São Paulo, 16 de março de 2026—O Comitê para a Proteção de Jornalistas instou as autoridades brasileiras a encerrar o inquérito contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luís Pablo, e devolver os equipamentos levados na operação de busca e apreensão do dia 10 de março, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A Polícia Federal apreendeu na casa de Luís Pablo em São Luís, capital do Maranhão, no nordeste do país, um notebook e telefones celulares depois que o ministro do STF Flávio Dino acusou o jornalista de “stalking” em conexão com três reportagens publicadas no blog do jornalista, em novembro de 2025, apontando suposto mau uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão pela família do juiz.
“É um ultraje um jornalista ser silenciado pela mais alta corte do país simplesmente por fazer seu trabalho—reportar sobre um tema de interesse público. Esse ato desrespeita a Constituição, que protege a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte jornalística”, disse Cristina Zahar, coordenadora do programa para América Latina do CPJ. “Nenhum funcionário público deveria instrumentalizar o sistema judicial para retaliar reportagens críticas. Esperamos que Luís Pablo tenha seus equipamentos devolvidos prontamente, sem violações.”
O advogado de Luís Pablo, Marcos Alessandro Coutinho Passos Lobo, enviou no dia 16 de março um requerimento, revisado pelo CPJ, solicitando à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a adoção de medidas administrativas e legais para “cessar imediatamente os atos abusivos, inconstitucionais, inconvencionais e ilegais” contra seu cliente.
Lobo também pediu que os equipamentos de Luís Pablo sejam devolvidos íntegros, já que contêm informações de fontes e material que estava sendo reunido para produzir reportagem sobre a atividade político-eleitoral do ministro Dino no Maranhão. No dia 14 de março, Luís Pablo confirmou estar trabalhando na matéria em uma entrevista ao canal BandNews.
Em depoimento à Polícia Federal no dia 13 de março, o jornalista ficou em silêncio alegando o direito constitucional de não revelar suas fontes.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou a apreensão do equipamento de “precedente preocupante para a prática do jornalismo no Brasil”.
Apesar de a investigação correr em segredo de justiça, o CPJ enviou emails para a assessoria de imprensa do STF pedindo a Moraes e Dino que comentassem o caso, mas não recebeu uma resposta imediata.
