O corpo de Juan Daniel Martínez Gil, apresentador dos programas "W Acapulco", na emissora nacional W Radio, e "Gerrero en vivo", na emissora local Radiorama Acapulco, foi encontrado enterrado em um terreno baldio do povoado de La Máquina, no estado de Guerrero, informou a imprensa mexicana. O jornalista havia sido espancado, seus pés e mãos estavam amarrados, e sua cabeça estava envolta com um cinto marrom, informaram as autoridades à imprensa local.
Enrique Silva, coordenador de notícias da Radiorama Acapulco, disse ao CPJ que
Martínez era extremamente cuidadoso com as informações divulgadas e não
abordava temas sensíveis, como o tráfico de drogas ou as atividades do exército
e da polícia em Acapulco. Silva acrescentou que
Martínez não o havia informado sobre nenhuma ameaça. Vários colegas que falaram
com o CPJ disseram acreditar que a morte de Martínez esteja vinculada ao seu
trabalho, embora não tenham conseguido especificar uma matéria em particular. O
procurador estadual revelou a jornalistas locais que a Procuradoria pretende
revisar as gravações das últimas transmissões de Martínez para tentar
estabelecer algum motivo.
"Este crime é particularmente cruel, mesmo
para o já brutal padrão de assassinatos de jornalistas no México", declarou
Carlos Lauría, Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ. "As autoridades estaduais e federais devem investigar este crime de forma
completa e pôr fim à violência contra a imprensa mexicana".
Nos últimos anos, o estado de Guerrero se
converteu em uma zona de guerra entre poderosos cartéis de droga e as forças de
segurança mexicanas. Em abril de 2006, um
pistoleiro matou Amado Ramírez, jornalista da Radiorama e
correspondente da Televisa - a maior
rede de televisão do país -, logo após o jornalista deixar os estúdios da
rádio. Em abril, um juiz de Guerrero sentenciou Genaro Vásquez Durán a 38 anos
de prisão pelo assassinato de Ramírez. As autoridades afirmaram que se tratou
de um crime passional, mas não forneceram uma explicação clara, segundo a
imprensa. Em um relatório especial divulgado em 2008, "Três Assassinatos sem Justiça", o CPJ concluiu que por causa da má qualidade do trabalho policial, do
medo e da pressão política, a investigação não obteve avanços importantes.
De acordo com o relatório anual do CPJ, Ataques
à Imprensa, o México é um dos países mais perigosos do mundo para exercer o
jornalismo. Desde 2000, 28 jornalistas - incluindo
Martínez - foram assassinados. Ao menos 10 deles foram mortos em represália direta por seu trabalho
informativo. Além disso, sete jornalistas desapareceram desde 2005. A maioria cobria crime organizado ou corrupção governamental.
Em 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o Presidente Felipe Calderón, que expressou seu apoio a
uma legislação para proteger a liberdade de expressão. Um projeto de lei, aprovada pela Câmara
mexicana em abril, encontra-se parada no Senado.

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