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Jornalistas venezuelanos abandonam Honduras após acosso

Nova York, 13 de julho de 2009 - Jornalistas venezuelanos da cadeia de televisão regional Telesur e da emissora estatal Venezoelana de Televisión (VTV) abandonaram Honduras no domingo, depois que o grupo foi detido e hostilizado na capital, Tegucigalpa. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) reiterou sua solicitação ao governo interino de Honduras para que respeite a liberdade de expressão e permita que todos os meios de comunicação possam informar livremente, sem nenhuma interferência.

"Estamos seriamente preocupados com o clima no qual trabalha a imprensa em Honduras, que está se tornando cada vez mais polarizado enquanto o governo interino se mostra mais intolerante", disse o Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "O governo interino alega ter respeitado a legalidade quando assumiu o poder. Mas este tipo de atitude hostil contra os meios de comunicação críticos é uma clara violação da legislação internacional".

Na noite de sábado, seis jornalistas da Telesur e VTV foram detidos pela polícia hondurenha no estacionamento do hotel em que se hospedavam e conduzidos a uma delegacia de polícia em Tegucigalpa, informou a imprensa local e internacional. Todos foram libertados no domingo, após a intervenção de diplomatas venezuelanos, mas informados de que não poderiam deixar o hotel, informou a imprensa.

Temendo por sua segurança, o grupo de jornalistas abandonou Honduras no mesmo dia. Também no domingo, outro grupo de repórteres da VTV saiu do país. A Agência Bolivariana de Notícias, venezuelana, informou que os jornalistas haviam sido expulsos, segundo a agência Associated Press. As autoridades hondurenhas negaram a expulsão dos correspondentes estrangeiros e disseram que o governo não está censurando a cobertura informativa.

Em um comunicado, a Telesur, cadeia estatal de televisão criada pelo governo Chávez, explicou que os jornalistas tiveram os passaportes confiscados e foram ameaçados. Os meios de comunicação de Honduras estão cada vez mais polarizados, enquanto boa parte da imprensa local tem apoiado amplamente o golpe de Estado. Tanto a Telesur quanto a VTV haviam noticiado de maneira favorável ao presidente destituído Manuel Zelaya em sua cobertura da atual crise política, segundo as informações da imprensa.

A polícia hondurenha informou no domingo que o grupo de jornalistas havia sido detido por ter violado o toque de recolher imposto pelo governo de fato após a expulsão de Zelaya. Também assinalou que o veículo utilizado pela equipe venezuelano havia sido denunciado como roubado pela agência de aluguel de automóveis, informou o Miami Herald. Honduras suspendeu o toque de recolher no domingo.

O governo interino que assumiu o poder após o golpe de Estado contra o presidente Zelaya em 28 de junho restringiu a liberdade de imprensa, demonstram as apurações do CPJ. As forças de segurança hondurenhas fecharam estações de rádio e televisão locais, bloquearam as transmissões de redes internacionais de notícias, e detiveram brevemente jornalistas após o golpe, segundo o CPJ. Fontes do CPJ ressaltaram que os principais meios de comunicação de Honduras têm realizado cobertura favorável aos líderes do golpe.

 

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