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Jornalistas colombianos recebem uma série de ameaças em 72 horas

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Vendedor de frutas em El Putumayo, Colômbia, em 9 de outubro de 2016. Jornalistas colombianos receberam uma série de ameaças durante 72 horas a partir de 14 de julho de 2018. (Reuters/Guillermo Granja)

Nova York, 18 de julho de 2018 - As autoridades colombianas devem investigar imediatamente uma série de ameaças contra jornalistas e meios de comunicação nos últimos dias, garantir a segurança dos jornalistas e levar os responsáveis ​​à justiça, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

A colunista de revista María Jimena Duzán, a repórter de jornal Jineth Bedoya, a equipe do jornal independente La Silla Vacía e três repórteres da RCN Radio receberam ameaças em um período de 72 horas a partir de 14 de julho, segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), com sede em Bogotá. As ameaças incluíram telefonemas, mensagens no Twitter estimulando a violência contra os repórteres e um panfleto atribuído a um grupo armado chamado Las Águilas Negras, que chamou os repórteres Bedoya e os de La Silla Vacía de "objetivos militares".

Essa onda de ameaças ocorre quando está definida para agosto a posse do presidente eleito, Iván Duque, após a sua vitória nas eleições de junho. Duque fez campanha com uma plataforma que criticava as negociações de paz do atual presidente com o maior grupo guerrilheiro esquerdista da Colômbia.

"Durante este período de transição política na Colômbia, as autoridades devem levar a sério essas ameaças aos jornalistas", disse Natalie Southwick, Coordenadora do Programa das Américas Central e do Sul do CPJ. "Pedimos às autoridades que investiguem as ameaças contra Jineth Bedoya, María Jimena Duzán, o La Silla Vacía e a Rádio RCN, levem os responsáveis ​​à justiça e assegurem que todos os jornalistas possam continuar reportando com segurança neste momento crítico".

Em 14 de julho, Las Águilas Negras divulgou um comunicado por e-mail e mídia social que descreveu dezenas de jornalistas, defensores de direitos humanos e ativistas como defensores da guerrilha e demandou violência contra eles, segundo a FLIP. Os nomes incluíam Bedoya, repórter do jornal nacional El Tiempo que foi sequestrada, estuprada e torturada por paramilitares em 2000; e os repórteres de La Silla Vacía, que cobriram extensivamente as negociações de paz entre o governo colombiano e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Duzán, jornalista independente e colunista da revista semanal colombiana Semana, recebeu uma ameaça explícita de morte no Twitter em 15 de julho da conta @Gustavo68831299, de acordo com a FLIP e informações da imprensa. A ameaça, que Duzán retuitou em sua própria conta, dizia que "deve ser estuprada, cuspida, cortada com uma motosserra e pendurada na praça de Bolívar, trazendo honra aos paramilitares".

Duzán contou ao CPJ que a ameaça no Twitter foi deletada minutos depois de ser postada e o usuário desativou a conta. Ela ainda disse ao CPJ que imediatamente entrou em contato com o gabinete do Procurador-geral, que abriu uma investigação sobre a identidade do agressor. Duzán acrescentou que as autoridades colombianas entraram em contato com o FBI para obter mais informações sobre a conta do Twitter.

"Se alguém não denunciar essas ameaças, elas serão retuitadas e multiplicadas, e se tornarão realidade", ponderou Duzán em sua conversa com o CPJ.

Em 16 de julho, um homem que se identificou como "Nini", integrante da guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), ligou para o estúdio da RCN Radio enquanto os repórteres Jorge Espinosa, Yolanda Ruiz e Juan Pablo Latorre discutiam as ameaças anteriores durante o programa matutino, de acordo com a FLIP. O interlocutor identificou os três repórteres pelo nome e disse à pessoa que atendeu: "diga a Espinosa que ele tem 72 horas para calar a boca e parar de falar sobre essas organizações".

O ELN publicou um comunicado negando qualquer conexão com a ligação.

O gabinete do Procurador-geral não respondeu aos repetidos telefonemas do CPJ em busca de comentários. Diego Mora, diretor da Unidade Nacional de Proteção da Colômbia (UNP), uma agência do governo que protege pessoas ameaçadas, disse à Rádio W que o governo está "preocupado" com o aumento das ameaças contra a mídia e que a UNP está analisando cada caso.

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