Américas

2011

Ataques contra a imprensa   |   Argentina, Brasil, Colombia, Cuba, Equador, Estados Unidos, Haiti, Honduras, México, Venezuela

Ataques à Imprensa em 2010: Análise Américas

Na América Latina, a volta da censura

O jornal venezuelano El Nacional deixa espaço em branco para uma imagem que o governo não permitiria. (Reuters/Jorge Silva)

Por Carlos Lauría

Como uma ilustre família de políticos no Estado do Maranhão no poder há mais de 40 anos, os Sarney estão acostumados a chegar a onde querem na vida pública brasileira. Assim, quando em junho de 2009 O Estado de S. Paulo, um dos principais jornais de circulação nacional, publicou denúncias que ligavam José Sarney, então presidente do Senado e ex-presidente do país, ao nepotismo e à corrupção, o clã político não ficou de braços cruzados. Os Sarney recorreram a um juiz em Brasília e conseguiram uma liminar contra O Estado, proibindo o jornal de publicar outras reportagens sobre as alegações. Dezoito meses depois, ao fim de 2010, a proibição continuava em vigor, apesar de críticas nacionais e internacionais.

fevereiro 15, 2011 12:54 AM ET

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Ataques contra a imprensa   |   Argentina

Ataques à Imprensa em 2010: Argentina

Principais Acontecimentos
• Kirchner acusa dois jornais de conspiração com a ditadura militar em 1976.
• Legislação restringiria a propriedade de fábricas de papel-jornal pelos meios de comunicação.

Estatística em Destaque
400: páginas de um relatório governamental acusam os grupos de comunicação Clarín e La Nación de conspiração com ditadores.


A administração da presidente Cristina Fernández de Kirchner acusou os principais executivos dos dois maiores jornais do país, Clarín e La Nación, de conspirarem com o antigo regime militar para cometer crimes contra a humanidade, denúncias que aumentaram dramaticamente a tensão existente entre o governo e a mídia. Em uma reivindicação tão controversa quanto agressiva, Kirchner solicitou aos tribunais que determinassem se houve conspiração dos jornais com a ditadura para forçar a venda de uma fornecedora de papel-jornal em 1976. O conflito aprofundou as diferenças existentes dentro da própria imprensa, com jornalistas tomando partido em relação às políticas e táticas do governo. Programas de entrevistas sobre política nos meios de comunicação estatal reprovaram as críticas feitas ao governo pela mídia. Segundo analistas, o espaço para um jornalismo ponderado e imparcial reduziu-se significativamente.

fevereiro 15, 2011 12:48 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Brasil

Ataques à Imprensa em 2010: Brasil

Principais Acontecimentos
• Censura judicial excessiva; decisão proíbe jornal de cobrir denúncias de corrupção.
• Condenações por assassinato de jornalista constituem avanço na luta contra a impunidade.

Estatística em Destaque
398: solicitações de remoção de conteúdos online foram feitas ao Google por autoridades brasileiras nos seis primeiros meses de 2010.


Dando continuidade a uma tendência de censura imposta por tribunais, juízes de primeiras instâncias proibiram dezenas de meios de comunicação de cobrirem alguns dos mais importantes temas da atualidade, incluindo questões envolvendo as eleições gerais de outubro, administração e integridade públicas. O jornal de circulação nacional O Estado de S. Paulo enfrentou, durante o ano, uma ordem de censura que impediu o jornal e seu site na Internet de divulgarem reportagens sobre as investigações de corrupção envolvendo a família do presidente do Senado, José Sarney. Um repórter foi assassinado em represália por seu trabalho, enquanto outros jornalistas e profissionais de meios de comunicação que atuam fora dos grandes centros urbanos sofreram ataques enquanto cobriam temas políticos e relacionados à corrupção.

fevereiro 15, 2011 12:44 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Colombia

Ataques à Imprensa em 2010: Colômbia

Principais Acontecimentos
• Lento progresso na investigação de espionagem ilegal contra jornalistas.
• Um jornalista assassinado. A violência letal diminuiu, mas o perigo permanece.

Estatística em Destaque
4: jornalistas do interior são forçados ao exílio devido a ameaças.


O presidente Álvaro Uribe Vélez terminou seus dois mandatos no cargo com um histórico contraditório no que se refere à liberdade de imprensa. As investigações do CPJ mostram uma queda na violência letal durante a sua administração: oito jornalistas foram mortos em represália direta ao seu trabalho nos dois primeiros anos de mandato, enquanto seis morreram durante os seis anos restantes. Como razões para o decréscimo, o governo citou um programa de proteção a jornalistas e uma melhoria geral na segurança.

fevereiro 15, 2011 12:40 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Cuba

Ataques à Imprensa em 2010: Cuba

Principais Acontecimentos
• Cuba faz concessões em relação aos presos políticos e liberta 17 jornalistas. Quatro ainda estão presos.
• No exílio, jornalistas libertados enfrentam dificuldades econômicas e profissionais.

Estatística em Destaque
45: é o número de poemas que o jornalista e ex-preso político Ricardo Gonzalez Alfonso escreveu e vazou da prisão.


