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O CPJ condena assassinato de jornalista guatemalteco

Nova York, 12 de maio de 2008--O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o assassinato de Jorge Mérida Pérez, correspondente do jornal Prensa Libre no departamento de Quetzaltenango. Mérida foi morto a tiros em sua casa na tarde de sábado. O CPJ insta as autoridades guatemaltecas a iniciarem, de imediato, uma investigação exaustiva sobre este assassinato brutal.


Ainda que o motivo não tenha sido confirmado, os primeiros indícios demonstram que o crime estaria vinculado ao trabalho jornalístico de Mérida.

Às 16h00 de sábado, pelo menos um indivíduo não identificado entrou na casa do jornalista em Coatepeque, distante 230 quilômetros a sudoeste da Cidade da Guatemala, de acordo com os informes da imprensa local e entrevistas realizadas pelo CPJ. Mérida, de 40 anos, que se encontrava trabalhando em seu computador no momento do ataque, foi baleado quatro vezes na cabeça, informou o Prensa Libre. Seu filho de 14 anos estava na casa, mas não foi ferido.

"É escandaloso que um jornalista possa ser assassinado desta maneira" declarou Carlos Lauria, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ. "Fica óbvio que o pistoleiro não demonstrou nenhum temor. É responsabilidade do governo da Guatemala resolver este crime e fornecer garantias para que os jornalistas não sejam assassinados impunemente".

Segundo Miguel Ángel Méndez, subdiretor do Prensa Libre, o jornalista havia noticiado recentemente sobre narcotráfico e corrupção governamental em nível local.

Nas semanas anteriores ao seu assassinato, Mérida disse a colegas e familiares que havia recebido diversas ameaças. O jornalista não pareceu muito preocupado com as ameaças e não forneceu detalhes, de acordo com Méndez. Brenda Dery Muñoz, promotora local que investiga crimes relacionados com o narcotráfico, disse ao CPJ que ao menos em uma ocasião Mérida e outros repórteres foram ameaçados depois de cobrirem uma recente apreensão de 200 quilos de cocaína pela polícia.

Segundo as informações de Méndez, autoridades nacionais, que ficaram responsáveis pela investigação, estão se focando no trabalho jornalístico de Mérida como o principal motivo de seu assassinato. Rosa Salazar Morroquín, porta-voz do escritório do promotor especial para delitos contra jornalistas e sindicalistas, assegurou a CPJ que a promotoria está investigando possíveis vínculos entre a morte de Mérida e seu trabalho jornalístico.
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