"Estamos seriamente preocupados com o clima no qual trabalha a imprensa em Honduras, que está se tornando cada vez mais polarizado enquanto o governo interino se mostra mais intolerante", disse o Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ, Carlos Lauría. "O governo interino alega ter respeitado a legalidade quando assumiu o poder. Mas este tipo de atitude hostil contra os meios de comunicação críticos é uma clara violação da legislação internacional".
Na noite de sábado, seis jornalistas da Telesur e VTV foram detidos pela polícia hondurenha no estacionamento do
hotel em que se hospedavam e conduzidos a uma delegacia de polícia em
Tegucigalpa, informou a imprensa local e internacional. Todos foram libertados no domingo, após a
intervenção de diplomatas venezuelanos, mas informados de que não poderiam
deixar o hotel, informou a imprensa.
Temendo por sua segurança, o grupo de
jornalistas abandonou Honduras no mesmo dia. Também no domingo, outro grupo de repórteres da VTV saiu do país. A Agência
Bolivariana de Notícias, venezuelana,
informou que os jornalistas haviam sido expulsos, segundo a agência Associated Press. As autoridades hondurenhas negaram a expulsão dos
correspondentes estrangeiros e disseram que o governo não está censurando a
cobertura informativa.
Em um comunicado, a Telesur, cadeia estatal de televisão criada pelo
governo Chávez, explicou que os jornalistas tiveram os passaportes confiscados
e foram ameaçados. Os meios de comunicação
de Honduras estão cada vez mais polarizados, enquanto boa parte da imprensa
local tem apoiado amplamente o golpe de Estado. Tanto a Telesur quanto a VTV
haviam noticiado de maneira favorável ao presidente destituído Manuel Zelaya em
sua cobertura da atual crise política, segundo as informações da imprensa.
A polícia hondurenha informou no domingo que o
grupo de jornalistas havia sido detido por ter violado o toque de recolher
imposto pelo governo de fato após a expulsão de Zelaya. Também assinalou que o veículo utilizado pela equipe
venezuelano havia sido denunciado como roubado pela agência de aluguel de
automóveis, informou o Miami Herald. Honduras suspendeu o toque de recolher no domingo.
O governo interino que assumiu o poder após o
golpe de Estado contra o presidente Zelaya em 28 de junho restringiu a
liberdade de imprensa, demonstram as apurações do CPJ. As forças de
segurança hondurenhas fecharam estações de rádio e televisão locais, bloquearam
as transmissões de redes internacionais de notícias, e detiveram brevemente
jornalistas após o golpe, segundo o CPJ. Fontes do CPJ ressaltaram que os
principais meios de comunicação de Honduras têm realizado cobertura favorável aos líderes do golpe.

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