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Autoridades venezuelanas tiram do ar canal que informou sobre protestos

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Bogotá, 13 de fevereiro de 2014 - As autoridades venezuelanas tiraram do ar um canal de notícias colombiano que informou sobre os protestos antigovernamentais que deixaram três mortos e dezenas de feridos, segundo informaram o canal e a imprensa.

Claudia Gurisatti, diretora da estação a cabo de notícias 24 horas NTN24, afirmou que o canal descobriu na tarde de quarta-feira que a CONATEL, órgão que regula as telecomunicações, havia emitido um comunicado ordenando a DirecTV e Movistar, as duas provedoras de cabo que transmitem o canal na Venezuela, que tirassem a NTN24 do ar.

Idania Chirinos, diretora de conteúdo da NTN24 e jornalista venezuelana, disse que não sabia quando ou se o canal poderia voltar ao ar na Venezuela. As reportagens do canal podem ser vistas através do Twitter, Facebook e YouTube, segundo afirmou Carlos Correa, diretor da organização de liberdade de expressão Espaço Público. Correa assinalou que o site do canal havia sido atacado por hackers e não esteve disponível por um breve período na quarta-feira.

O NTN24 é de propriedade do grupo de rádio e televisão RCN da Colômbia e transmite em todo o continente. O canal proporciona cobertura completa sobre a Venezuela e é frequentemente crítico ao governo socialista do país. "Abertamente, é uma censura à imprensa livre, um atropelo ao direito que têm os cidadãos de informar-se e um atentado à liberdade de expressão", declarou Gurisatti em comunicado.

NTN24 foi a única emissora disponível para a audiência televisiva na Venezuela que realizou uma cobertura extensiva e ao vivo dos protestos, disse Correa ao CPJ. Quase todas as emissoras de televisão na Venezuela, que estão controladas ou alinhadas com o governo do presidente Nicolás Maduro, ignoraram os protestos das ruas que foram instigados por estudantes universitários esta semana e que ocorreram em diferentes cidades. O site de notícias inglês Caracas Chronicles destacou que enquanto a Praça Venezuela no centro de Caracas estava repleta de manifestantes na quarta-feira, os principais canais de televisão transmitiam programas de entretenimento como "La Bomba".

A CONATEL não divulgou nenhum comunicado público sobre o NTN24, mas emitiu uma declaração na terça-feira indicando que as emissoras de rádio e televisão que cobrissem os protestos poderiam violar a restritiva Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, que proíbe emitir informes ou imagens que "incitem ou promovam o ódio" ou "fomentem a ansiedade dos cidadãos ou alterem a ordem pública".

No passado, a CONATEL se concentrou nas emissoras venezuelanas, mas agora está podendo dar atenção aos canais estrangeiros, que realizam cobertura independente e crítica sobre o governo de Maduro, afirmou Correa.

"Não satisfeito em reprimir as poucas vozes críticas que restam na Venezuela, o governo do presidente Nicolás Maduro está agora se dirigindo contra os meios de comunicação estrangeiros que realizam cobertura crítica sobre sua administração", afirmou em Nova York o coordenador sênior do programa das Américas, Carlos Lauría. "As autoridades venezuelanas devem restaurar imediatamente o sinal do canal NTN24 na Venezuela, deixar de censurar fontes de notícias que contradizem a narrativa oficial, e assegurar que os venezuelanos possam ter acesso à informação vital sobre o que está ocorrendo no país".

Os manifestantes antigovernamentais parecem ter sido responsáveis também por atos de violência na quarta-feira. Karen Méndez, da televisão RT de Moscou se preparava para transmitir ao vivo do telhado da televisão estatal VTV quando teve que se abrigar de um tiroteio, segundo as informações da imprensa. Mais tarde ela alegou que os agressores eram supostos aliados da oposição.

Em um comunicado, a CONATEL assinalou que os manifestantes constituíam uma "horda violenta" que havia destruído a entrada de sua sede principal.

A pressão sobre os poucos meios independentes que restam na Venezuela se intensificou nos últimos meses. O governo de Maduro utilizou uma série de táticas, incluindo limitar o acesso ao papel diário, ordenar aos provedores de serviços de internet que bloqueiem sites que publicam a taxa de câmbio do mercado negro, e suprimir informações sobre a crise econômica, para silenciar as vozes críticas, segundo as pesquisas do CPJ.

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