Segundo o site de notícias cubano sediado no exterior Cubamatinal, Santiago Du Bouchet Hernández, diretor da agência de notícias independente Habana Press, radicada em Havana, foi também acusado de distribuir propaganda inimiga, mas o CPJ não pôde confirmar esta acusação nem se ele também foi condenado por ela. Elizardo Sánches Santa Cruz, presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional em Havana, disse ao CPJ que o jornalista não teve permissão para consultar um advogado, mas já apelou de sua sentença. O recurso está pendente.
Policiais prenderam Du Bouchet Hernández na tarde de 18 de abril quando ele
visitava familiares em Artemisa, a 60 quilômetros de Havana, segundo entrevistas
do CPJ e sites cubanos de notícias sediados no exterior. A polícia alega que Du
Bouchet Hernández estava gritando slogans antigovernamentais na rua, disse
Sánchez Santa Cruz ao CPJ. Sua família não teve permissão para visitá-lo desde
que foi detido, informou o Cubamatinal.
Miriam Herrera, uma jornalista independente
radicada em Havana que falou com Du Bouchet Hernández depois de sua detenção,
disse acreditar que o jornalista foi encarcerado em represália por seu
trabalho. Herrera disse ao CPJ que Du Bouchet Hernández havia publicado matérias
sobre questões sociais recentemente. Segundo Sánchez Santa Cruz, as circunstâncias que
envolvem a prisão permanecem confusas.
"Alberto Santiago Du Bouchet Hernández foi
processado e condenado sob acusações que não se tornaram públicas e sem
representação legal" assinalou o Coordenador Sênior do programa das Américas do
CPJ, Carlos Lauría. "Instamos as autoridades cubanas a seguirem o devido
processo e permitirem que Du Bouchet tenha acesso a um advogado. O jornalista
se soma a outros 21 repórteres independentes que estão encarcerados sob
acusações artificiais em represália por seu trabalho informativo".
Du Bouchet Hernández havia sido previamente encarcerado por desacato.
Foi detido em agosto de 2005 quando estava na cidade de Artemisa em uma viagem
de trabalho. Foi julgado sumariamente e sentenciado a um ano de prisão; não
teve acesso a um advogado antes ou durante o julgamento. O jornalista havia
provocado a ira das autoridades meses antes, quando cobriu a Assembléia para
Promover a Sociedade Civil. O encontro de dois dias, sem precedentes em Cuba,
reuniu mais de 200 ativistas da oposição e convidados em maio de 2005 para
discutir formas de promover a democracia em Cuba. Du Bouchet Hernández foi libertado em agosto de
2006, após cumprir sua pena.
Vinte e um repórteres e editores estão presos atualmente
em Cuba, que é o segundo país com maior número de jornalistas encarcerados no
mundo. Vinte deles permanecem presos em condições desumanas desde a massiva
investida contra a dissidência e a imprensa independente em março de 2003. O
CPJ ranqueou Cuba como o quarto pior país para ser blogueiro em um informe publicado recentemente.

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