insta a investigar ataque contra jornalista

Estimado Sr. De León:

Pela presente o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma organização sem fins lucrativos radicada em Nova York que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo, manifesta sua inquietude pela suposta participação de agentes do Estado no ataque contra José Rubén Zamora, presidente do conselho editorial do diário elPeriódico, em junho de 2003. Nós o instamos a assegurar-se de que tais acusações sejam investigadas a fundo e que os responsáveis sejam levados à justiça.

Em 20 de janeiro, elPeriódico publicou um informe especial com os resultados de uma investigação conduzida por Zamora alegando que dois ex-integrantes do Estado Maior Presidencial (EMP), uma oficial de inteligência e um empregado da Procuradoria Geral, figuravam entre o grupo de homens armados que atacou Zamora e sua família em junho de 2003.

Em 24 de junho de 2003, 11 homens e uma mulher fortemente armados retiveram Zamora e sua família por duas horas. Os agressores, que se identificaram como agentes do Ministério Público, irromperam em sua casa, na Cidade da Guatemala, e o retiveram junto com sua família e empregadas domésticas por duas horas. Os agressores apontaram uma pistola para a cabeça de Zamora, o levaram para outro aposento e disseram que iriam executá-lo. Depois, após fazerem várias perguntas, levaram Zamora com as mãos amarradas e os olhos vendados ao quarto onde se encontrava sua família. O filho mais novo de Zamora, de 12 anos de idade, recebeu um golpe nas costelas; e o filho mais velho, de 24 anos, foi golpeado na cabeça ao tentar defender o irmão.

Antes de irem embora, os homens tomaram os cartões de crédito de Zamora e três armas de sua coleção. Eles disseram a Zamora que conheciam a rotina de sua família e que a matariam se ele denunciasse o fato. Um deles disse que Zamora “incomodava muito”, e que ele lhe devia 200 mil quetzales (25 mil dólares norte-americanos) por ter evitado que os demais homens do grupo o machucassem ou a sua família, e que não sabia qual era o problema que Zamora tinha com “a gente de cima”.

Pouco depois do ataque, Zamora manifestou ao CPJ que um grupo clandestino com vínculos com o Estado podia ter sido responsável pela agressão. A falta de resultados na investigação do governo obrigou Zamora a lançar uma pesquisa privada, cujos resultados foram publicados no elPeriódico. O informe sobre a investigação afirma que Edujives Funes Velásquez e Belter Armando Álvarez Castillo, ex-integrantes do EMP; Iris Edith Soto López, oficial de contra-inteligência; e Erick Johnston Barrera, empregado do seu escritório descrito por Zamora como próximo, supostamente integraram o grupo armado que atacou o jornalista e sua família.

O informe do diário foi resultado de investigações de jornalistas do plantel do elPeriódico, de um investigador particular estrangeiro contratado para a ocasião, e de um oficial militar nomeado pelo então presidente Alfonso Portillo para investigar o caso. Com a exceção de Johnston Barrera, que negou a sua participação no ataque em uma carta enviada ao diário Prensa Libre, os outros agentes do Estado nunca negaram publicamente as acusações, e as tentativas do diário de comunicar-se com eles antes de publicar o informe foram infrutíferas.

Depois de uma visita de cinco dias a Guatemala em outubro de 2003, o CPJ instou o governo guatemalteco a investigar a atuação de grupos clandestinos armados, desmantelar as atividades destes grupos e a por fim à impunidade que rodeia as ameaças e atos intimidantes contra jornalistas.

Estamos conscientes de que seu escritório criou uma comissão especial para investigar as acusações do diário, que são particularmente perturbadoras tendo em conta que agentes do Estado poderiam estar vinculados ao ataque contra Zamora. Conseqüentemente, o instamos a realizar uma exaustiva e rápida investigação e a levar os responsáveis à justiça.

Sinceramente,

Ann Cooper
Directora Executiva

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