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Jornalista independente detido em Havana

Nova York, 26 de julho de 2005 – O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena a detenção do jornalista independente cubano Oscar Mario González, que permanece sob custódia policial desde sexta-feira.

González, jornalista da agência noticiosa independente Grupo de Trabalho Decoro, foi preso por volta das 9h00 do dia 22 de julho a uma quadra de sua casa, quando saiu para comprar pão, segundo a jornalista Ana Leonor Díaz.

Díaz, diretora do Grupo de Trabalho Decoro, afirmou que González havia sido transferido para três diferentes postos de polícia, e que se encontrava atualmente em um posto da polícia do bairro de Miramar, no município de Playa, onde vive González. Sua esposa levou roupas e artigos de higiene, mas não pode vê-lo nem levar alimentos para ele, informou Díaz.

As autoridades não divulgaram o motivo da detenção de González, nem se o haviam acusado formalmente. Díaz afirmou que aparentemente González foi detido em meio a uma operação policial que começou na manhã de sexta-feira, quando ativistas opositores haviam planejado realizar um protesto antigovernamental em frente à embaixada da França, em Havana.

Vários dirigentes do grupo organizador da manifestação, a Assembléia para Promover a Sociedade Civil em Cuba (APSC), foram detidos antes se incorporarem a ela, segundo a imprensa internacional e organizações de dissidentes. Um deles, o destacado advogado e opositor René Gómez Manzano, continua detido. No total, pelo menos 29 pessoas foram detidas na sexta-feira; destas, 20 foram liberadas sem acusações. Outras nove, entre elas González, continuam presas.

Em maio, González fez a cobertura informativa do congresso da APSC como repórter do Grupo de Trabalho Decoro. O congresso, que contou com a presença de observadores internacionais, reuniu mais de 100 ativistas durante suas duas jornadas que debateram estratégias para criar uma sociedade democrática em Cuba. Naqueles dias, as autoridades cubanas detiveram e expulsaram ao menos cinco jornalistas estrangeiros que haviam viajado a Cuba para cobrir o evento.

Os promotores cubanos freqüentemente não informam os ativistas de oposição detidos sobre as acusações apresentadas contra eles e lhes negam a possibilidade de revisar as provas de seus supostos delitos. Segundo o previsto no Código de Procedimento Penal cubano, uma pessoa pode permanecer detida por até uma semana sem que nenhum tribunal revise a legalidade da detenção.

"Oscar Mario González foi detido arbitrariamente e sem motivo", declarou Ann Cooper, diretora-executiva do CPJ. "Exortamos as autoridades cubanas a libertá-lo de imediato e a deixar de intimidar a imprensa independente cubana".



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