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Âncora de televisão é morto a tiros em frente a sua casa em Honduras

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Nova York, 19 de agosto de 2014 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o assassinato do jornalista televisivo Nery Francisco Soto Torres em Honduras na quinta-feira e insta as autoridades a iniciarem uma investigação completa, determinarem o motivo e levarem os responsáveis à justiça.

Soto foi morto a tiros por volta das 21h30 por homens armados que esperavam em frente a sua casa na cidade de Olanchito, no estado de Yoro, segundo as informações da imprensa. Ele voltava para casa mais cedo do Canal 23, onde apresentava um programa de notícias, por causa de uma queda de energia, segundo as informações da imprensa. Soto também era coprodutor do programa “Cuarto Poder” na Rádio Full FM.

O jornal hondurenho La Prensa informou que jornalistas locais questionaram se as recentes reportagens de Soto para o Canal 23 sobre questões como as frequentes e generalizadas quedas de energia em Olanchito, que é um assunto sensível para figuras do governo e companhias elétricas, poderiam estar ligadas ao crime. No entanto, dois jornalistas locais, que eram amigos de Soto e pediram para permanecer anônimos por temor de represálias, disseram ao CPJ que todos os meios de comunicação em Olanchito estavam reportando sobre os problemas elétricos, e disseram não acreditar que isso tenha levado alguém a ordenar seu assassinato.

Os dois jornalistas disseram que Soto era bem quisto e respeitado, e que ele teve o cuidado de não confrontar ou cruzar alguma linha  em suas reportagens. Ambos os jornalistas disseram ao CPJ que a imprensa local ficou perplexa com o crime e que estava questionando o motivo por trás dele. Um jornalista disse que uma das hipóteses era que o assassinato de Soto era uma mensagem para o Canal 23, porque outros jornalistas da estação haviam relatado criticamente sobre questões sensíveis como a corrupção e o crime organizado. Outra teoria é que os atiradores haviam confundido Soto com outro jornalista, que era seu vizinho e se parecia com ele, os dois repórteres disseram ao CPJ. Nenhum jornalista já tinha ouvido Soto dizer que havia recebido ameaças.

As autoridades locais disseram que eliminaram roubo como possível motivo, mas não acreditam que o crime esteja relacionado com as reportagens de Soto, de acordo com reportagens da imprensa.

Um clima de violência e impunidade generalizada fez de Honduras um dos países mais perigosos da região nos últimos anos, segundo a pesquisa do CPJ. Membros da imprensa hondurenha têm repetidamente enfrentado ataques e intimidação, particularmente jornalistas que cobrem tópicos sensíveis como tráfico de drogas, corrupção governamental, e disputas de terra. Investigações falhas e negligentes tornaram difícil determinar os motivos dos assassinatos de jornalistas, segundo a pesquisa do CPJ.

“As autoridades devem investigar profundamente o assassinato de Nery Francisco Soto Torres, inclusive a possibilidade de ligação com suas reportagens, e levar os responsáveis à justiça”, disse o vice-diretor do CPJ, Robert Mahoney. “O fato de os homicídios de jornalistas raramente serem solucionados em Honduras, e os motivos nunca estabelecidos, criou um clima de medo generalizado entre os jornalistas e debilitou a habilidade da imprensa de reportar sobre questões sensíveis”.

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