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Jornalista de rádio boliviano permanece em prisão domiciliar e é processado por cobrir um protesto

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Bogotá, 5 de setembro de 2017 - As autoridades bolivianas devem retirar as acusações contra um jornalista de rádio detido enquanto cobria uma manifestação violenta na semana passada na capital, La Paz, declarou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

A polícia deteve Agustín Aldo Mamani, repórter da emissora de Radio de Valle, de Mecapaca, durante quatro dias e as autoridades judiciais, agora, o colocaram sob detenção domiciliar pelo suposto crime de destruição de bens, segundo informações da imprensa.

Em 29 de agosto, Mamani cobria uma manifestação de moradores de Mecapaca. Que marcharam 25 Km até La Paz para exigir das autoridades que pavimentassem o caminho de terra que liga a localidade à capital, declarou ao CPJ de, La Paz, Franz Chávez, diretor da Associação Nacional de Imprensa da Bolívia.

" Gravar um protesto não é crime", declarou em Nova York o subdiretor executivo do CPJ, Roberto Mahoney. "As autoridades bolivianas devem libertar imediatamente Augustín Aldo Mamani de sua prisão domiciliar e retirar todas as acusações contra ele".

Os manifestantes incendiaram dois ônibus em La Paz, o que fez com que a polícia antimotim prendesse 40 pessoas e Mamani, que estava filmando a manifestação, segundo as informações da imprensa. A polícia confiscou a câmera de vídeo de Mamani, apesar de o jornalista ter se colocado há mais de 500 metros do veículo incendiado, afirmou Chávez.

"[L]hes disse que era jornalista e me pediram credencial. Eu não estava com uma na hora e tratei de esclarecer, falei que me deixassem chamar a rádio se não acreditavam em mim", declarou Mamani ao jornal de La Paz Página Siete. "Me agarraram e levaram como um delinquente qualquer".

Mamani foi detido em uma cela durante 93 horas e liberado quando um assessor legal da Associação Nacional de Imprensa apresentou as credenciais de imprensa às autoridades, disse Chávez, que acrescentou que Mamani continua em detenção domiciliar e é investigado por suposta destruição de patrimônio público.

Um funcionário do Ministério Público boliviano em La Paz declarou ao CPJ que o órgão não faria nenhuma declaração sobre o caso, pois ele está sob investigação.

Em julho de 2015, o jornalista de rádio Juan Carlos Paco Veramendi foi preso enquanto cobria protestos de mineiros em La Paz. O jornalista ficou detido por cinco dias e nenhuma acusação foi imputada contra ele.

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