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Jornalistas da Globovisión agredidos quando cobriam manifestação na Venezuela

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Jornalistas no principal estúdio da Globovisión. Repórteres da emissora foram agredidos e ameaçados em um comício no domingo. (Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Nova York, 6 de março de 2012--O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condena o ataque de domingo contra jornalistas da Globovisión que cobriam uma manifestação política da oposição na Venezuela que foi alvo de tiros. A rede de televisão informou que homens armados, que usavam camisetas vermelhas associadas aos partidários do presidente Hugo Chávez, ameaçaram jornalistas e roubaram seus equipamentos.

Jornalistas da Globovisión, a única rede noticiosa crítica de TV que permanece no ar, estavam cobrindo o ato do candidato político de oposição Henrique Capriles Radonski em San José de Cotiza, um bairro de Caracas. A passeata foi interrompida por homens armados que dispararam, como mostra o vídeo da Globovisión. Capriles, que enfrentará Chávez nas eleições presidenciais de 7 de outubro, foi imediatamente transportado em um veículo para um local seguro, segundo as informações da imprensa.

Depois que a equipe da Globovisión filmou o tiroteio, homens armados se aproximaram da jornalista Sasha Ackerman e do cinegrafista Frank Fernández. Ackerman afirmou que os homens vestiam camisetas vermelhas associadas aos membros do Partido Socialista Unido da Venezuela, um grupo governista.

Fernandes tentou refugiar-se dentro de uma casa, mas os homens entraram e roubaram seu equipamento sob a mira de uma pistola, informou a Globovisión. "Ameaçaram o cinegrafista Frank Fernández e a mim com uma pistola", disse Ackerman à rede. "[Nos roubaram] a câmera, o microfone, e o rádio. Terminamos entregando todo o equipamento, inclusive as fitas onde gravamos... imagens que tínhamos do tiroteio".

Em um comunicado na segunda-feira, a Globovisión afirmou: "não eram criminosos comuns. Os responsáveis estavam vestindo camisetas vermelhas que identificam uma tendência política. Além disso, era um grupo organizado e armado que disparou contra pessoas".

"Este tipo de censura sob a mira de uma arma não é um bom presságio para os jornalistas que informam sobre a crucial eleição presidencial que se aproxima", disse Robert Mahoney, subdiretor do CPJ. "As autoridades devem demonstrar que não vão tolerar intimidações escandalosas contra a imprensa e iniciar uma investigação completa sobre o ataque contra os jornalistas da Globovisión".

O filho de Ismael García, proeminente político de oposição, foi atingido por um tiro no pulso durante o tiroteio, e outras quatro pessoas também ficaram feridas, segundo as informações da imprensa.

Tareck el-Aissami, ministro da Justiça, disse no domingo que as autoridades estavam investigando o ataque, mas alegou que a oposição foi responsável pelo tiroteio, segundo o noticiário. "Montaram este show", afirmou el-Aissami, segundo a The Associated Press. Outros funcionários públicos afirmaram que os guarda-costas de Capriles iniciaram os disparam e feriram as pessoas, de acordo com informações veiculadas pela imprensa.

Os jornalistas da Globovisión foram ameaçados e agredidos por partidários do governo em várias ocasiões, o que motivou uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos recomendando que a Venezuela forneça proteção à rede e a seus repórteres, informou a Globovisión. A rede tem mantido uma dura disputa com Chávez e seu governo, do qual se mostra crítica. Em outubro, o organismo regulador de telecomunicações multou a Globovisión em mais de dois milhões de dólares por supostamente violar a lei de responsabilidade social em rádio e televisão por suas informações sobre uma rebelião com fatalidades em presídios em julho e junho.

A Globovisión é o único canal de TV crítico ao governo Chávez de permanece no ar.   Outro canal de oposição, a RCTV, foi obrigado a sair em cabo e por satélite em 2010 após a revogação de sua licença em 2007.

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