Jornalista acusado de crime de difamação


Nova York, 13 de setembro de 2002 --- O Comitê de Proteção aos Jornalistas vê com preocupacão a situação do jornalista Lúcio Flávio Pinto, que responde a diversas ações criminais por suas reportagens sobre o Estado do Pará.

Lúcio Flávio é um respeitado jornalista independente de Belém do Pará. Ele escreve a coluna "Carta da Amazônia" para o jornal O Estado de S. Paulo e publicou e editou durante mais de 14 anos o pequeno jornal quinzenal Jornal Pessoal, que cerrou suas portas em julho.

As acusações provêm de uma série de artigos que o jornalista publicou no Jornal Pessoal em 1999 e 2000. Nos artigos ele denuncia a grilagem de terras ricas em mogno na Floresta Amazônica por companhias controladas por Cecílio do Rego Almeida, proprietário da companhia CR Almeida, e por seus filhos. O jornalista também escreveu que o Instituto de Terras do Pará, agência governamental que administra a terra pertencente ao Estado, assim como procuradores da República estariam tentando cancelar títulos agrários que Almeida e seus filhos haviam comprado e registrado em conluio com funcionários judiciais corruptos.

Lúcio Flávio baseou suas alegações em dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em entrevistas dadas à imprensa brasileira, Cecílio do Rego Almeida negou que as terras em questão sejam propriedade do Estado. Em 1996, autoridades federais e estaduais entraram com um processo para reaver as terras, num caso ainda sem decisão.

Cecílio do Rego Almeida abriu um processo de crime de difamação e dois processos civis contra Lúcio Flávio. De acordo com documentos a que o CPJ teve acesso, o empresário alega que os artigos do jornalista o ofendem e requer compensação monetária por danos morais.

João Alberto Paiva, desembargador do Estado do Pará, também abriu processos civis e criminais contra o jornalista. A acusação se baseia num editorial onde Lúcio Flávio critica duramente o desembargador por conceder uma liminar que devolveu temporariamente o controle da terra em litígio para uma companhia de Cecílio do Rego Almeida.

"Jornalistas não podem ser acusados criminalmente por estarem fazendo o seu trabalho", diz Ann Cooper, diretora executiva do CPJ. "Esses processos são uma tentativa de intimidar um jornalista experiente que está esclarecendo assuntos de grande interesse público."

O premiado jornalista já recebeu inúmeras ameaças por suas reportagens críticas, que cobrem uma variedade de temas como tráfico de drogas, destruição ambiental e corrupção nas administrações públicas e empresariais.

FIN

September 13, 2002 12:00 PM ET |

Text Size
A   A   A
Article Tools

Email Email

Print Print

Share Share

 
 

Video: Lara Logan

Why CPJ matters Join Us

International Press
Freedom Awards

Save the date: Tuesday, November 24. CPJ will honor top global journalists at its 19th annual benefit. Christiane Amanpour hosts.

Anatomy of Injustice

Unsolved murders in Russia
Anatomy of Injustice

Pakistani reporters
face grave risks

CPJ’s Bob Dietz
examines the challenges on the CPJ Blog