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Manifestantes antigovernamentais tomam 12 estações de rádio privadas

Nova York, 21 de agosto de 2006 – Um grupo de manifestantes, incluindo professores em greve, tomou hoje 12 estações privadas de rádio no sul do México, depois que indivíduos não identificados atiraram contra uma estação governamental que se encontrava sob controle dos manifestantes.

Pelo menos 50 manifestantes do grupo antigovernamental Assembléia Popular do Povo de Oaxaca (APPO - Asamblea Popular del Pueblo de Oaxaca) tomaram de forma simultânea cada uma das estações de rádio da cidade de Oaxaca, a 520 quilômetros a sudeste da Cidade do México, informou a Associated Press. Os manifestantes, uma mescla de grevistas, sindicalistas e ativistas de esquerda, estavam armados com canos, tábuas de madeira e paus.

Os jornalistas de Oaxaca Soledad Jarkin e Pedro Matías disseram ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) que as estações ocupadas eram: Radio Oro, Magia 680, Tú FM, La Grande 89.7, Estéreo Cristal, La Ley 710, Estéreo Éxitos AM/FM, Radio Mexicana, Súper Q 101.1 FM, Dimensión 820 AM, La Grande de Oaxaca e La Tremenda de Oaxaca.

Os proprietários informaram, em uma coletiva de imprensa, que 25 funcionários da Radio Oro, La Ley 710 e Radio Mexicana estavam detidos pelos grevistas, segundo informou Matías, que trabalha para o diário de Oaxaca Noticias, Voz e Imagen de Oaxaca.

Grevistas da APPO transmitiram mensagens de várias das estações tomadas, começando na manhã de hoje. Pedem a renúncia do governador de Oaxaca, Ulises Ruiz Ortiz, informou a AP.

“Instamos a todos os setores envolvidos nesta disputa a deixarem de acossar a imprensa”, ressaltou Joel Simon, Diretor-executivo do CPJ. “Pedimos aos grevistas que liberem os reféns de imediato, e que permitam às estações trabalharem em liberdade”.

Uma ativista da APPO disse ao CPJ que os grevistas haviam decidido tomar as emissoras de rádio como resposta a um ataque ocorrido hoje, às 3h30, contra a Corporación Oaxaqueña de Radio y Televisión (CORTV), uma estação de rádio e televisão do estado que se encontrava sob controle dos manifestantes desde 1 de maio. Após o atentado, um ativista precisou ir ao hospital, informou a AP.

A APPO responsabiliza o governo de Oaxaca pelo atentado. O governador Ruiz negou hoje seu envolvimento com o atentado. Em um comunicado, Ruiz condenou a tomada de estações privadas de rádio, chamando-a de “um crime federal”. Um porta-voz do presidente Vicente Fox disse que o governo federal estava monitorando a situação, mas não tinha planos de mandar a polícia federal para restaurar a ordem, informou a AP.

Desde que as autoridades locais dispersaram um protesto de professores em greve com gás lacrimogêneo, em 14 de junho, estão ocorrendo distúrbios em Oaxaca. Os professores começaram a greve em 22 de maio, pedindo por um aumento salarial.

O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo.


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