Depois de anos de intensas campanhas e diplomacia internacional, 17 jornalistas independentes detidos durante a investida do governo contra a dissidência em 2003, conhecida como Primavera Negra, foram finalmente libertados de sua prisão injusta e desumana. A Igreja Católica, com participação de funcionários do governo espanhol, fechou um acordo em julho com o governo do Presidente Raúl Castro Ruz para a libertação das 52 pessoas que ainda permaneciam presas sete anos após a repressão em massa contra a dissidência política e o jornalismo independente. O acordo, como esboçado pela Igreja, requeria a libertação de todos os detidos na Primavera Negra em um prazo de quatro meses, mas três jornalistas e vários outros dissidentes, aparentemente hesitantes quanto à insistência de Cuba para que deixassem o país em troca da liberdade, permaneciam na prisão no final do ano. Um quarto jornalista, preso em 2009, também permanecia detido.

fevereiro 15, 2011 12:39 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Estados Unidos

Ataques à Imprensa em 2010: Estados Unidos

Principais Acontecimentos
• Forças Armadas dos Estados Unidos ignoram pedido de investigação de assassinato de 16 jornalistas no Iraque.
• Sob a Lei Pearl, o Departamento de Estado poderá monitorar a liberdade de imprensa em todo o mundo.

Estatística em Destaque
14: jornalistas presos pelas forças militares norte-americanas por longos períodos de tempo sem acusação, entre 2004 e 2010.


Em dois importantes avanços, o Congresso aprovou uma legislação para poder acompanhar a liberdade de imprensa em todo o mundo, enquanto forças militares libertaram um jornalista iraquiano que estava preso sem acusação há 17 meses. Mas funcionários obstruíram um fotojornalista que cobria um grande derramamento de óleo no Golfo do México e repórteres que documentavam um processo judicial militar na Baía de Guantánamo, em Cuba. Um vídeo de militares norte-americanos, divulgado pelo site WikiLeaks, levantou questões sobre se as tropas dos Estados Unidos agiram de forma correta quando atiraram e mataram um jornalista iraquiano e seu assistente em 2007.

fevereiro 15, 2011 12:38 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Equador

Ataques à Imprensa em 2010: Equador

Principais Acontecimentos
• Jornalistas atacados e emissoras censuradas durante insurreição da polícia.
• Administração de Correa ordena que emissoras transmitam cadeias oficiais do governo.

Estatística em Destaque
6: horas durante as quais as emissoras de rádio e televisão receberam ordem de suspender a programação e transmitir o sinal do canal estatal durante a rebelião policial.


A administração do Presidente Rafael Correa usou o poder de censura durante todo o ano para suplantar os comentários e notícias independentes. Autoridades forçaram emissoras críticas ao governo a interromper seus programas de notícias para a transmissão de cadeias oficiais. E em setembro, quando centenas de policiais protagonizaram violentos protestos em todo o país contra a decisão do governo de reduzir benefícios salariais, o Secretário das Comunicações ordenou que as emissoras interrompessem suas próprias reportagens para transmitir a programação do canal estatal Equador TV.

fevereiro 15, 2011 12:37 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Haiti

Ataques à Imprensa em 2010: Haiti

Principais Acontecimentos
• Jornalistas persistem depois de terremoto, trabalhando em tendas e em suas próprias residências.
• Dezenas de repórteres desempregados. O setor impresso sofreu perdas consideráveis.

Estatística em Destaque
95: por cento das estações de rádio saíram do ar por causa do terremoto de janeiro. A maioria havia voltado ao ar no final do ano.


Refletindo a devastação que atingiu toda a sociedade haitiana, a imprensa sofreu grandes perdas no terremoto de magnitude 7.0 na escala Richter ocorrido no oeste da capital, Porto Príncipe, na tarde do dia 12 de janeiro. Mais de 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhões ficaram desabrigadas, de acordo com estimativas oficiais. Escritórios do governo, escolas, hospitais e bairros inteiros foram reduzidos a ruínas, assim como a maior parte da infraestrutura da qual os meios noticiosos dependem. Mais de 95 por cento das estações de rádio comunitárias e comerciais - a fonte primária de notícias no Haiti - saíram do ar porque seus equipamentos e instalações sofreram sérios danos, segundo informou Joseph Guyler Delva, presidente do grupo local de liberdade de imprensa SOS Journalistes. As perdas humanas também foram enormes. Ao menos 30 jornalistas morreram no terremoto e no período posterior a ele, informou o SOS Journalistes.

fevereiro 15, 2011 12:34 AM ET

Ataques contra a imprensa   |   Honduras

Ataques à Imprensa em 2010: Honduras

Principais Acontecimentos
• Onda de assassinatos de jornalistas ocorre em uma atmosfera politizada e de ilegalidade.
• Em investigações de assassinatos, as autoridades são negligentes e indiferentes.

Estatística em Destaque
3: meses se passaram entre o assassinato de Nahúm Palacios Arteaga e o momento em que as autoridades realizaram a autópsia.


Seis jornalistas foram assassinados no breve espaço de sete semanas, e outros três no final do ano, em uma onda de homicídios que se tornou ainda mais chocante devido à resposta descuidada e indiferente do governo. O trabalho de investigação negligente e inapto rendeu a prisão de apenas dois suspeitos em todos os assassinatos, e um juiz rapidamente rejeitou as acusações contra eles. O CPJ apurou que pelo menos três das vítimas foram assassinadas em represália direta por seu trabalho, e continuou investigando os outros casos até o final do ano.

fevereiro 15, 2011 12:33 AM ET
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