Caso, México

Repórter mexicano baleado e morto no estado de Veracruz

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Um jornalista e um fotógrafo colocam fotos de um jornalista morto no ano passado, no estado mexicano de Veracruz, como parte de uma manifestação em 24 de agosto de 2017. Veracruz é o lugar mais letal do hemisfério ocidental para os jornalistas, de acordo com a pesquisa do CPJ. (Reuters / Henry Romero)

Cidade do México, 25 de agosto de 2017 - As autoridades mexicanas devem realizar uma investigação rápida e convincente sobre o assassinato do repórter Cándido Ríos Vázquez, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Homens armados desconhecidos atacaram Ríos, no dia 22 de agosto, em um tiroteio fora de uma loja de conveniência em Juan Díaz Covarrubias, uma cidade no estado mexicano de Veracruz, segundo a imprensa. O jornalista morreu a caminho do hospital.

O escritório do procurador-geral de Veracruz disse em uma declaração que outros dois homens estavam com Ríos no momento do tiroteio e o noticiário identificou um deles como sendo um ex-policial. Os dois outros homens morreram na cena do crime, de acordo com a mídia local .

"As autoridades mexicanas devem investigar minuciosamente o assassinato de Cándido Ríos Vázquez e considerar seu trabalho como jornalista como um possível motivo", disse em Nova York Alexandra Ellerbeck, Coordenadora do Programa da América do Norte para o CPJ. "Acabar com a impunidade em ataques a jornalistas é o único meio de parar esses assassinatos, que fizeram de Veracruz o lugar mais mortal para jornalistas no hemisfério ocidental".

Em 2017, mais jornalistas foram mortos no México em represália ao seu trabalho do que em qualquer outro país, mostram as pesquisas do CPJ.

Ríos, de 59 anos, fundou um jornal local La Voz de Hueyapán e cobriu a criminalidade no município de Hueyapán de Ocampo, localizado ao sul da capital regional de Xalapa, em Veracruz, para o jornal regional, El Diario de Acayucán.

As autoridades federais colocaram Ríos em um programa de proteção do governo em 2013, de acordo com o Mecanismo Federal de Proteção de Defensores de Direitos Humanos e Jornalistas. Como parte do programa, o jornalista tinha proteção policial, um botão de pânico móvel e câmeras de segurança em sua residência.

De acordo com os meios de comunicação de Veracruz, Ríos havia atraído a ira de Gaspar Gómez Jiménez, ex-prefeito de Hueyapán, por ter escrito sobre questões locais.

AGN Veracruz, site de notícias local com sede na cidade de Puerto de Veracruz, informou no dia 22 de agosto que Gómez Jiménez lançou um vídeo no início deste mês em sites de mídia social no qual ameaçou bater em Ríos. No vídeo, Gómez Jiménez também se refere a acusações de que ele teria contratado pessoas para surrar Ríos. O CPJ não conseguiu acesso ao ex-prefeito para comentar o relato.

Jorge Ruiz, porta-voz da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México (CNDH), disse ao CPJ que a vítima informou ter recebido ameaças no passado de vários políticos locais sobre sua cobertura política. Nos dias e semanas que antecederam o crime, no entanto, a vítima não havia denunciado nenhuma ameaça, disse Ruiz.

Um grupo estadual de Veracruz que fornece proteção aos repórteres confirmou ao CPJ que Ríos recebeu ameaças de morte, mas não foi matriculado em programas que a Comissão Estadual de Atenção e Proteção de Veracruz oferece aos jornalistas em risco. O secretário-executivo do grupo, Jorge Morales, disse que seus representantes estão trabalhando com a família de Ríos para determinar se eles precisarão de proteção no futuro.

O subsecretário federal para os direitos humanos, Roberto Campa, disse acreditar que o ataque não está relacionado com o trabalho de Ríos como jornalista e que o incidente provavelmente se relacionou aos companheiros de Ríos que também morreram na cena do crime. Campa disse em uma conferência de imprensa em 23 de agosto em Xalapa que seus comentários eram baseados em informações do procurador-geral do estado de Veracruz.

Ricardo Sánchez Pérez del Pozo, procurador especial federal para atenção aos crimes cometidos contra a liberdade de expressão, disse ontem ao CPJ que seu escritório havia aberto uma investigação sobre a morte de Ríos. Sánchez disse que o Ministério Público especial não descartou o trabalho da vítima como repórter como um motivo possível no tiroteio.

Pelo menos quatro repórteres foram mortos este ano por causa de seu trabalho e o sequestro também continua a ser uma maneira comum de silenciar a imprensa no México, de acordo com a pesquisa do CPJ. No dia 22 de maio, o repórter mexicano Salvador-Adão Pardo, de Michoacán, foi raptado da cidade mexicana central de Nueva Italia.

O CPJ está atualmente investigando as motivações por trás do assassinato do jornalista Ricardo Monlui Cabrera, que foi morto a tiros no estado de Veracruz em 19 de março.

Um dos quatro jornalistas que foram assassinados este ano em represália por seu trabalho, Javier Váldez Cárdenas, foi um dos destinatários de 2011 do Prêmio Internacional à Liberdade de Imprensa do CPJ.

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