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Documentarista colombiano recebe reiteradas ameaças de morte

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Nova York, 1º de agosto de 2017 - As autoridades colombianas precisam investigar com rapidez e credibilidade as ameaças feitas contra o documentarista e ativista Bladimir Sánchez Espitia e devem garantir sua segurança, declarou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Sánchez declarou ao CPJ que um indivíduo armado com uma pistola o havia procurado na madrugada de 30 de julho.

A pessoa chegou a um edifício que Sánchez frequenta em um bairro nos arredores de Bogotá as 2:30, relatou Sánchez. O jornalista, que no momento não se encontrava no local, disse que várias testemunhas, entre elas o segurança do prédio, falaram que o indivíduo estava armado com uma pistola e havia perguntado pelo seu nome. A visita é a última ameaça de uma série que data de, pelo menos, 2012, segundo os dados do CPJ.

"As autoridades colombianas devem investigar exaustivamente a ameaça contra a integridade física de Bladimir Sánchez Espitia, e garantir que sejam implementadas medidas efetivas para protegê-lo", declarou o coordenador sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "Os jornalistas colombianos devem poder informar sobre temas sensíveis sem medo de morrer".

Durante os últimos cinco anos, pelo menos, Sánchez, documentarista que cobre direitos humanos, recebeu ameaças que se intensificaram. O jornalista declarou ao CPJ acreditar que as ameaças possam estar vinculadas a empresas mineradoras que ele investiga em seu trabalho como documentarista, à polícia local ou a políticos que pudessem ter interesse nessas empresas ou em seus projetos em desenvolvimento.

Em 2012, pela primeira vez o documentarista fugiu de sua casa no estado central de Huila, a cerca de 370 Km ao sul de Bogotá, depois de receber ameaças de morte relacionadas a um vídeo que havia colocado no YouTube. O vídeo mostrava a polícia antimotim despejando à força manifestantes das obras de construção de uma central hidroelétrica em Huila. Depois de fazer o upload do vídeo, Sánchez recebeu telefonemas de várias pessoas não identificadas, segundo a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP, por sua sigla em espanhol), com sede em Bogotá. Naquela época Sánchez disse ao CPJ que acreditava que policiais de Huila eram responsáveis pelas ligações telefônicas. Os telefonemas do CPJ hoje à Procuradoria Geral colombiana não foram prontamente atendidos.

Em 15 de abril de 2016, indivíduos não identificados entraram à força no apartamento de Sánchez em Bogotá e roubaram um computador, uma câmera de vídeo, um cartão de memória e outros equipamentos, informou a FLIP. Sánchez disse à FLIP que os equipamentos roubados continham materiais que denunciavam empresas mineradoras que estavam implicadas em violações dos direitos humanos, materiais que ele pensava em utilizar em futuros documentários. Os ladrões não levaram nenhum outro objeto de valor, explicou o documentarista à FLIP. Sánchez e a organização de assistência jurídica Coletivo de Advogados José Alvear Restrepo solicitaram à Procuradoria Geral que realizasse uma investigação minuciosa do roubo, mas Sánchez, que regressou a Huila pouco depois, declarou ao CPJ que não constava nenhum avanço no caso.

Sánchez tornou a fugir do estado de Huila no final de maio de 2017, depois que sua família recebeu ameaças, e voltou a morar em Bogotá, onde, segundo ele, sua família estaria mais segura. Sánchez disse ao CPJ que nessa época trabalhava como codiretor e produtor-executivo de um documentário para o Discovery Channel sobre o processo de paz entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro das FARC.

Desde 1992, pelo menos 47 jornalistas foram mortos na Colômbia em relação direta com o exercício profissional, muitos em resultado do conflito entre o Estado e os grupos guerrilheiros armados. Embora a segurança dos jornalistas na Colômbia tenha melhorado nos últimos anos, as ameaças e a violência contra os jornalistas continuam, frequentemente com impunidade, segundo os dados do CPJ.

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