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Agressor tenta apunhalar jornalista hondurenho enquanto ele transmitia ao vivo

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O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernandez, em um local de construção na cidade de Tegucigalpa, em janeiro de 2018. Um agressor não identificado tentou atacar o jornalista César Omar Silva com uma faca em 13 de fevereiro durante a onda de instabilidade política em Honduras decorrente da reeleição do presidente Juan Orlando Hernández e subsequente repressão das forças de segurança, segundo a imprensa. (Reuters/Edgard Garrido)

Nova York, 16 de fevereiro de 2018 - As autoridades hondurenhas devem agir prontamente para identificar e levar à justiça a pessoa que tentou apunhalar o repórter César Omar Silva durante uma transmissão ao vivo, declarou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Em treze de fevereiro, um indivíduo não identificado se aproximou de Silva enquanto este transmitia em frente do hospital psiquiátrico Mario Mendoza, em Tegucigalpa, capital hondurenha, e avançou em direção ao repórter com uma faca, mas não conseguiu apunhalá-lo, segundo informações da imprensa e imagens do vídeo do ataque. Após o atentado, o indivíduo continuou rondando Silva antes de sair andando pela rua. Silva, apresentador de um noticiário local no canal Une TV, não ficou ferido no incidente.

O ataque contra Silva ocorre em um clima de instabilidade política que teve início com a reeleição do presidente Juan Orlando Hernández e de uma campanha repressiva levada a cabo pelas forças de segurança, segundo reportagens veiculadas.

Silva declarou ao CPJ que registrou uma denúncia na polícia, na Comissão Nacional de Direitos Humanos e em organizações da sociedade civil.

"Este descarado ataque contra um jornalista durante uma transmissão televisiva ao vivo é um aterrador exemplo dos perigos enfrentado pelos jornalistas hondurenhos apenas por exercerem a profissão", declarou o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon. "As autoridades hondurenhas devem utilizar os elementos comprobatórios disponíveis para identificar rapidamente o agressor de César Silva e garantir que ele seja levado à Justiça".

Nem a unidade investigativa da polícia nacional nem a Comissão Nacional dos Direitos Humanos responderam aos telefonemas do CPJ para fornecer declarações sobre o caso.

Silva contou ao CPJ que o indivíduo inicialmente havia se aproximado dele e do cinegrafista alguns minutos antes das 9h00, quando se preparavam para transmitir o programa diário "Caminhando com Silva", que mostra Silva enquanto caminha pelos bairros de Tegucigalpa e entrevista transeuntes sobre assuntos de interesse nacional.

Ele intimidou Silva verbalmente, criticou seu trabalho e o ameaçou por vários minutos antes de deixar o local. Regressou cerca de cinco minutos depois, quando a transmissão ao vivo já havia começado, e atacou Silva com uma faca que estava escondida em sua roupa. No vídeo, é possível escutar o indivíduo dizer "vou te matar" e insultá-lo.

Silva explicou que um policial que estava perto e um empregado do hospital disseram ao homem para deixar o jornalista em paz, mas o policial não tentou detê-lo nem tirar sua arma antes que o agressor escapasse.

Silva tem enfrentado ameaças e intimidações que remontam ao golpe que derrubou o ex-presidente Manuel Zelaya em 2009, quando o jornalista noticiou violações dos direitos humanos cometidas pela polícia militar e forças de segurança. Em dezembro de 2009, três indivíduos armados o sequestraram quando estava em um táxi e o levaram para um centro de detenção clandestino, onde o mantiveram e o torturaram por 24 horas, segundo reportagens e o próprio jornalista.

Desde dezembro de 2009, agentes de segurança impediram reiteradamente que Silva entrasse em edifícios do governo e o ameaçaram verbalmente por seu trabalho jornalístico, disse o jornalista ao CPJ.

Em janeiro de 2015, o chefe de segurança do presidente do Congresso Nacional impediu a entrada de Silva na sede do Congresso para cobrir uma sessão sobre política militar, de acordo com a Anistia Internacional. Em data mais recente, 18 de janeiro de 2018, guardas de segurança tornaram a impedir sua entrada no edifício para cobrir a última sessão do Congresso 2014-2018, segundo a organização de liberdade de imprensa guatemalteca CERIGUA.

Os jornalistas hondurenhos têm enfrentado o aumento da agressão e perseguição tanto por parte das forças de segurança como de civis devido aos violentos protestos que ocorreram depois das eleições presidenciais impugnadas em novembro de 2017, segundo organizações locais de direitos humanos.

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