O CPJ nomeia os piores opressores da Internet. Mianmar lidera a vergonhosa lista. Uma cultura de Internet efervescente em vários países da Ásia e do Oriente Médio provocou uma agressiva repressão governamental.
"Os blogueiros estão na vanguarda da revolução
informativa e seu número se expande rapidamente" disse o diretor executivo do
CPJ,

Baseando-se em uma combinação de detenções,
regulamentações e intimidações, as autoridades do Irã, Síria, Arábia
Saudita, Tunísia e Egito surgiram como líderes na oposição à
Internet no Oriente Médio e norte da África. China e Vietnã, onde
culturas desenvolvidas de blogueiros têm sido vítimas de monitoramentos e
exaustivas restrições, são os piores países para blogueiros na Ásia. Cuba
e Turcomenistão, nações onde o acesso à Internet está fortemente
limitado, completam a lista.
"Os governos nesta listagem estão tentando um
retrocesso na revolução da informação e, por agora, estão conseguindo",
acrescentou Simon. "Os grupos defensores da liberdade de expressão, os governos
preocupados, a comunidade online e as empresas de tecnologia devem se unir para
defender os direitos dos blogueiros no mundo".
O CPJ divulgou este informe para relembrar o
Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, e para destacar uma
importante ameaça emergente para a liberdade de imprensa no mundo. O CPJ
considera como jornalistas os blogueiros que cumprem uma tarefa informativa ou
que fazem comentários baseados em fatos. O CPJ apurou que em 2008 os blogueiros e outros jornalistas da Internet fizeram parte
do grupo profissional com mais pessoas encarceradas por seu trabalho, superando
pela primeira vez o número de jornalistas de meios de comunicação impressos e
audiovisuais na prisão.
Ao compilar esta lista, o CPJ estudou as
condições nas quais trabalham os blogueiros em países de todo o mundo. A equipe
do CPJ consultou peritos em Internet para desenvolver oito critérios que
incluem o uso, por parte dos governos, de sistemas de filtro, monitoramento e
regulamentação, o uso da detenção e outras formas de perseguição para dissuadir
blogueiros críticos por parte das autoridades, assim como o alcance e a
restrição do acesso à Internet.
A LISTA
1. MIANMAR

Em Mianmar, onde os meios de comunicação
impressos e audiovisuais estão fortemente censurados, o governo instrumentou amplas restrições sobre os blogs e outras
atividades na Internet. A penetração da internet privada é mínima - cerca de um
por cento, segundo o grupo de estudos sobre a internet OpenNet Initiative - assim, a maioria dos cidadãos deve acessar a Internet em cybercafés. As
autoridades regulam fortemente estes estabelecimentos requerendo, por exemplo,
que cumpram as regras de censura. O governo, que cortou completamente todo o
aceso à Internet durante um levante popular em 2007, tem a capacidade de
monitorar correios eletrônicos e outros métodos de comunicação, e de impedir
usuários de acessar sites de grupos que fazem parte da oposição política,
segundo a OpenNet Initiative. Atualmente, ao menos dois blogueiros estão presos.
Ponto baixo: o blogueiro
Maung Thura, conhecido como Zarganar, está cumprindo uma sentença de 59 anos de
prisão por ter divulgado imagens do ciclone Nargis, em 2008.
2. IRÃ
As autoridades detêm e perseguem, regularmente, os blogueiros que
escrevem críticas sobre figuras religiosas ou políticas, a revolução Islâmica
ou seus símbolos. O governo exige que todos os blogueiros registrem seus sites
no Ministério de Arte e Cultura. Funcionários públicos afirmam ter bloqueado
milhões de sites, segundo informações da imprensa. Recentemente, foi criada uma
promotoria especializada em temas de Internet que trabalha diretamente com os
serviços de inteligência. Um projeto de lei que está pendente permitiria que a
criação de blogs que promovessem "corrupção, prostituição e apostasia" se
tornasse um crime sujeito à pena de morte.
Ponto baixo: O blogueiro Omidreza
Mirsayafi, preso por ter insultado os líderes religiosos do país, morreu na
prisão de Evin em março sob circunstância que ainda não foram esclarecidas.
3. SÍRIA
O governo utiliza filtros para bloquear sites politicamente sensíveis.
As autoridades detêm os blogueiros por postarem conteúdo, ainda que de
terceiros, que considerem "falsos" ou prejudiciais à "unidade nacional". A
autocensura é generalizada. Em 2008, o Ministério das Comunicações ordenou que
os donos de cybercafés solicitassem identificação a todos os seus clientes,
registrassem seus nomes e tempo de uso da Internet, e entregassem a
documentação às autoridades regularmente. Grupos de direitos humanos observaram
que as autoridades detêm os blogueiros que consideram antigovernamentais.
Ponto baixo: Waed
al-Mhana, defensor de sítios arqueológicos em risco, está sendo processado por
ter postado material que criticava a demolição de um mercado na Antiga Damasco.
4. CUBA

