Uma funcionária da polícia metropolitana de Caracas ficou levemente ferida durante o ataque que ocorreu por volta das 13h00, informou a Globovisión. Nenhum funcionário da emissora ficou ferido e não foram registrados danos consideráveis, de acordo com o noticiado. As informações da imprensa indicaram que os militantes pró-governamentais liderados pela ativista Lina Ron ingressaram com motocicletas nas instalações da Globovisión em Caracas e desarmaram o pessoal da segurança, antes de lançarem gás lacrimogêneo. Alguns deles empunhavam bandeiras do partido político favorável ao governo União Patriótica Venezuelana (UPV), de acordo com a imprensa.
O Ministro do Interior, Tareck El Aissami,
condenou a ação e afirmou que o governo iniciou uma investigação.
"Estamos seriamente preocupados com a
segurança dos funcionários da Globovisión",
afirmou o Coordenador Sênior do Programa das América do CPJ, Carlos Lauría. "As autoridades devem garantir à Globovisión e aos seus funcionários a
proteção necessária para assegurar que possam trabalhar com liberdade e em um
ambiente seguro".
A Globovisión,
conhecida por suas duras críticas à administração do presidente Hugo Chávez
Frías, tem sido alvo de um acosso contínuo por parte do governo. Nos últimos meses, o organismo regulador das
frequências do espaço radioelétrico iniciou cinco processos administrativos contra a rede de televisão privada. O último foi registrado em 3 de julho, depois que a emissora transmitiu uma campanha publicitária direcionada
à defesa da propriedade privada na qual, segundo as autoridades, aparecem
mensagens que supostamente causam "angustia, temor e ansiedade" na população e
poderiam provocar alterações da ordem pública. Eventualmente, a concessão da
televisão poderia ser revogada. O órgão regulador também solicitou à Procuradoria Geral que determine se a emissora incorreu em algum crime
por supostamente ter violado a lei de telecomunicações.
Em fevereiro, o grupo pró-governamental La Piedrita assumiu a responsabilidade
por um ataque contra a Globovisión em
setembro de 2008. Vários indivíduos
não identificados lançaram bombas de gás lacrimogêneo em frente ao escritório
da Globovisión em Caracas. Uma bomba
explodiu, mas ninguém ficou ferido. Os agressores deixaram folhetos assinados pelo La Piedrita, advertindo que
responsabilizariam o canal de televisão - agora, considerado um objetivo
militar - por qualquer coisa que pudesse acontecer a Chávez, segundo uma
transcrição publicada no jornal venezuelano de circulação nacional El Nacional.
O ataque de
hoje contra a Globovisión ocorreu
dias após o Ministro de Obras Públicas e Moradia, Diosdado Cabello, anunciar
que o organismo regulador havia revogado as concessões de 34 emissoras de rádio
privadas em todo o país. Embora
as estações tenham afirmado que apelariam da decisão, todas saíram do ar.
Cabello disse que também poderiam ser revogadas as licenças de mais de 200
outras emissoras. O CPJ divulgou um comunicado no sábado declarando que o governo
está utilizando a regulamentação das frequências do espaço radioelétrico como
um pretexto para silenciar as vozes críticas e independentes.

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