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O CPJ condena agressão policial contra jornalistas


Excelência:

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena a agressão policial de 31 de agosto último contra jornalistas guatemaltecos que cobriam o desalojamento de camponeses de uma propriedade rural no departamento de Retalhuleu, no sul do país. A operação policial culminou com um saldo de vários mortos e dezenas de feridos.

A polícia guatemalteca agrediu e ameaçou pelo menos oito jornalistas que informavam sobre o despejo que envolveu centenas de camponeses que haviam ocupado a propriedade rural de Nueva Linda, segundo informações divulgadas pelos meios de comunicação locais. A agressão ocorreu depois que vários jornalistas presenciaram a morte de um camponês pelas mãos da polícia, de acordo com as informações recebidas. A polícia também lhes retirou as máquinas fotográficas e câmeras de vídeo. Quando vários jornalistas tentaram recuperar o equipamento, oficiais da polícia os ameaçaram, dispararam para o alto e lhes lançaram granadas de gás lacrimogêneo.


Entre os jornalistas agredidos se encontram o repórter Mario Morales, o fotógrafo William Meoño e o assistente Marvin Guillén, que trabalham para o jornal da capital Nuestro Diário; Edward Morales, cinegrafista do canal Guatevisión; Fredy Rodas, correspondente do diário da Cidade da Guatemala Prensa Libre; Mynor Toj e Luis Romero, repórter e cinegrafista, respectivamente, do canal regional Cable DX; e Gerardo Montenegro, fotógrafo independente. Tanto Edward Morales como Rodas declararam ao CPJ que todos os comunicadores levavam credenciais de imprensa e coletes. Os jornalistas ainda não recuperaram os equipamentos, inclusive as fitas com as imagens que gravaram da morte dos camponeses.

Como Sua Excelência sabe, de acordo com o Artigo 35 da Constituição Política guatemalteca, o governo tem a obrigação de garantir o direito da sociedade à liberdade de expressão e à informação. Neste caso, a resposta policial não teve como propósito manter a ordem pública, e sim o de suprimir uma cobertura informativa que demonstrava as ações dos oficiais da polícia.

Como organização sem fins lucrativos que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo, instamos seu governo a realizar uma investigação rápida e exaustiva da agressão e a submeter à justiça os autores. Esta é uma boa oportunidade para que a Procuradoria Especial de delitos contra jornalistas e sindicalistas demonstre seu compromisso de investigar tais agressões.

Exortamos seu governo a assegurar que os agentes da ordem pública não interfiram com a cobertura informativa e solicitamos que aos jornalistas que peçam proteção policial lhes seja proporcionada a segurança adequada.

Estas ações policiais tiveram um efeito intimidante sobre os jornalistas guatemaltecos. Respeitosamente, solicitamos que se investigue este assunto e ficamos a espera de sua resposta.

Sinceramente,


Ann K. Cooper
Diretora-Executiva

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