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Mais dois jornalistas cubanos libertados chegam à Espanha

Os jornalistas libertados Normando Hernández González (direita) e Omar Rodríguez Saludes se abraçam em sua chegada a Madri (AP/Arturo Rodríguez)

Nova York, 14 de julho de 2010 - Mais dois jornalistas cubanos foram liberados da prisão e voaram para Madri hoje, um dia depois da chegada de seis colegas, como parte de uma extensa libertação de dissidentes encarcerados pelo governo cubano.

Omar Rodríguez Saludes e Normando Hernández González, jornalistas cubanos presos em março de 2003, chegaram com suas famílias por volta das 13h00 (hora local) em um voo da Ibéria, de acordo com os informes da imprensa. Ambos os repórteres foram levados a um hotel no bairro de Vallecas, em Madri, onde se reuniram aos seis colegas que haviam sido libertados e enviados para a Espanha na terça-feira, segundo a agência de notícias Europa Press.

Em entrevista por telefone ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Hernández disse que ainda estava em choque por sua libertação e posterior transferência para a Espanha. "Não há palavras para descrever a alegria e emoção que senti quando me vi livre e junto de minha esposa e filha novamente", disse Hernández, cuja saúde foi severamente afetada pelas desumanas condições de encarceramento.

Rodríguez disse ao CPJ que estava muito feliz, mas ainda profundamente afetado pelos seus sete anos de prisão. Ambos os repórteres expressaram profunda tristeza por terem que abandonar seu país de origem. "Embora esteja muito feliz pela possibilidade de estar novamente com minha família, ao mesmo tempo estou muito triste porque precisei deixar Cuba".

Antes de sua prisão, Rodríguez era diretor da agência de notícias independente Nueva Prensa Cubana, com sede em Havana, e Hernández era diretor da agência de notícias Colégio de Periodistas Independentes na província de Camagüey.

Com a chegada de Hernández e Rodríguez, um total de oito jornalistas cubanos presos foi libertado e transferido para a Espanha como parte de um acordo entre o governo do  Presidente Raúl Castro e a Igreja Católica em Cuba. 

Em um comunicado emitido na semana passada, a Igreja anunciou que o governo cubano havia concordado em libertar um total de 52 presos políticos. O Ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, foi mais além na terça-feira ao declarar à Comissão Mista para a UE no Congresso que todos os prisioneiros políticos de Cuba serão libertados, segundo a agência espanhola de notícias EFE. Defensores dos direitos humanos em Cuba afirmam que há mais de 150 presos políticos no total.

Antes das libertações desta semana, a pesquisa do CPJ havia identificado 21 jornalistas encarcerados em Cuba por seu trabalho independente e suas opiniões. Com exceção de um, todos os jornalistas foram detidos em março de 2003 durante uma ofensiva contra a dissidência política e a imprensa independente conhecida como Primavera Negra.

Neste link, é possível ler as informações sobre os jornalistas que chegaram à Espanha após sua libertação. Os quadros informativos pertencem ao censo anual do CPJ sobre jornalistas encarcerados, realizado em dezembro de 2009.

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