São Paulo, 27 de julho de 2026 — O Comitê para a Proteção dos Jornalistas condena firmemente a agressão e ameaças contra o jornalista brasileiro Chico Melo, diretor do grupo de mídia independente Integração, em Cruzeiro do Sul, no estado do Acre, no norte do país, e urge as autoridades a investigarem o ataque de forma célere e abrangente para que os autores sejam responsabilizados.
Melo, 54 anos, levou socos e chutes e foi ferido na cabeça por quatro indivíduos armados que invadiram seu quarto por volta das 2h30 da madrugada de 22 de julho. “Eles ficavam me perguntando: ‘Você é o cara da rádio que fala sobre política?’ Quando respondi que sim, disseram que eu sabia por que estavam ali”, contou Melo, cujo grupo de mídiacobre assuntos de interesse público na TV, no rádio e em um portal de notícias. Antes de irem embora, os agressores exigiram o celular de Melo e uma transferência bancária no valor de R$ 2.000.
“Eles me torturaram por meia hora, e eu realmente achei que fosse morrer”, disse Melo em um vídeo publicado no dia seguinte ao ataque.
“A violência sofrida por Chico Melo em sua própria casa é um grave ataque à liberdade de imprensa e ao jornalismo local no Brasil”, disse Cristina Zahar, coordenadora para a América Latina do CPJ. “Isso só acontece porque os agressores se sentem à vontade para agir, aproveitando-se da impunidade em crimes contra jornalistas, que é de cerca de 80% globalmente, de acordo com nossos dados.”
Melo afirmou, em entrevista por telefone ao CPJ, que suspeita que o incidente tenha tido motivação política após a publicação de uma série de reportagens sobre suposto desvio de verbas públicas destinadas a uma feira agrícola na região do Juruá. Ele e seu colega na emissora, Rogério Wenceslau, também relataram em seu programa que um alto funcionário do governo estadual havia ameaçado prendê-los após a publicação.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), principal organização sindical e profissional que representa os trabalhadores de mídia no Brasil, e o sindicato local emitiram uma declaração conjunta repudiando o ataque e classificando-o como uma “ameaça à liberdade de imprensa, ao direito à informação e à própria democracia”.
O delegado Heverton Carvalho, responsável pelo caso, disse ao CPJ em mensagem por WhatsApp que todas as linhas de investigação estão sendo consideradas, inclusive a de o ataque estar relacionado ao trabalho jornalístico de Melo. Ele acrescentou: “Até o momento, não temos elementos suficientes para confirmar isso.”