Somente os funcionários
do governo e as pessoas que possuem laços com o Partido Comunista têm acesso à
Internet. A população geral se conecta à web em hotéis ou cybercafés
controlados pelo governo e o serviço é caro. Um reduzido número de blogueiros
independentes, como Yoani Sánchez, utiliza os blogs como ferramenta
para descrever questões da vida diária e também realizar críticas. Seus blogs
pertencem a domínios radicados fora do país,
que geralmente estão bloqueados na ilha. Dois blogueiros independentes disseram
ao CPJ que foram perseguidos pelas autoridades. Somente blogueiros pró-governo
podem postar seu material em sites domésticos que possuem fácil acesso.
Ponto baixo: O
governo mantém na prisão, atualmente, 21 jornalistas que eram parte da
vanguarda no jornalismo online no início da década. Estes repórteres, que foram
- com exceção de um - detidos em 2003, enviavam seu material a sites no
exterior por telefone ou fax.
5. ARÁBIA
SAUDITA
Aproximadamente 400 mil sites estão bloqueados no
reino, incluindo os que abordam temas políticos, sociais ou religiosos. A
autocensura é generalizada. Além de material "indecente", a Arábia Saudita
bloqueia "qualquer coisa contrária ao Estado ou ao seu sistema", um padrão que
tem sido livremente interpretado. Em 2008, clérigos influentes
instaram a criação de punições severas, como açoitamento ou morte, para
escritores que publiquem online material considerado herético.
Ponto baixo: O
blogueiro Fouad Ahmed al-Farhan foi encarcerado por vários meses, sem acusações,
em 2007 e 2008 por ter promovido reformas e a libertação de prisioneiros
políticos.
6. VIETNÃ
Os blogueiros tentaram,
com audácia, preencher com notícias independentes o vazio criado pelos meios de
comunicação tradicionais, controlados pelo Estado. O governo respondeu impondo
mais regulamentações. As autoridades pediram a empresas de tecnologia
internacionais, como Yahoo, Google e Microsoft, que entregassem informações
sobre os blogueiros que utilizam suas plataformas. Em setembro do ano passado,
o famoso blogueiro Nguyen Van Hai, conhecido
como Dieu Cay, foi sentenciado a 30 meses de prisão por evasão de impostos. As
investigações do CPJ indicam que as acusações foram apresentadas em represália
por seu trabalho como blogueiro.
Ponto baixo: Em outubro de
2008, o Ministério da Informação e Comunicação criou uma nova agência para
monitoramento da Internet.
7. TUNÍSIA
Os provedores de acesso à Internet devem entregar ao governo,
regularmente, os endereços IP e outras informações que permitam a identificação
dos blogueiros. Todo o tráfico da Internet passa por uma rede central que
permite ao governo filtrar o conteúdo e monitorar os correios eletrônicos. O
governo utiliza várias técnicas para intimidar os blogueiros: vigilância,
restrições aos movimentos dos blogueiros, e sabotagens
eletrônicas. Escritores online como Slim Boukhdhir e Mohamed
Abbou foram para a prisão por seu trabalho informativo.
Ponto baixo: Durante um
discurso, em março, o Presidente Zine El Abidine Ben Ali advertiu aos
escritores que não deviam examinar "os erros e as violações" do governo, descrevendo
a atividade como "indecorosa em nossa sociedade e não uma expressão de
liberdade ou democracia".
8. CHINA
Com quase 300 milhões de pessoas conectadas à Internet - mais do que
qualquer outro país do mundo - a China tem uma cultura digital efervescente.
Mas as autoridades chinesas também mantêm o programa mais completo de censura online, imitado por muitos outros países. O governo
conta com provedores de serviços para filtrar as buscas, bloquear sites
críticos, apagar o conteúdo inconveniente e monitorar o tráfico de correios
eletrônicos. Como a imprensa tradicional chinesa está sob rígido controle,
frequentemente são os blogueiros que revelam notícias em primeira mão e
proporcionam comentários provocativos. Os blogs, por exemplo, tiveram um papel
importante na divulgação de notícias sobre o terremoto de Sichuan, em 2008. Mas
os blogueiros que vão muito longe na promoção de pontos de vista pouco populares
ou que postam informações sensíveis podem terminar na prisão. Ao menos 24
repórteres que trabalhavam online estão encarcerados, segundo as apurações do
CPJ.
Ponto baixo: Em 2008, o
Escritório Nacional contra a Pornografia e as Publicações Ilegais anunciou que
havia eliminado mais de 200 milhões de conteúdos "danosos" da Internet durante
o ano.
9. TURCOMENISTÃO
O Presidente Gurbanguly Berdymukhammedov prometeu abrir seu isolado país
ao mundo através do acesso público à Internet. Mas quando o primeiro cybercafé
do país foi aberto em 2007, o local foi resguardado por soldados, as conexões
se tornaram irregulares, os preços por hora proibitivamente altos, enquanto as
autoridades monitoravam e bloqueavam o acesso a certos sites. A empresa de
telecomunicações russa MTS, que ingressou no Turcomenistão em 2005, começou a
oferecer acesso à Internet por telefones celulares em junho de 2008, mas os
contratos exigem que os clientes evitem sites críticos ao governo.
Ponto baixo: O provedor
estatal de serviços de internet, Turkmentelecom, bloqueia rotineiramente o
acesso a sites dissidentes ou de oposição, enquanto monitora as contas de
correio eletrônico registradas com Gmail, Yahoo e Hotmail.
10. EGITO

