"A onda sem precedentes
de violência no México inibe o direito fundamental dos mexicanos de
se expressarem livremente", declarou Carlos Lauría, Coordenador
Sênior do Programa das Américas do CPJ. "Instamos os líderes
do Congresso a mostrarem seu total compromisso com a proteção à
liberdade de expressão aprovando uma emenda constitucional que darias às
autoridades federais o poder de assumir a investigação dos crimes contra
jornalistas".
Sob a reforma do Artigo
73 da Constituição mexicana, as autoridades federais teriam faculdades mais
amplas para investigar e processar crimes contra a liberdade de expressão, uma
proposta que foi aprovada em 18 de março pela Comissão de Pontos
Constitucionais da Câmara dos Deputados. Segundo fontes do Congresso, a emenda
está atualmente sendo estudada pela Comissão de Justiça da Câmara.
Espera-se que proposta seja votada no plenário da Câmara nas próximas
duas semanas e, em seguida, pelo Senado, revelaram as fontes do CPJ.
Na última
quinta-feira, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 263
votos a zero, que sanções por crimes contra "a atividade jornalística"
sejam adicionadas ao código penal federal. A medida impõe penas de
até cinco anos de prisão a qualquer pessoa que tente "impedir,
interferir, limitar ou atentar contra a atividade jornalística". As sentenças poderiam até dobrar
caso o delito fosse cometido por um servidor público no exercício
de suas funções ou por elas motivado. As sanções seriam impostas independentemente
das penalidades existentes. Atualmente, a medida está no Senado.
A atividade jornalística
está definida como "o exercício de buscar, coletar,
fotografar, investigar, sintetizar, redigir, editar, destacar, imprimir,
divulgar, publicar ou difundir informações, notícias idéias
ou opiniões para o conhecimento do público em geral, através
de qualquer meio de comunicação, assim como a distribuição destes". A
legislação indica que "esta atividade pode ser realizada de maneira habitual ou
esporádica, remunerada ou não, e sem que exista necessariamente uma
relação de trabalho com o meio de comunicação".
"Elogiamos a Câmara dos
Deputados por ter adotado um passo adiante na luta para colocar fim à
impunidade nos crimes contra a liberdade de expressão", disse Lauría.
"No entanto, a aprovação de novas sanções não terá o efeito necessário
sem a adoção de uma reforma constitucional".
As sessões do Congresso
se encerram em abril, e com eleições previstas para julho, a melhor
oportunidade para adotar esta legislação é nas próximas quatro
semanas, explicou Lauría.
Segundo o informe anual do CPJ, Ataques
à Imprensa, o México é um dos lugares mais
perigosos do mundo para os jornalistas. Desde 2000, 25 jornalistas foram mortos e destes, ao menos oito em represália
direta por seu trabalho. Além disso, sete jornalistas estão desaparecidos desde 2005. Em junho de 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o
presidente Felipe Calderón, que expressou apoio a uma legislação que
proteja a liberdade de expressão.
Segundo as investigações do CPJ, as autoridades
locais e estaduais mexicanas têm sido ineficazes em suas tentativas de
solucionar casos vinculados à imprensa e, em algumas ocasiões, foram
cúmplices dos crimes.

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