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Jornalistas atacados e detidos durante protestos no Brasil

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Pelo menos 25 jornalistas disseram que foram atacados ou brevemente detidos enquanto cobriam os protestos que se espalharam por todo o Brasil. (AFP/Tasso Marcelo)

Nova York, 21 de junho de 2013 - Pelo menos 25 jornalistas relataram terem sido atacados ou detidos durante os protestos que varreram o Brasil nas duas últimas semanas, crescendo do descontentamento em São Paulo sobre aumentos de tarifa de transporte público para as manifestações mais amplas em todo o país contra as políticas do governo.

"Os jornalistas que cobrem os protestos em massa no Brasil estão realizando uma função democrática fundamental, informando os cidadãos brasileiros sobre eventos de profundo interesse público", disse Carlos Lauria, coordenador sênior do programa do CPJ para as Américas. "Tanto a polícia como os manifestantes devem respeitar o seu trabalho e permitir que continuem exercendo a profissão sem interferência. As autoridades devem garantir a segurança de todos os jornalistas que cobrem os protestos e deve investigar minuciosamente todos os ataques".

 

Pelo menos 15 jornalistas informaram terem sido atacados no dia 13 de junho quando a polícia militar reprimiu os manifestantes em São Paulo, de acordo com a associação local de jornalistas investigativo ABRAJI. Dois foram atingidos no olho com balas de borracha disparadas pela polícia. Reportagens relatam que tanto Giuliana Vallone, repórter da Folha de S. Paulo, como Sérgio Andrade da Silva, fotógrafo para Futura Press Agency, foram internados por suas lesões oculares.

 

Pedro Vedova, repórter da GloboNews, disse que foi atingido na cabeça por uma bala de borracha disparada pela polícia enquanto cobriam protestos na cidade de Rio de Janeiro em 20 de junho, de acordo com reportagens da imprensa. Ele buscou tratamento em um hospital local por uma ferida na testa, segundo as informações. Um oficial de segurança, em 19 de junho, desferiu socos e chutes em Vladimir Platonow, repórter da Agência Brasil, em um terminal de ônibus em Niterói, Rio de Janeiro, onde o jornalista foi documentar os manifestantes que fugiam da polícia, de acordo com reportagens da imprensa. Platonow não foi hospitalizado por quaisquer ferimentos. Um porta-voz do terminal de ônibus disse que o agressor não era funcionário da empresa.

 

Policiais militares também detiveram pelo menos cinco jornalistas que cobriam os protestos. A ABRAJI informou que Piero Locatelli, repórter da revista Carta Capital, e Fernando Borges, fotógrafo de Terra, foram detidos no dia 13 de junho, e Leandro Machado, repórter do diário nacional Folha de S.Paulo, e Leandro Morais, fotógrafo do site de notícias Universo Online, foram detidos em 11 de junho. Segundo reportagens, Pedro Ribeiro Nogueira, repórter do site Portal Aprendiz, que havia sido detido em 11 de junho, foi libertado após ter sido mantido preso por dois dias.

 

Jornalistas, principalmente aqueles que trabalham para grandes redes de TV, incluindo a Globo, também foram alvo de manifestantes que criticaram a cobertura dos eventos. Reportagens informaram que em 17 de junho, Caco Barcellos, repórter da Globo, foi cercado por manifestantes em São Paulo, que o impediram de cobrir a manifestação. Em 13 de junho, os manifestantes atiraram pedras em Vandrey Pereira, também repórter da Globo, forçando o jornalista a deixar o protesto, segundo a imprensa.

 

A imprensa noticiou que em 20 de junho, os manifestantes atearam fogo em veículos das redes de TV SBT, no Rio de Janeiro, e TV Bandeirantes, na cidade de Natal, e que em 18 de junho, os manifestantes jogaram vinagre no rosto de Rita Lisauskas, jornalista da TV Bandeirantes. As notícias não relataram ferimentos graves. A imprensa também informou que os manifestantes atearam fogo em uma van pertencente à rede Record de televisão em 18 de junho em São Paulo.

 

Um aumento acentuado da violência letal ao longo dos últimos dois anos tornou o Brasil um dos países mais perigosos para jornalistas em todo o mundo, segundo a pesquisa do CPJ. Em 2013, o Brasil foi o 10 º pior país no Índice de Impunidade do CPJ, que destaca os países onde os jornalistas são assassinados regularmente e os assassinos em liberdade. O país também foi nomeado para Lista de Países Riscos do CPJ, que identificou 10 locais onde a liberdade de imprensa sofreu em 2012.

 

  • Para mais informações sobre o Brasil, visite a página do CPJ sobre o país.

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