Pelo menos 50 manifestantes do grupo antigovernamental Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO - Asamblea Popular del Pueblo de Oaxaca) tomaram de forma simultânea cada uma das estações de rádio da cidade de Oaxaca, a 520 quilômetros a sudeste da Cidade do México, informou a Associated Press. Os manifestantes, uma mescla de grevistas, sindicalistas e ativistas de esquerda, estavam armados com canos, tábuas de madeira e paus.
Os jornalistas de Oaxaca Soledad Jarkin e Pedro Matías disseram ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) que as estações ocupadas eram: Radio Oro, Magia 680, Tú FM, La Grande 89.7, Estéreo Cristal, La Ley 710, Estéreo Éxitos AM/FM, Radio Mexicana, Súper Q 101.1 FM, Dimensión 820 AM, La Grande de Oaxaca e La Tremenda de Oaxaca.
Os proprietários informaram, em uma coletiva de imprensa, que 25 funcionários da Radio Oro, La Ley 710 e Radio Mexicana estavam detidos pelos grevistas, segundo informou Matías, que trabalha para o diário de Oaxaca Noticias, Voz e Imagen de Oaxaca.
Grevistas da APPO transmitiram mensagens de várias das estações tomadas, começando na manhã de hoje. Pedem a renúncia do governador de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz, informou a AP.
“Instamos a todos os setores envolvidos nesta disputa a deixarem de acossar a imprensa”, ressaltou Joel Simon, Diretor-executivo do CPJ. “Pedimos aos grevistas que liberem os reféns de imediato, e que permitam às estações trabalharem em liberdade”.
Uma ativista da APPO disse ao CPJ que os grevistas haviam decidido tomar as emissoras de rádio como resposta a um ataque ocorrido hoje, às 3h30, contra a Corporación Oaxaqueña de Radio y Televisión (CORTV), uma estação de rádio e televisão do estado que se encontrava sob controle dos manifestantes desde 1 de maio. Após o atentado, um ativista precisou ir ao hospital, informou a AP.
A APPO responsabiliza o governo de Oaxaca pelo atentado. O governador Ruiz negou hoje seu envolvimento com o atentado. Em um comunicado, Ruiz condenou a tomada de estações privadas de rádio, chamando-a de “um crime federal”. Um porta-voz do presidente Vicente Fox disse que o governo federal estava monitorando a situação, mas não tinha planos de mandar a polícia federal para restaurar a ordem, informou a AP.
Desde que as autoridades locais dispersaram um protesto de professores em greve com gás lacrimogêneo, em 14 de junho, estão ocorrendo distúrbios em Oaxaca. Os professores começaram a greve em 22 de maio, pedindo por um aumento salarial.
O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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