um ex-membro do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), contou Betancur.

"Eu chamei a polícia. Eles entregaram a carta para a unidade antibombas do exército que detonou o material em uma explosão controlada", disse o jornalista ao CPJ. Betancur contou que a polícia depois lhe disse que ele poderia ter ficado cego ou gravemente ferido se a carta explodisse ao ser aberta.

Betancur é diretor da publicação mensal El Panamericano, sediado em Dabeida.  Também faz reportagens para duas emissoras de Antioquia, a Rádio Litoral, baseada na cidade de Turbo, e a Rádio La Ribereño, da cidade de Puerto Berrío.

Betancur disse ao CPJ acreditar que a ameaça seja resultado de sua cobertura nos últimos quatro anos de supostas irregularidades cometidas pelo ex-prefeito de Dabeida, Omar Anaya. Betancur informou sobre ligações entre Anaya e o rebelde desmobilizado das FARC Nicolás de Jesús Atehortúa. A carta alertava Betancur para não mencionar Atehortúa em suas futuras reportagens, disse o repórter. O CPJ não recebeu retorno dos telefonemas feitos para Anaya, cujo mandato terminou no ano passado.

Recentemente, Betancur disse que estava informando sobre uma investigação de corrupção contra Anaya que está sendo realizada pela Controladoria Geral de Antioquia. O jornalista também foi alvo de um ataque em 2010, quando um simpatizante de Anaya, então prefeito de Dabeida, o golpeou na cabeça com uma barra de metal em represália por suas reportagens críticas, segundo as informações da imprensa e da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP, sigla em espanhol) em Bogotá. Na época, Anaya afirmou à FLIP que não tinha nenhuma relação com o ataque e que Betancur realizava uma campanha difamatória contra ele.

"Juan David Betancur foi alvo de ataques, tanto agora quanto no passado, cometidos por pessoas que querem silenciar suas denúncias de corrupção e de atividades da guerrilha", disse em Nova York o coordenador sênior do programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "As autoridades colombianas devem garantir sua segurança, investigar minuciosamente estes atos de intimidação e processar os responsáveis".

Em fevereiro, dois jornalistas fugiram da cidade de Montería, no norte do país, depois de serem ameaçados por suas reportagens sobre grupos criminosos. Os jornalistas colombianos enfrentaram o ressurgimento da violência de grupos ilegais armados em 2012, segundo o recém-lançado relatório anual do CPJ, Ataques à Imprensa.

  • Para mais informações sobre a Colômbia, veja o capítulo sobre o país em Ataques à Imprensa.

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