As autoridades bloqueiam um pequeno número de site, embora monitores
regularmente as atividades online. O tráfico de todos os provedores de serviços
de internet passa pela Telecom Egito, controlada pelo Estado. As autoridades
prenderam, regularmente, blogueiros críticos por tempo indeterminado. Grupos
locais de liberdade de imprensa documentaram a detenção de mais de 100
blogueiros somente em 2008. Ainda que a maioria tenha sido libertada após
curtos períodos, alguns permaneceram detidos durante meses, muitos sem ordens
judiciais. Quase todos os repórteres detidos disseram ter sofrido maus-tratos
e, alguns, tortura.
Ponto baixo: O blogueiro Abdel Karim Suleiman, conhecido online como
Karim Amer, está cumprindo uma sentença de quatro anos de prisão por ter
insultado o Islã e o Presidente Hosni Mubarak.
METODOLOGIA
Após consultar peritos em Internet, o CPJ desenvolveu oito perguntas
para avaliar as condições dos blogueiros no mundo. As perguntas são as
seguintes:
• Há blogueiros encarcerados no pais?
• Os blogueiros precisam enfrentar perseguição, ataques cibernéticos, ameaças, agressões ou outro tipo de
• Os
blogueiros se autocensuram
• O governo limita as conexões ou restringe o acesso à Internet?
• É solicitado que os blogueiros se registrem junto ao governo ou entreguem um nome e um endereço identificável antes de poder blogar
• O país tem regulamentações ou leis que possam ser utilizadas para censurar os blogueiros?
• O governo monitora os cidadãos que usam a Internet?
• O
governo
Usando estes critérios, os peritos regionais do CPJ nominaram uma série de países para a lista. A classificação final foi determinada através de uma votação da qual participaram pessoal do CPJ, assim como peritos externos à organização.

Delicious
Digg
Google
Reddit
StumbleUpon


