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Repórter mexicano agredido com tacos de beisebol em Baja California Sur

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Agentes da patrulha da Polícia Federal no estado de Baja California Sur, México, em 12 de março de 2018. Em 29 de janeiro de 2019, o jornalista Martín Valtierra García foi espancado por dois agressores desconhecidos fora de sua casa em Comondù, Baja California Sur (Daniel Slim/AFP)

Cidade do México, 31 de janeiro de 2019 - As autoridades mexicanas devem realizar imediatamente uma investigação completa e confiável sobre o ataque em 29 de janeiro contra o jornalista Martín Valtierra García e garantir sua segurança, informou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Valtierra foi espancado por dois agressores desconhecidos fora de sua casa em Comondù, no norte do estado mexicano de Baja California Sur, informou o jornalista ao CPJ.

Foi o segundo ataque violento contra um jornalista no estado em uma semana, depois que o repórter Rafael Murúa Manríquez, da Radiokoshana FM, foi encontrado morto perto da cidade de Santa Rosalía, em Baja California Sur, em 22 de janeiro, segundo pesquisa do CPJ.

"O covarde ataque a Martín Valtierra já é perturbador isoladamente, mas é ainda mais alarmante considerando que vem na esteira do assassinato de outro jornalista em Baja California Sur", disse o representante do CPJ no México, Jan-Albert Hootsen. "Em um contexto de crescente violência, as autoridades do Estado devem agir rapidamente e tomar as medidas apropriadas para garantir que os jornalistas possam fazer o seu trabalho sem medo de ataques."

Valtierra é editor e fundador do site de notícias Contrastes de Comundú, que cobre notícias em toda a Baja California Sur.

Em um vídeo postado nas mídias sociais por várias fontes de notícias, tirado de uma câmera de segurança próxima, o jornalista pode ser visto saindo de seu carro para abrir a porta da frente de sua casa quando dois homens saem de um segundo carro. Eles rapidamente se aproximam de Valtierra e o atacam com tacos de beisebol, depois retornam ao veículo e fogem do local. Valtierra confirmou ao CPJ a autenticidade do vídeo.

"Eu não pude ver seus rostos e eles não disseram nada. Eu ouvi um barulho, virei e eles estavam em cima de mim", disse Valtierra ao CPJ em uma conversa por telefone ontem. Ele disse que sofreu um ferimento na cabeça e fraturou o braço direito enquanto tentava se proteger dos golpes.

O repórter disse ao CPJ que ele foi a um hospital pouco depois do ataque e denunciou o crime às autoridades estaduais enquanto recebia tratamento.

Valtierra acrescentou que, apesar de não ter recebido nenhuma ameaça direta, um colega o advertiu em novembro que suas reportagens enfureceram as autoridades do governo municipal de Comondù. Ele disse ao CPJ que não fez nenhuma denúncia na época.

Em 8 de janeiro, Valtierra escreveu uma coluna crítica ao prefeito de Comondù, José Walter Valenzuela. Valtierra disse ao CPJ que havia anteriormente acusado o governo municipal de nepotismo e corrupção.

O governo municipal de Comondù não respondeu a vários telefonemas do CPJ em busca de comentários.

Em uma conversa no WhatsApp em 29 de janeiro, Marina Valtierra (sem parentesco com Martín), porta-voz da procuradoria estadual de Baja California Sur, disse ao CPJ que seu gabinete estava ciente do ataque, mas não conseguiu fornecer mais informações naquele momento. O governador de Baja California Sur, Carlos Mendoza, condenou o ataque mais tarde naquele dia em um tweet, no qual confirmou que a procuradoria abriu uma investigação.

Um funcionário do Mecanismo Federal de Proteção a Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas, que atua sob os auspícios da Secretaria do Interior e fornece medidas de proteção aos jornalistas, disse ao CPJ em 29 de janeiro que o gabinete estava em contato com Valtierra pouco depois do ataque. O funcionário confirmou que o repórter estava sendo incorporado a um esquema de proteção, mas não pôde fornecer mais detalhes. O funcionário pediu para permanecer anônimo, já que não estava autorizado a discutir a situação.

Murúa estava sob uma ordem de proteção pelo mecanismo federal no momento de seu assassinato, em 22 de janeiro.

O México é o país mais perigoso do Hemisfério Ocidental para os jornalistas. Pelo menos quatro repórteres foram mortos no México em represália direta por seu trabalho em 2018, segundo a pesquisa do CPJ. O CPJ também está investigando os motivos de outros seis assassinatos de jornalistas no país naquele ano.

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