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Brasil

2013



Por Sara Rafsky/ Pesquisadora Associada do Programa das Américas

(Courtesy of Diário Popular)

Um mês após seu colega Rodrigo Neto ser morto a tiros na rua depois de comer em uma popular barraca de churrasquinho, os jornalistas do Vale do Aço, no Brasil, ficaram indignados. Denunciando uma investigação lenta e a possibilidade de envolvimento da polícia no assassinato, eles colocaram faixas pretas nos seus pulsos em sinal de solidariedade, usaram camisetas com o seu nome, e tomaram as ruas para exigir justiça. Seis dias depois, Walgney Assis Carvalho, um fotógrafo que alegou ter informações sobre o crime, foi baleado duas vezes nas costas por um assassino mascarado quando se sentou em um pesque-pague. Os jornalistas do Vale do Aço ainda estão indignados, mas agora eles estão aterrorizados.

Nova York, 15 de abril de 2013 - As autoridades brasileiras devem levar à justiça os envolvidos no assassinato de um fotojornalista da editoria de polícia na noite de domingo, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Walgney Assis Carvalho era um repórter fotográfico freelance que colaborava com o jornal Vale do Aço no estado de Minas Gerais, região sudeste do país.

Nova York, 8 de março de 2013 - As autoridades brasileiras devem investigar imediatamente o assassinato de um jornalista ocorrido hoje e levar os responsáveis à justiça, declarou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Carlos Lauría, esquerda, e Mauri König encontram o presidente do STF brasileiro, Joaquim Barbosa, na quarta-feira como parte da missão do CPJ ao Brasil. (Supremo Tribunal Federal)

Carlos Lauría / Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ

"Deixe-me em paz. Vai chafurdar no lixo" disse em um acesso de raiva o presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro, Joaquim Barbosa, a um repórter de um dos principais jornais nacionais, O Estado de São Paulo, que tentou lhe fazer uma pergunta na terça-feira em uma reunião do Conselho Nacional de Justiça em Brasília, capital do país. Atordoado pela reação de Barbosa, o jornalista exigiu uma explicação. "Você é um palhaço", foi a resposta que recebeu do presidente do mais alto tribunal do Brasil.

Nova York, 25 de fevereiro de 23013 - Um radialista que frequentemente denunciava crimes em seu programa foi morto a tiros na sexta-feira no nordeste do Brasil, segundo as informações da imprensa. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o assassinato e pede às autoridades que realizem uma investigação completa e levem os responsáveis pelo crime à justiça.

Os assassinatos de dois blogueiros assinala uma onda de violência letal contra a imprensa Por John Otis

(AFP/Yasuyoshi Chiba)

Embora o perfil internacional do Brasil tenha se mantido em ascensão, o governo sistematicamente deixou de expressar liderança em questões relacionadas à liberdade de imprensa. A violência contra jornalistas aumentou, com quatro assassinatos diretamente relacionados ao exercício da profissão; também piorou a posição do Brasil no Índice de Impunidade do CPJ, que destaca os países onde jornalistas são assassinados com regularidade e as autoridades não se mostram capazes de solucionar os crimes. Juntamente com a Índia e o Paquistão - dois outros países mal classificados no Índice de Impunidade - o Brasil levantou objeções à abrangente proposta da UNESCO para ajudar as nações a combater a impunidade e proteger jornalistas. Em face de fortes críticas, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti mais tarde manifestou amplo apoio à liberdade de imprensa e a elementos do plano da UNESCO. Entretanto, o compromisso do governo com a liberdade de expressão foi posto à prova em outra importante questão internacional. O Brasil apoiou uma iniciativa liderada pelo Equador para enfraquecer a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o órgão de monitoramento de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos, e sua relatoria especial para a liberdade de expressão. Em dezembro, Mauri König, repórter investigativo e ganhador do Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do CPJ, deixou o país após receber ameaças de morte por suas reportagens sobre corrupção policial. O governo da presidente Dilma Rousseff apoiou duas iniciativas que promovem o direito púbico à informação. Rousseff assinou uma lei de acesso à informação e criou uma comissão para investigar os abusos contra os direitos humanos cometidos durante a ditadura militar no país, entre 1964 e 1985.

Tribunal ordena que Lúcio Flávio Pinto pague mais de 200 mil dólares em danos (AP/Silvia Izquierdo)

Nova York, 31 de janeiro de 2013 - A decisão que obriga o jornalista Lúcio Flávio Pinto a pagar mais de US$ 200.000 em indenização relacionada a um processo por difamação deve ser revertida por um tribunal de recursos brasileiro, disse hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas. O repórter, que inicialmente foi considerado responsável no final de 2012, perdeu na apelação em uma decisão divulgada em 23 de janeiro.

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