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Após assassinato de jornalista, o CPJ insta o México a pôr fim à violência contra a imprensa

Nova York, 29 de julho de 2009--As autoridades mexicanas encontraram, na tarde de terça-feira, o corpo brutalmente espancado e parcialmente enterrado de um jornalista perto da cidade balneária de Acapulco, informou a imprensa local. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou hoje as autoridades mexicanas a realizarem uma investigação completa sobre o assassinato e a colocarem um fim à violência contra a imprensa.

O corpo de Juan Daniel Martínez Gil, apresentador dos programas "W Acapulco", na emissora nacional W Radio, e "Gerrero en vivo", na emissora local Radiorama Acapulco, foi encontrado enterrado em um terreno baldio do povoado de La Máquina, no estado de Guerrero, informou a imprensa mexicana. O jornalista havia sido espancado, seus pés e mãos estavam amarrados, e sua cabeça estava envolta com um cinto marrom, informaram as autoridades à imprensa local.

Enrique Silva, coordenador de notícias da Radiorama Acapulco, disse ao CPJ que Martínez era extremamente cuidadoso com as informações divulgadas e não abordava temas sensíveis, como o tráfico de drogas ou as atividades do exército e da polícia em Acapulco. Silva acrescentou que Martínez não o havia informado sobre nenhuma ameaça. Vários colegas que falaram com o CPJ disseram acreditar que a morte de Martínez esteja vinculada ao seu trabalho, embora não tenham conseguido especificar uma matéria em particular. O procurador estadual revelou a jornalistas locais que a Procuradoria pretende revisar as gravações das últimas transmissões de Martínez para tentar estabelecer algum motivo.

"Este crime é particularmente cruel, mesmo para o já brutal padrão de assassinatos de jornalistas no México", declarou Carlos Lauría, Coordenador Sênior do Programa das Américas do CPJ. "As autoridades estaduais e federais devem investigar este crime de forma completa e pôr fim à violência contra a imprensa mexicana".

Nos últimos anos, o estado de Guerrero se converteu em uma zona de guerra entre poderosos cartéis de droga e as forças de segurança mexicanas. Em abril de 2006, um pistoleiro matou Amado Ramírez, jornalista da Radiorama e correspondente da Televisa - a maior rede de televisão do país -, logo após o jornalista deixar os estúdios da rádio. Em abril, um juiz de Guerrero sentenciou Genaro Vásquez Durán a 38 anos de prisão pelo assassinato de Ramírez. As autoridades afirmaram que se tratou de um crime passional, mas não forneceram uma explicação clara, segundo a imprensa. Em um relatório especial divulgado em 2008, "Três Assassinatos sem Justiça", o CPJ concluiu que por causa da má qualidade do trabalho policial, do medo e da pressão política, a investigação não obteve avanços importantes.

De acordo com o relatório anual do CPJ, Ataques à Imprensa, o México é um dos países mais perigosos do mundo para exercer o jornalismo. Desde 2000, 28 jornalistas - incluindo Martínez - foram assassinados. Ao menos 10 deles foram mortos em represália direta por seu trabalho informativo. Além disso, sete jornalistas desapareceram desde 2005. A maioria cobria crime organizado ou corrupção governamental. Em 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o Presidente Felipe Calderón, que expressou seu apoio a uma legislação para proteger a liberdade de expressão. Um projeto de lei, aprovada pela Câmara mexicana em abril, encontra-se parada no Senado.

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