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Venezuela


Nova York, 26 de março de 2012 - A decisão de um tribunal venezuelano proibindo a imprensa de noticiar sobre contaminação da água sem o uso de um informe técnico aprovado pelo governo é uma clara tentativa das autoridades de censurar informações críticas, afirmou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Jornalistas no principal estúdio da Globovisión. Repórteres da emissora foram agredidos e ameaçados em um comício no domingo. (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Nova York, 6 de março de 2012--O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o ataque de domingo contra jornalistas da Globovisión que cobriam uma manifestação política da oposição na Venezuela que foi alvo de tiros. A rede de televisão informou que homens armados, que usavam camisetas vermelhas associadas aos partidários do presidente Hugo Chávez, ameaçaram jornalistas e roubaram seus equipamentos.

Em alguns países latino-americanos, meios de comunicação estatais são usados não apenas para propaganda, mas como plataformas para desacreditar críticos, incluindo jornalistas. Governos investiram na construção de redes multimídia para promover suas agendas. Por Carlos Lauría.

O governo do presidente Hugo Chávez Frías continua sua campanha sistemática para reprimir reportagens críticas por vias regulatórias, judiciais e legislativas. O órgão regulador de telecomunicações multou a Globovisión, única emissora de televisão crítica do país, em mais de US$2 milhões por sua cobertura dos letais motins em prisões em junho e julho. O órgão regulador invocou a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, uma das medidas mais restritivas da região. O Ministério Público instaurou processos criminais contra dois executivos de um semanário crítico referente a um artigo satírico e uma fotomontagem que mostravam mulheres do alto escalão do governo atuando em um "cabaré" dirigido por Chávez. O jornal foi fechado por um breve período, e um executivo permaneceu preso por quase três meses. O governo de Chávez usou sua ampla estrutura de meios de comunicações estatais para difundir propaganda política e realizar campanhas de difamação contra seus críticos. A declaração de Chávez de que médicos cubanos encontraram e removeram um tumor cancerígeno alimentou especulações sobre o futuro político do país, uma vez que as eleições de outubro de 2012 se aproximam. As informações oficiais sobre o estado de saúde do presidente foram escassas e tratadas como se fosse um segredo de Estado.

Nova York, 30 de agosto de 2011 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está preocupado com as ações penais ainda pendentes contra dois executivos do jornal venezuelano 6to Poder, mas saúda a decisão da uma juíza que permite que a publicação do semanário seja retomada. Há uma semana, o proprietário e a diretora do periódico foram acusados de instigação pública ao ódio, insulto a funcionário público e ofensa pública em razão de gênero.

Nova York, 24 de agosto de 2006--O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o fechamento do jornal venezuelano 6to Poder depois que, na segunda-feira, uma juíza ordenou a proibição de sua distribuição. O proprietário e a diretora do semanário foram acusados de instigação pública ao ódio, insulto a funcionário público e ofensa pública em razão de gênero, após o diário publicar um artigo de humor sobre funcionários do governo, segundo informou a imprensa local.

Nova York, 20 de maio de 2011 - Wilfred Iván Ojeda, colunista de jornal e político venezuelano, foi morto a tiros na terça-feira na cidade de La Victoria, estado de Aragua, segundo as informações da imprensa. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou as autoridades a realizar uma investigação completa e a processar todos os responsáveis.

Na América Latina, a volta da censura

O jornal venezuelano El Nacional deixa espaço em branco para uma imagem que o governo não permitiria. (Reuters/Jorge Silva)

Por Carlos Lauría

Como uma ilustre família de políticos no Estado do Maranhão no poder há mais de 40 anos, os Sarney estão acostumados a chegar a onde querem na vida pública brasileira. Assim, quando em junho de 2009 O Estado de S. Paulo, um dos principais jornais de circulação nacional, publicou denúncias que ligavam José Sarney, então presidente do Senado e ex-presidente do país, ao nepotismo e à corrupção, o clã político não ficou de braços cruzados. Os Sarney recorreram a um juiz em Brasília e conseguiram uma liminar contra O Estado, proibindo o jornal de publicar outras reportagens sobre as alegações. Dezoito meses depois, ao fim de 2010, a proibição continuava em vigor, apesar de críticas nacionais e internacionais.

Principais Acontecimentos
• Cresce a censura: RCTV novamente interditada, jornais impedidos de usar fotos de crimes.
• Novos regulamentos restringem conteúdo online, e estreitam o controle sobre licenças de radiodifusão.

Estatística em Destaque
1.300: horas de discursos presidenciais foram transmitidas entre 1999 e 2010.


Lançando mão de todas as ferramentas à disposição do poder, o presidente Hugo Chávez Frías deu continuidade à sua campanha agressiva para silenciar a imprensa crítica. Nos últimos dias do mandato da Assembleia Nacional, o governo de Chávez fez valer medidas para restringir o conteúdo divulgado na Internet e estreitar o controle sobre as licenças de radiodifusão. Contando com tribunais politizados, o governo impediu que dois jornais de grande circulação publicassem fotos da criminalidade e da violência no período que antecedeu as eleições legislativas em setembro. E, por meio de uma série de medidas regulatórias politicamente motivadas, o governo intimidou uma emissora crítica, a Globovisión, e tirou a RCTV Internacional do ar.

Chávez (AP)

Nova York, 21 de dezembro de 2010 - O presidente Hugo Chávez Frías deve vetar duas leis para regular a internet e as telecomunicações que poderiam promover uma maior censura e limitar seriamente a liberdade de expressão na Venezuela, afirmou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas. Ambas as leis foram aprovadas na segunda-feira pela Assembleia Nacional.

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Pesquisador Associado:
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