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México retira acusações de tentativa de assassinato de Blancornelas

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Nova York, 6 de setembro de 2013 - O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está indignado com a decisão de um juiz mexicano de rejeitar as acusações contra Marco Quiñones Arturo Sánchez, um dos pistoleiros implicado na tentativa de assassinato em 1997 de J. Jesús Blancornelas, fundador e ex-editor do semanário Zeta, de Tijuana. Os editores do Zeta disseram ao CPJ que foram informados da decisão na segunda-feira.

"É profundamente preocupante que depois de anos de investigação, as autoridades tenham rejeitado as acusações contra Quiñones", disse Carlos Lauria, coordenador sênior do programa das Américas do CPJ. "O Zeta tem sido alvo constante de grupos criminosos por sua implacável cobertura sobre o tráfico de drogas. Esta decisão envia uma mensagem claramente inibidora para a imprensa mexicana e destaca o péssimo desempenho do país em matéria de impunidade em assassinatos de jornalistas."

Um grupo de pistoleiros emboscou Blancornelas quando ele estava a caminho do trabalho, pouco depois de o semanário publicar uma investigação sobre o narcotráfico. Blancornelas sobreviveu ao atentado, mas seu guarda-costas, Luis Valero, foi morto, segundo a pesquisa do CPJ. Um dos pistoleiros morreu durante o atentado.

Mais tarde as autoridades identificaram os pistoleiros como membros do cartel de droga de Tijuana e Quiñones como um dos agressores que tentou matar Blancornelas. A cobertura do Zeta sobre o ataque, baseada na investigação da Procuradoria Geral da República, também concluiu   que Quiñones foi um dos pistoleiros.

Não estão claras as razões pelas quais o juiz decidiu rejeitar a acusação contra Quiñones, que foi preso e acusado de participar do crime em 2003, e que continuará na prisão por ter sido condenado em 2012 a 12 anos de prisão por acusações relacionadas ao crime organizado.

Blancornelas faleceu por causas naturais em novembro de 2006.

A violência associada ao tráfico de drogas e ao crime organizado converteu o México em um dos países mais perigosos do mundo para a imprensa, segundo a pesquisa do CPJ. Ao menos 50 jornalistas foram assassinados ou desapareceram desde 2007. Em ao menos 14 casos o CPJ confirmou uma relação direta com o exercício do jornalismo.

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