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NICARÁGUA: Jornalista assassinado em frente às instalações de canal de televisão

Nova York, 11 de fevereiro de 2004 ­ O jornalista nicaragüense Carlos José Guadamuz foi assassinado a balas ontem na capital da Nicarágua, Manágua, quando chegava ao trabalho. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) continua investigando se o assassinato está vinculado ao seu trabalho jornalístico.

Segundo versões difundidas pela imprensa local, o jornalista foi morto por volta das 13h00 no estacionamento do Canal 23, onde o jornalista apresentava seu programa vespertino "Dardos al centro". Quando Guadamuz saiu de sua caminhonete junto com um de seus filhos, um indivíduo que aparentemente o esperava disparou várias vezes à queima-roupa. O agressor tentou fugir, mas caiu e foi subjugado pelo filho de Guadamuz e empregados do Canal 23. Guadamuz foi levado a um hospital de Manágua, mas o declararam morto ao chegar. O assassino foi identificado como sendo William Hurtado García, um vendedor ambulante e segurança.

Guadamuz, ex-integrante da cúpula do opositor Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN), foi preso no final da década de 60 por lutar contra o ditador nicaragüense Anastásio Somoza. Durante seu período de prisão, Guadamuz dividiu a cela com seu amigo e líder da FSLN Daniel Ortega, de quem se distanciou publicamente no final dos anos 90.

Polêmico jornalista e ex-candidato da FSLN à prefeitura de Manágua, Guadamuz foi diretor e sócio-proprietário da popular rádio sandinista Rádio Ya, da qual foi destituído em 1999 por causa de uma disputa que muitos acreditam ter sido instigada por Ortega. Em 2003, havia se inscrito como candidato à prefeitura de Manágua pelo governista Partido Liberal Constitucionalista (PLC).

Desde 1996, Guadamuz era acirrado crítico de Ortega ­ atual líder da oposição ­ e de outros altos funcionários sandinistas, aos quais freqüentemente qualificava de corruptos. Nas últimas edições de "Dardos ao Centro", Guadamuz havia acusado Ortega de receber subornos e de utilizar o Poder Judicial para negócios pessoais, segundo o diário de Manágua La Prensa.

Em declarações dadas à imprensa local, o filho mais velho de Guadamuz culpou Ortega pelo assassinato de seu pai e declarou que seu pai sempre recebeu ameaças. De acordo com The Associated Press, a polícia investiga a possibilidade do envolvimento de Ortega.

A Procuradoria Geral da República, que nomeou um procurador para esclarecer o caso, não se pronunciou sobre os possíveis motivos do assassinato.

"Instamos o governo nicaragüense a realizar uma profunda investigação sobre o assassinato de Carlos José Guadamuz e assegurar-se que não fique impune", declarou Ann Cooper, diretora-executiva do CPJ.



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